Sábado, 04 de Julho de 2020
AÇÃO SOLIDÁRIA

Boi Caprichoso finaliza entrega de mais de 20 toneladas de alimentos

A grande quantidade de alimentos foi arrecadada durante live solidária realizada em 1º de maio. Todos os setores da Associação Cultural Boi-Bumbá Caprichoso, em Parintins, foram beneficiados com as doações



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29/05/2020 às 09:34

Todos os setores da Associação Cultural Boi-Bumbá Caprichoso, em Parintins, são beneficiados com alimentos arrecadados durante a live realizada no dia 1º de maio, com apoio de patrocinadores, parceiros, empresas e da nação azulada em geral. Os primeiros a receber cestas básicas foram os artistas de alegorias, ajudantes de galpão, pastelagem, carpinteiros, oficina, serviços gerais, recepcionistas, eletricistas, bombeiros civis, enfermeiros, entre outros, logo na primeira semana de maio.

A Diretoria do Caprichoso elaborou um cronograma de entrega para evitar aglomerações e seguir todos os protocolos recomendados pelas autoridades de saúde em prevenção ao novo coronavírus. Os alimentos também chegaram às mãos de desenhistas, equipe técnica do Conselho de Arte, trabalhadores do ateliê (galpãozinho), costureiras, cênica, paikicés (empurradores de alegorias), coordenadores do tribal, cantores de curral, escritório administrativo, comunicação, vigias, banda musical, eventos, Raça Azul e vaqueirada.



As cestas básicas ainda contemplaram os grupos de dança e coreógrafos do bumbá. O presidente do Caprichoso, Jender Lobato, fica emocionado em levar alimentos para a mesa de quem constrói o festival de Parintins e precisa desse amparo para encarar a pandemia. “Nossas vidas foram afetadas, mas não perdemos a esperança e o nosso boi se transformou em uma bandeira de luta contra essa doença. O alimento é necessário e tenta afagar esse problema gerado pelo coronavírus, que é a fome”, ponderou.

O presidente do Conselho de Artes, Ericky Nakanome, entende que o momento é de grande importância em estender a mão ao próximo, porque o Caprichoso levanta a bandeira da solidariedade. “Todas as pessoas que são ligadas ao boi são atores do meio cultural. Essas pessoas, tanto músicos, bailarinos, artistas visuais, estão paradas. Elas dependem financeiramente da festa do boi-bumbá para alimentar suas famílias e viver. Essa é uma ação para amenizar e atenuar essa situação em que as pessoas que dependem do festival estão passando”, declarou. 

Lucinei Carvalho Martins, mãe do marujeiro e cadeirante Railson da Silva Gomes Filho, 11 anos, disse que a ação é gratificante, em meio à crise causada pela pandemia. “A gente nunca imaginava que fosse acontecer isso aqui no Amazonas, em Parintins. Meu filho falou que esse ano ele daria o melhor de si na Marujada de Guerra, vinha com tudo, pois no ano passado ele estava meio nervoso. O Railson é cadeirante, não pode andar, e eu cuido dele como se fosse um bebê. Para mim, ele é tudo e vive muito feliz. Somos muito gratos a Deus e toda família Caprichoso”, destacou.

Juliana Silva dos Santos, filho do paikicé Januário Ferreira dos Santos, que atualmente encontra-se sem trabalhar, reconheceu como uma coisa boa a iniciativa do Boi Caprichoso em fazer doação de alimentos aos empurradores de alegorias. “Enfrentamos essa pandemia e a participação do boi é muito válida em ajudar os paikicés em um momento tão difícil para todo mundo. Meu pai esperava a realização do festival de Parintins para trabalhar e vai ficar feliz em receber essa cesta básica”, ressaltou.

Abrigo e projetos 
    
A primeira-dama do bumbá, Lígia Araújo Lobato, diz que o lado social do Caprichoso vai além das festas e eventos oficiais da associação cultural. “A gente tem o cuidado de poder contribuir com as pessoas, diante das dificuldades que estamos passando. Temos uma parceria com o abrigo de Parintins, onde prestamos assistência às crianças. Claro que nem tudo precisa e pode ser divulgado, porque preservamos a imagem das crianças que ali vivem e até mesmo dos trabalhadores”, informou.

Lígia Lobato explica que a legislação não permite a exposição de quem é acolhido ou atua no abrigo, devido a situação de vulnerabilidade social. “Esse é um projeto que começamos a fazer em parceria com a Prefeitura de Parintins e com o boi contrário. O Boi Caprichoso não abandonou o projeto e realiza visitas periodicamente ao abrigo. Agora, durante a pandemia, visitamos, não chegamos perto das crianças e conversamos com a coordenadora do abrigo. Entregamos cestas básicas para as crianças e cuidadores”, enfatizou.  

A primeira-dama compreende que os projetos não podem parar e esse é apenas o começo de muitas iniciativas que abraçam a comunidade. “Eu acredito que, automaticamente, quando o Jender se envolve sendo presidente do boi, não tenho como ficar só de fora ou do lado, sem fazer nada. Tem muita coisa no boi que quanto mais ajuda é melhor e a gente tem como fazer algo. Estamos acompanhando a entrega das cestas básicas, com o cuidado de poder receber as pessoas, de se preocupar com o ser humano. Cuide das pessoas que você ama, da sua família e fiquem em casa”, pontuou. 

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