Sexta-feira, 29 de Maio de 2020
NÍVEIS DA PANDEMIA

Apesar do alto número de casos, ‘imunização de rebanho’ é sonho distante em Manaus

Segundo estudo, quantidade de 10% a 15% da população da capital já recuperada e com anticorpos do Covid-19 ainda está longe do ideal para que uma redução natural da disseminação do vírus na capital amazonense aconteça



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18/05/2020 às 15:17

Um estudo que estima que 10% a 15% da população de Manaus já foi infectada pelo novo coronavírus (Covid-19) - e já apresentam anticorpos contra a doença - aponta que ainda está longe a possibilidade de uma ‘imunização de rebanho’ na capital manauara. O termo polêmico deriva da teoria de que com uma grande parte da população com anticorpos contra a doença, o vírus teria maior dificuldade de transmissão entre as pessoas, deixando indiretamente protegidos até mesmo quem não tem anticorpos.

A identificação da imunidade de rebanho está entre os fatores mais essenciais, como explica a epidemiologista Fabiana Sinisgalli Romanello Campos, do Hospital São Francisco, em Mogi Guaçu (SP). “Calcular a taxa de imunidade de rebanho é importante para determinar o estágio em que a epidemia se encontra em cada local”, destacou.



O problema é que se estima que, para atingir a imunidade de rebanho, de 60% a 80% de uma população precisam estar imunes ao vírus. No caso de Manaus, que possui população estimada em 2,1 milhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, essa porcentagem equivaleria a 1,3 milhões de infectados recuperados na capital amazonense. 

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As estimativas de infectados e recuperados em Manaus levaram em conta dados oficiais de infectados fornecidos pela Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) e do número de óbitos e sepultamentos registrados pelos órgãos da Prefeitura de Manaus.

Outro problema é a alta quantidade de pessoas infectadas atualmente com o novo coronavírus. Conforme o participante do estudo, professor e pesquisador da Ufam, Alexander Steinmetz, os chamados portadores ativos da doença, que podem transmitir o vírus para outras pessoas, chegam a 85 mil somente em Manaus.

“Esse alto número de indivíduos ativamente infectados com o novo coronavírus, aliado ao baixo número de recuperados (10% a 15%) faz com que a imunização por rebanho seja, por hora, impraticável”, revelou.

Vale ressaltar que, por ser uma doença nova, ainda não existem dados que confirmem que uma pessoa já infectada e recuperada pelo vírus possa vir ou não a se contaminar novamente com a doença, caso que acontece com vírus como a influenza, onde é preciso haver campanhas de vacinação anuais contra o vírus. Os pesquisadores deram ao recuperados da covid-19 o nome de “temporariamente imunizados”.

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