Quinta-feira, 26 de Novembro de 2020
Mortes por´Covid-19

Brasil se aproxima das 150.000 mortes por covid-19

O país é o segundo em número de mortes no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, que somam mais de 212.000 óbitos pelo novo coronavírus



show_COVID1_8A89D19F-0DD1-4340-8A70-8187A66BFA6E.jpeg Divulgação
10/10/2020 às 08:18

Quase oito meses após o primeiro caso no país, o Brasil superará neste fim de semana a barreira dos 150.000 óbitos pela pandemia da covid-19, que retrocede lentamente, ao mesmo tempo em que a população acelera o retorno a uma perigosa 'normalidade'.

Com 212 milhões de habitantes, o Brasil acumula 149.639 falecimentos e 5.055.888 contágios, de acordo com números do Ministério da Saúde desta sexta-feira (9). Após o primeiro caso, em 26 de fevereiro, e a primeira morte, em 16 de março, o Brasil viu os números crescerem até superarem um platô de 1.000 mortes diárias por quase dois meses, que começou a ceder em agosto (932) e setembro (752). Nos primeiros nove dias de outubro, a média diária é de 630 falecimentos.



A média de infecções diárias caiu de 40.659 em julho para 30.000 em setembro e 27.200 até agora em outubro.

Os especialistas, porém, acreditam que o Brasil atravessa um momento de platô com números ainda considerados elevados, diferentemente dos países europeus e asiáticos, que, após alcançarem o auge da pandemia, viram uma queda mais drástica nos contágios e mortes.

"Chegamos a ter 55.000 casos por dia, mas continuamos com 27.000. Sim, é possível dizer que caiu mais de 50%, mas é como se você descesse do Himalaia para os Alpes, quer dizer, você continua na montanha", explicou à AFP José David Urbaez, pesquisador da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

"Depois das mortes caírem para 600, ainda haverá um caminho enorme pela frente, com muitas perdas", completou.

Sem plano nacional

Este platô coincide com a reabertura de mais atividades não essenciais, que, segundo os pesquisadores, está sendo feita sem coordenação nacional nem vigilância epidemiológica adequada, o que soma-se ao não cumprimento pela população das medidas preventivas.

"É quase impossível não retomar as atividades" em um país que é testemunha desde março do desaparecimento de mais de 10 milhões de empregos, afirmou o pesquisador Christovam Barcellos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

"O comércio e algumas indústrias são importantes, mas isso deveria ser feito com muito cuidado e a gente observa que, infelizmente, o Brasil não tem uma coordenação nacional de procedimentos dessa retomada", completou, em declarações à AFP.

Desde o início da pandemia, o presidente Jair Bolsonaro bate de frente com governadores e prefeitos, que têm autonomia em temas da saúde.

Bolsonaro rejeitou a gravidade da pandemia e apoiou o retorno à normalidade para evitar o colapso da economia, aparecendo sem máscara em atos oficiais ou ao lado de admiradores.

Essa imagem do presidente, que contraiu a covid-19 em julho, "é terrível para que possamos ter uma ideia unificada do que é a pandemia no Brasil", lamentou Barcellos.

Por conta própria, os governadores e prefeitos colocaram em prática medidas de isolamento social, mas, há alguns meses, autorizam mais atividades como o turismo local, o retorno às aulas e a abertura de bares e restaurantes.

Estão em vigor medidas de prevenção, mas as praias do Rio de Janeiro e de outras cidades, por exemplo, costumam ficar lotadas a cada fim de semana com banhistas sem máscaras, apesar da proibição municipal.

À espera da vacina

Apesar dos erros, os dois especialistas destacam que o sistema de saúde tem conseguido melhorar o atendimento aos infectados e o tratamento dos pacientes em estado mais grave.

"Não sei se o pior já passou porque a gente não sabe o que está por vir, mas certamente tivemos momentos piores do que o atual", analisou para a AFP Jaques Sztajnbok, chefe da unidade de terapia intensiva do Instituto de Infectologia Emílio Ribas de São Paulo, estado líder em mortes por covid-19 no país.

"Muita coisa evoluiu desde o inicio do enfrentamento, então hoje, se a gente for olhar, a taxa de ocupação [da UTI] não é mais de 100%", completou.

O Brasil desenvolve atualmente testes com quatro vacinas contra a covid-19. O governo espera produzir 140 milhões de doses no primeiro semestre de 2021.

Urbaez, porém, aconselha evitar um excesso de otimismo.

"Acredita-se que a vacina resolverá definitivamente o problema e isso é difícil de afirmar", explicou o infectologista, que lembrou da importância de um longo processo para que se tenha uma produção e uma distribuição de sucesso.

Enquanto isso, o Brasil deverá encarar as pressões sobre sua economia, como o resto do mundo. O governo amenizou o golpe com ajudas emergenciais para quase um terço da população.

O FMI, que projeta uma contração econômica de 5,8% em 2020 no Brasil, alerta para riscos "altos e multifacetários", como uma segunda onda da pandemia e uma recessão prolongada.

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