Quinta-feira, 05 de Agosto de 2021
CENÁRIO

Cientistas reforçam necessidade do uso de máscara como barreira contra Covid-19

Pesquisador da Ufam, Henrique Pereira e o epidemiologista da Fiocruz, Jesem Orellana, reforçam a importância do item para tentar conter avanço da pandemia



mascara_4C9F0D51-7539-442C-AE63-41FA20985817.jpg Foto: Reprodução/Internet
17/03/2021 às 15:57

O Brasil bateu o recorde de mortes pela covid-19 em 24 horas com 2.841 mortes oficialmente relatadas, sem mostrar sinais de recuo da pandemia enquanto o país sofre com sistema hospitalar sobrecarregado e vacinação avançando em passos lentos. Enquanto a vacinação não avança, pesquisadores seguem recomendando a utilização da máscara como a principal forma de proteção.

Os dados analisados são da segunda semana de março, e apontam uma resposta positiva das medidas de proteção e isolamento social em Manaus. Porém, a orientação do uso da máscara parece difícil de seguir quando o presidente Jair Bolsonaro despreza o uso e se opõe às medidas de isolamento que alguns estados tentam aplicar, em razão do impacto econômico.

O pesquisador Henrique Pereira é professor titular da Ufam, onde atua como membro da coordenação do programa de pós-graduação em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia. Ele afirma que as medidas de intervenção social são medidas diversas e complementares que se observadas em conjunto se reforçam mutuamente.



"Estamos falando das medidas preventivas que incluem: o distanciamento social (1 a 2 metros entre as pessoas), isolamento social (ou domiciliar, o grupo que coabita evita o contato e a proximidade física com outras pessoas), o uso de máscaras (proteção facial) para evitar a propagação e a inalação das gotículas oriundos da respiração, fala e espirros e que veiculam as partículas virais, a higiene das mãos, objetos superfícies", pontuou.

"Há ampla literatura científica, são publicações em periódicos acadêmicos com relatos de resultados de pesquisas que suportam a eficácia dessa medidas que promovem a redução de novos casos, e consequentemente de internações hospitalares que põem em risco o sistema hospitalar o que provoca a extra mortalidade (pessoas com outras doenças também ficam sem atendimento e morrem) e finamente reduzem a mortalidade por Covid-19 e por outras doenças", assegurou.

Medidas de restrição e impactos em Manaus

Conforme Henrique, houve mais uma redução de 19% na média de novos casos no estado como um todo. "As internações caíram 29%. Com cerca de 41 internações diárias em média no Amazonas, os dados desta última semana ainda são 1,2 vezes maiores que os do início de dezembro. A queda de novos casos pode ser um sinal de que a disseminação e de progressão da doença ainda está em desaceleração, apesar das medidas de flexibilização das medidas de restrição à circulação de pessoas". A proporção de mortes por Covid-19 no total dos sepultamentos em Manaus teve expressiva redução de 43%, correspondendo à 27% do total de mortes registrado hoje.

Embora essas medidas de distanciamento social salvem vidas, também impõem custos significativos à sociedade. "A contração da atividade econômica resultante coloca em risco os trabalhadores de baixa renda vulneráveis, e as avaliações recentes apontam para quedas históricas na produção econômica nos vários setores da economia, com raras exceções, apesar dos estímulos fiscais e monetários".

Henrique conta que o grande desafio é encontrar um ponto de equilíbrio e sobre as opiniões que divergem enormemente. "Vai desde a daqueles que entendem que "a doença deve seguir seu curso", ou seja, não haver intervenção, até aqueles que entendem que deve haver medidas rigorosas com o chamado "lockdown".

Manaus em foco no mundo

Desde o início da pandemia, há um ano, o Brasil somou 268.370 mortes, saldo superado apenas pelos Estados Unidos. Nos últimos sete dias, a média é de 1.573 óbitos em 24 horas, um aumento constante por duas semanas.

Conforme o epidemiologista Jesem Orellana da Fiocruz/Amazônia. "Com o passar dos meses, apareceram publicações que são o que eu chamo de "má ciência", foram publicações que anunciavam a imunidade de rebanho em Manaus, algo que jamais foi aceito pela comunidade científica".

“Historicamente é o governo federal quem conduz as medidas. Hoje o máximo que podemos fazer é esperar o milagre da vacinação em massa ou uma mudança radical no manejo da pandemia. Hoje o nosso país é uma ameaça à humanidade e um laboratório a céu aberto, onde a impunidade na gestão parece ser a regra”.

Vacinação caminha lentamente

O Brasil aplicou a primeira dose em 8,6 milhões de pessoas (4,1% da população), enquanto 2,9 milhões receberam a segunda. As vacinas utilizadas são a CoronaVac do laboratório chinês Sinovac e a sueco-britânica da Astrazeneca / Oxford.

"Estamos acompanhando recordes de mortalidade sendo quebrados, mas dizer que chegamos ao pior da epidemia, com a experiência que tivemos em Manaus, é difícil de sustentar. Felizmente as estatísticas de cobertura vacinal têm sido amplamente divulgadas pela imprensa apesar de ser uma competência do governo. Estamos vivendo um momento sem rumo na gestão da epidemia", completou Jesem.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.