Terça-feira, 19 de Janeiro de 2021
EXEMPLO

Amazonense na Nova Zelândia fala sobre o alívio com país 'livre' da Covid-19

Fora do Brasil há seis anos com marido e filhos a desenvolvedora web e jornalista Suzana Melo Moraes frisa as ações e medidas do governo neozelandês e fala da preocupação com a pandemia no Amazonas



20200628_205629_19B9EC63-2522-44BF-8CDF-2964773C8DAD.jpg A desenvolvedora web e jornalista Suzana Melo Moraes e família na Nova Zelândia: alívio no país e preocupação com a terra natal Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
28/06/2020 às 21:29

A Nova Zelândia é um dos países que estão, literalmente, vivendo uma nova vida mesmo durante a pandemia da Covid-19, zerando os casos ativos da doença por 25 dias até surgirem dois casos importados do Reino Unido, no dia 16 deste mês.

Apesar dessas novas notificações, o bem sucedido combate ao Novo Coronavirus (Covid-19) no arquipélago do Pacífico Sul se deve ao sucesso das ações governamentais de restrição, transparência e isolamento e apoio financeiro e com adesão maciça da população que entendeu o recado da gravidade da situação do temido vírus. 



Prestes a completar seis anos no País a desenvolvedora web e jornalista amazonense Suzana Melo Moraes, 43 anos, que mora na cidade de Auckland, comemora o recúo do Novo Coronavírus, mas ao mesmo tempo tem cautela.

“Hoje estamos passando, sim, por um clima de celebração e bastante otimismo e alivio porque, sim, é um momento super difícil, de muito estresse, tensão, nervosismo, medo por sí e pelos outros em volta de você. Mas é claro que existe todo um trabalho que precisa ser feito para recuperar a economia, mas o clima é de bastante otimismo porque tomamos atitudes rápidas e conseguimos sair do lockdown de uma maneira rápida. O período de fechamento do comércio acabou sendo muito curto em relação a outros países que não tomaram as mesmas medidas. O comércio ainda está restrito até agora sem previsão de voltar ao normal de uma forma segura para a população”, comentou ela.

Suzana Melo Moraes completará seis anos na Nova Zelândia em agosto deste ano. Ela viajou para o país após o marido, engenheiro de software, ter recebido uma proposta de emprego de uma empresa e, com isso, ter o direito de solicitar junto à imigração daquele pais um visto de trabalho por conta da necessidade da contratante em questão. Aprovado, o visto deu direito à autorização dele trazer a família, no caso a  esposa amazonense e um casal de filhos, a adolescente Maria Eduarda, 15 anos, e o jovem Luís Eduardo,  21 anos.

Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
Ela ressalta que a Nova Zelândia tem sido destaque mundial no combate ao Covid-19 por conta da reação de como o país lidou com o problema. 
Era a hora de um país muito conhecido pelas filmagens da trilogia “O Senhor dos Anéis” e pela invenção do “bungee jumping”, passar a ser referência de poder público eficaz e organizado nas mãos de uma mulher: a primeira-ministra Jacinda Ardern, que virou sinônimo de credibilidade.

“O primeiro caso foi no dia 26 de fevereiro, com um casal que veio de uma viagem onde passaram por Itália e Singapura. Um mês depois, com 102 casos no país, a primeira-ministra Jacinda Ardern anunciou o lockdown dando 24 horas de preparo para a população. Ela fechou as fronteiras no dia 19 de março e o país com 102 casos. Ainda assim nós chegamos a cerca de 1.500, mas confirmados mesmo foram 1.154. Foi muito rápido e é difícil comparar com países que não tomaram providências no começo e que hoje estão em uma situação muito mais complicada para decretar o lockdown porque, na Nova Zelândia,  ele foi decretado logo no início e mesmo assim com 100 casos”, disse a jornalista, que frisa bem a decisão de restrições do governo neozelandês.

