Domingo, 05 de Julho de 2020

Quando voltarmos ao normal

Depois de 17 anos que aconteceu o “Paro petroleiro”, na Venezuela, com certeza eu posso lhes dizer que TUDO PASSA.


03/04/2020 às 18:19

No dia 14 da quarentena eu tive que sair de casa. Com máscara e um frasco de álcool em gel, fui ao mundo exterior. Chegar a meu destino demorou uns 10 minuto de carro. As ruas estavam solitárias e tristes, não tinha ninguém caminhando, falando nem sorridente. Estavam fechados os comércios, restaurantes, academias e escolas. Então eu lembrei do Natal do ano 2002 que vivemos os venezuelanos.  

Aconteceu uma greve patronal nacional, conhecida como o “Paro petroleiro”, contra o presidente Hugo Chávez. Em primeiro de dezembro de 2002 a greve foi convocada pelas organizações patronais, federações de empresários, industriários e comerciantes que acusavam a Chávez de levar o país à ruína e a um estado de convulsão social. Eram visionários, não é verdade?

Por 63 dias, quase todas as empresas do país fecharam suas portas. Parou o sistema educacional, bancário e alimentar, faltaram produtos básicos pela interrupção da fabricação e a distribuição, faltou o gás e a gasolina.  

Os líderes da greve decidiram como medida extrema de pressão para que  Chávez renunciasse ao poder, reduzir o nível de produção de nossa principal indústria, Petróleos de Venezuela Sociedade Anônima, Pdvsa, a quase zero. Lembrando que naquele momento a Pdvsa era a quinta indústria exportadora de petróleo do mundo e que o ingresso petroleiro era a principal fonte de recursos que dinamizavam a economia da Venezuela.

As ruas de Caracas estavam, naquele Natal de 2002, como as de Manaus no dia 31 de março de 2020. Os venezuelanos opositores aos socialistas atualmente no poder ficaram sem trabalhar desde dezembro 2002 até o 3 de fevereiro de 2003. As crianças não tiveram presente de Natal, poucos compraram roupas novas e a virada do ano se tornou um dia como outros, porque a situação não era para comemorar. Muitas pessoas estiveram famintas, muitas empresas faliram e 17 mil funcionários da empresa petroleira estatal foram demitidos.

Nós venezuelanos já experimentaram tempos de ansiedade e incerteza. Temos anos lutando contra o socialismo e a ditadura, aquela greve foi um exemplo disso, no entanto ainda não se conseguiu que deixassem o poder. São um tipo de vírus mortal que está matando a população.

Depois de 17 anos que aconteceu o “Paro petroleiro”, com certeza eu posso lhes dizer que TUDO PASSA e um dia destes vamos voltar para as ruas, os escritórios, as praças e shoppings.

Quando voltarmos ao normal teremos um novo jeito de agir como cidadãos, trabalhadores, pais e filhos. Estaremos mais comprometidos com nossa saúde e o bem-estar, o Home Office será uma opção real, acrescentaremos as competências digitais, a tecnologia nos será mais próxima e nossos afetos serão a prioridade.


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