Terça-feira, 01 de Dezembro de 2020
REFORÇO

Amazonas deve receber mais de 2 mil comprimidos de cloroquina

Ministério da Saúde anunciou envio do medicamento contra a malária para testar em pacientes com a covid-19. Estado realiza tratamento em pacientes com coronavírus desde a última terça (24)



show_coronavirusbe_8338E88D-EE8B-4A42-B078-DEBDF99C3662.jpg Foto: Reprodução/Internet
30/03/2020 às 10:53

O Ministério da Saúde autorizou o envio de lotes de cloroquina para hospitais de referência responsáveis em concentrar atendimento de pacientes com a covid-19. No Amazonas, o Hospital Delphina Aziz, situado na Zona Norte de Manaus, deve receber no mínimo 2 mil comprimidos da droga, de acordo com um critério mínimo adotado pelo governo federal. A Fundação Vigilância e Saúde do Amazonas (FVS) afirma que o estado ainda não recebeu a quantidade divulgada pelo governo federal.

A nota informativa nº 5, também estabelece critérios que as equipes de saúde apliquem o medicamento em casos graves da doença. No estado, já são 140 infectados. Em Manaus, são 131 casos; no interior, são nove casos: Manacapuru (2), Boca do Acre (1), Santo Antônio do Içá (1), Parintins (2), Itacoatiara (2) e Anori (1). O Amazonas tem 117 pessoas com o Covid-19 em isolamento domiciliar e 21 internadas.

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O Amazonas assumiu protagonismo nos testes da cloroquina em pacientes com a covid-19 e iniciou os testes no Delphina ainda na última segunda (24). Em anúncio feito via live pelo Facebook do Governo do Amazonas, o governador Wilson Lima destacou que o estado recebeu aprovação da Comissão Nacional de Ética e Pesquisa (Conepe) para iniciar, o uso do medicamento em pacientes graves internados com a nova doença.

Por estar dentro de uma área de clima tropical, a Amazônia é um dos lugares mais propícios para proliferação da doença da malária, que é transmitida pelo mosquito Anopheles, ou, simplesmente, mosquito-prego. Pela alta incidência de casos, o estado desenvelvou conhecimento técnico para tratar a doença da malária com a cloroquina.

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A cloroquina é testada em ao menos 30 países como uma das respostas de tratamento contra o coronavírus. Elogiada como método eficaz pelo presidente dos Estados Unidos Donald Trump, e pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao longo da última semana, a cloroquina ainda é vista com desconfiança por parte da comunidade científica.

Isso porquê o medicamento foi pouco testado e seus efeitos colaterais podem causar cegueira, problemas no coração e no fígado.

A cloroquina e a hidroxicloroquina são indicados para o tratamento das doenças artrite reumatoide e artrite reumatoide juvenil (inflamação crônica das arculações), lúpus eritematoso sistêmico e discoide, condições na pele provocadas ou agravadas pela luz solar e malária. O medicamento é de baixo custo e, após o uso, é despejado pela urina.

Os testes com cloroquina realizados em outros países são criticados por especialistas brasileiros. Em entrevista à BBC, rede de jornalismo público do Reino Unido, a microbióloga Natalia Pasternak ressaltou que o teste foi realizado em apenas 36 pacientes. Uma das principais críticas da cientista se deve ao método científico adotado na pesquisa, que não considera a escolha aleatória de pacientes, mas sim, de grupos específicos. 

Uso

O documento que autoriza o uso da cloroquina em pacientes com a covid-19 foi publicado na última sexta-feira (28), e utiliza  a Lei n 13.979, de 6 de fevereiro de 2020, além das Medidas Provisórias n.926 e 10.282, ambos de 20 de março. Elas estabelecem critérios adotados pelo governo federal para enfrentamento do novo coronavírus no Brasil. 

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"A presente medida considera que não existe outro tratamento específico eficaz disponível até o momento. Importante ressaltar que há dezenas de estudos clínicos nacionais e internacionais em andamento, avaliando a eficácia e segurança de cloroquina/hidroxicloroquina para infecção por COVID-19, bem como outros medicamentos, e, portanto, essa medida poderá ser modificada a qualquer momento, a depender de novas evidências científicas", diz trecho do documento.

Trump

Trump chegou a dizer que o uso da hidroxicloroquina em conjunto com um antibiótico chamado azitromicina poderia "mudar o jogo" no momento atual da pandemia. A declaração foi dada durante coletiva de imprensa na última terça-feira (24).

A declaração gerou uma corrida às farmácias tanto nos EUA quanto no Brasil, e faltou o medicamento para quem precisava, pessoas que fazem tratamento de lúpus e malária, por exemplo.

Essa situação levou inclusive a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a restringir a venda e passar a exigir prescrição médica para que ele fosse comercializado.

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