“O Covid-19 é uma doença que se espalha muito, muito rápido. Essa decisão rápida em relação ao lockdown fez com que eles conseguissem controlar e monitorar o vírus. Ficou muito mais fácil fazer esse monitoramento e mitigando essas bolhas contaminadas. Nós voltamos (à normalidade) no dia 9 de junho, com tudo sendo reaberto, sem restrições. Tivemos quatro semanas ainda com algumas restrições de distanciamento, número de pessoas em um ambiente e a partir do momento que passamos a ter quase 20 dias com zero casos novos, o que poderíamos dizer é que quem tinha que receber alta já recebeu e não há mais perigo de transmissão aqui dentro, já podemos dizer que estamos ‘Covid free’ aqui na Nova Zelândia”

Ela conta que as fronteiras continuam fechadas e sem previsão de abrir pois, “como a própria primeira ministra fala, e a população está ciente, nós pagamos um preço muito alto para nos livrarmos desse vírus para abrir as portas e deixar regredir todas as conquistas que tivemos até agora”. Só entram no país os kiwis (neozelandeses) ou residentes permanentes que ficam 14 dias em quarentena obrigatoria.

Segundo Suzana, o primeiro momento do lockdown foi realmente bastante restrito. Apenas supermercados e farmácias podiam funcionar. E só uma pessoa da família poderia se dirigir até esses locais para fazer suas compras. Havia restrições de dois metros de distância com demarcações.

“No supermercado perto da nossa casa fazíamos nossas compras em uma sacola reutilizável, e você tinha que pegar o carrinho de compras, fazer suas compras, levar para o automóvel e devolver o carrinho que depois seria todo higienizado com álcool em gel para ser utilizado pela próxima pessoa. Realmente foi tudo bem rígido”.

Pós-pandemia

Segundo a jornalista Suzana Melo Moraes, o pós-pandemia vai trazer mudanças positivas como a maior valorização da ciência, tecnologia e pesquisas, monitoramento de novas doenças, reconhecimento da necessidade de prevenção na saúde e o fortalecimento das compras on-line e do work from home (trabalhar de casa).

Preocupação com o Amazonas

Susana disse que acompanha com muita preocupação e tristeza o que está acontecendo em relação à pandemia no Amazonas. “Tenho família e muitos amigos em Manaus e acompanhado com preocupação e tristeza. Não vou discutir política, mas estou em um país onde a ação rápida e a transparência foram cruciais. E para quem diz que a Nova Zelândia é uma ilha, e que aqui às coisas foram fáceis, eu rebato dizendo que a Alemanha fica no meio da Europa, tomaram atitudes também logo no começo, fecharam as fronteiras e conseguiram resultados positivos. Foi mais difícil a batalha, claro que sim, mas ainda assim tiveram resultados positivos assim como vários outros países”, argumenta a jornalista.

A questão não é só geográfica, diz ela, “porque a Inglaterra é uma ilha e estamos vendo o caos que está lá”. Suzana Melo Moraes lembra que “Na Inglaterra não foram tomadas medidas efetivas inicialmente, o primeiro-ministro do país considerou que era uma gripezinha e não foi isso bem o que aconteceu”.

A jornalista lembra que ouviu uma pessoa comentando que Manaus é uma ilha e porque não foi fechada antes e controlado tudo anteriormente. “Eram atitudes que deveriam ter sido feitas antes. Uma coisa é certa: enquanto as pessoas estiverem nas ruas espalhando o vírus, mas ele vai se espalhar pois é certamente contagioso e mais pessoas vão morrer. Não é uma doença que ataca só idosos e isso já sabemos há muito tempo", frisa ela.

Apoio da população foi fundamental

A desenvolvedora web e jornalista amazonense conta que, assim como em outros países, houve pessoas denunciadas por quebrar o lockdown, mas que o apoio da população foi essencial para o sucesso das medidas do governo.

“Infelizmente, casos de pessoas sem-noção vão acontecer em todo o mundo. Mas, sim, a maioria da população, e isso foi superimportante, acatou e apoiou as restrições inclusive empresários e políticos da oposição não só acataram, mas publicamente incentivaram isso. O ex-primeiro ministro, que inclusive é da oposição, veio à público reforçar o pedido da primeira ministra e pedir para as pessoas ficarem em casa. Isso foi extremamente relevante. Fora a transparência do governo de todos os dias trazer ao público tudo que estava sendo feito. Isso deu muita tranquilidade para a população. Quando começaram a ver tudo que estava sendo feito para controlar o vírus, acredito que as pessoas apoiaram ainda mais tudo isso”, explica a amazonense.

Repórter de A Crítica

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.