Terça-feira, 19 de Outubro de 2021
Futebol

Entre 'gaviões' e 'urubus'

Passando por bons e maus momentos na Série C, Manaus vive um 'meio-termo' na última rodada da fase de grupos



WhatsApp_Image_2021-09-21_at_10.00.58_56A05BFB-447C-47E5-B995-FC3681E064DA.jpeg Foto: Gilson Mello
21/09/2021 às 10:09

"Pipocaram"! "Merecem a eliminação"! A lua de mel entre o Manaus e o torcedor amazonense acabou após mais um empate em casa pela Série C. Um cenário inimaginável, mas não pela situação de momento vivida no grupo A, e sim pelo que foi projetado por vários ao fim de maio, quando o Barezão foi finalizado.

Mesmo com o título estadual conquistado nos acréscimos contra o São Raimundo, o Gavião do Norte entrou na terceira divisão nacional sem receber muita confiança, já que o clube foi eliminado da Copa Verde e da Copa do Brasil após sofrer goleadas (para Remo - 6x2 - e Bahia - 4x1 -, respectivamente). Além disso, foi vice-campeão da Seletiva 2020, perdendo a final nos pênaltis para o Penarol, recém-eliminado do Brasileirão Série D pelo 4 de Julho-PI.



As trocas de comando fortaleceram um cenário caótico. Luizinho Vieira foi demitido após 12 jogos, Luizinho Lopes saiu após o título estadual. Feita esta retrospectiva, fica claro que para a maioria, o Manaus não lutaria pelo acesso. Porém, existiu - e ainda existe - um exagero.

Perder por 4 a 1 para o Bahia, fora de casa, foi normal, pois são clubes com realidades diferentes. Por mais pesado que tenha sido, o 6 a 2 para o Remo foi normal, já que o Gavião se lançou ao ataque - erradamente, de qualquer jeito - e se permitiu ser esmagado. A Seletiva foi mérito do Penarol, que aguentou a pressão do jogo, levou para os pênaltis e mereceu sair com o título. Ora, meus amigos: não é justamente essa a graça do futebol? Em todo caso, eis que veio a Série C.

Marcelo Martelotte chegou e comandou o Manaus durante apenas um turno (9 jogos), deixando o Gavião com 11 pontos, dois a mais que o primeiro clube do 'Z2'. O cenário trágico - esperado por muitos - ficou próximo de acontecer, mas o número excessivo de empates do grupo A mantinham o clube esmeraldino na briga.

A partir daí, o cenário apocalíptico deu lugar ao mundo dos sonhos. A contratação de Evaristo Piza mudou o time para melhor, a primeira vitória fora de casa veio e 10 pontos de 12 possíveis foram conquistados nos primeiros quatro jogos do novo comandante esmeraldino.

Bônus: os adversários diretos seguiam empatando, rodada após rodada, alavancando o Manaus ao topo. Tava tudo certo, tudo conspirava a favor. Alegria, confiança em alta, torcida do lado de fora acompanhando a chegada do time. Uma maravilha, a 'resposta' dada em campo para os que não acreditavam... pelo menos até o final da 15ª rodada.

Vieram as duas rodadas em casa, ambas na Colina, e tudo o que o Manaus precisava fazer era vencer um desses jogos. Claro que na teoria, pra quem é líder e joga em casa, o normal para o torcedor é que a vitória ocorra. Só que no grupo A, após 85 jogos disputados, o resultado mais comum é o empate (33 vitórias de mandantes, 15 vitórias de visitantes e 37 empates).

E vale ressaltar: em sete jogos disputados contra o atual ‘top 5’ da Série C - Paysandu (1º), Tombense (2º), Botafogo-PB (4º) e Ferroviário-CE (5º), o Manaus venceu apenas o Tombense, por 2 a 1, na Arena. De resto, foram três empates (em casa) e três derrotas (fora), faltando ainda a partida de sábado (26), contra o Paysandu, em Belém. E assim, voltamos ao início do texto.

Na última rodada, o Manaus segue dependendo apenas de si para avançar. Se vencer, pode terminar a rodada como líder. Se empatar, garante a classificação. E ainda que seja derrotado, pode alcançar a segunda fase em caso de vitória do Santa Cruz-PE sobre o Botafogo-PB (partida em Pernambuco) ou se o Ferroviário-CE não vencer o Floresta-CE.

Se a classificação não veio da forma que todos queriam, em casa, sem sofrimento, paciência. A própria campanha do Manaus é somente regular, mas por conta dos vários empates dentro do grupo A, passou a impressão de sucesso, arrancada. E considerando que muitos não acreditavam no início e seguiram não acreditando ao fim do primeiro turno, o cenário atual é ótimo.

Em 2019, quatro clubes do grupo B avançaram com 28 pontos, pois foram 39 empates, sendo esta a menor soma de pontos de um G4 no atual formato da Série C (desde 2012, sendo disputado com 20 clubes, em 2 grupos de 10). Dentre os quatro, somente o Juventude-RS subiu para a Série B em 2020, com Ypiranga-RS, São José-RS e Paysandu-PA eliminados. O grupo A deste ano pode superar esta marca negativa.

A essa altura, não adianta mais cobrar os jogadores, nem reclamar de um pênalti não-marcado - que passou longe de existir -, causando a revolta dos próprios torcedores. E se classificar, não adianta ignorar os problemas, achando que tudo não passou de um susto. Todo cuidado é pouco, todo apoio é essencial e todo oba-oba é desnecessário.


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