Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2021
PANDEMIA

Clima de medo, tensão e aflição nos municípios com o Coronavírus

Com 461 casos espalhados em 27 municípios, vírus já chega a quase metade das cidades do Amazonas; moradores relatam as medidas e as preocupações diárias



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22/04/2020 às 06:00

Moradores de municípios do interior com maior número de casos confirmados de Covid-19 contaram conviver com clima de tensão, medo e aflição com a pandemia em suas cidades.

Em Manacapuru (a 86 quilômetros de Manaus), que registra 218 casos e 12 óbitos, segunda o último boletim epidemiológico da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), a aflição pela perda de amigos e ex-alunos contrasta em paralelo com o desrespeito das pessoas que insistem em desrespeitar o isolamento decretado pelo Governo do Estado.



“Aqui em Manacapuru o clima é de aflição, medo e tensão a cada atualização dos dados para a maioria das pessoas. Já perdemos pessoas conhecidas, amigos e ex-alunos. Hoje mesmo o irmão de uma colega professora morreu de Coronavírus e há probabilidade de alta de casos”, comentou o professor Erivan Barboza.

Ele observa que na “Terra das Cirandas” muitas pessoas vêm desrespeitando o isolamento social. “O que se vê são muitas pessoas nas ruas e a impressão que eu tenho é ser sem necessidade. Sem máscaras, filas quilométricas nas agências bancárias, ninguém respeita as recomendações dos órgãos de Saúde, OMS, para a questão do distanciamento, por exemplo”, diz ele, afirmando que os manacapuruenses “estão tendo que aprender a ter consciência pela dor da perda de vidas".

ITACOATIARA

Nesses dias de pandemia e pânico, Itacoatiara (a 110 quilômetros de Manaus), com 39 casos e 1 morte, não se distingue das demais cidades afetadas pela contaminação do Covid-19, analisa o jornalista, publicitário e professor de Ensino Religioso e Artes, Alexandre Rocha.

“Aqui estamos todos, ou pelo menos os mais conscientes da gravidade e periculosidade de contágio, em casa. Os serviços de delivery de supermercados, restaurantes, drogaria e até padarias tem funcionado muito bem. Pelo menos não tenho o que reclamar, tenho feito minhas compras por telefone ou por internet e sou atendido. A única coisa que me preocupa é a aparente falta de informação real de como estão as situações de contágio e o que o poder público está fazendo para garantir minimamente a segurança da população. Somente o Executivo tem se pronunciado, mas o legislativo está calado e silencioso. O que é muito incomum”, declara o mestre.

Segundo ele, a população de baixa renda, principalmente aquelas que tinham nas escolas uma mínima garantia de alimentação para seus filhos, tem sofrido mais. “A notícia de que as escolas estaduais irão distribuir a merenda escolar para as famílias necessitadas de cada escola respectivamente é um alívio para muitos, espero que não demore”, ressalta.
Alexandre Rocha disse que, “pela falta de informações não politizadas o medo é companhia constante, infelizmente não sabemos no que e em quem acreditar. Esse pandemônio midiático, em meio a pandemia, só provoca um pânico desnecessário”.

IRANDUBA

Na cidade de Iranduba (a 68 km da capital) a sensação é de medo, disse para A CRÍTICA a enfermeira Rosângela Menezes, que atende pacientes infectados com o letal vírus. O município tem 37 casos e 3 mortes confirmadas.
 “Sim, temos medo porque estamos na linha de frente e estamos vendo q nosso trabalho está sendo em vão. Aqui em Iranduba parece que a ficha ainda não caiu. Há filas em bancos, o fim de semana foi de feira lotada parecendo um dia comum mesmo com as determinações da secretaria de saúde e prefeitura. Antes de começar tudo isso o primeiro caso e até mesmo quando teve o primeiro caso em Manaus a secretaria já havia iniciado o plano de ação pra prevenir o Covid-19  mesmo com muitas críticas de pessoas  e políticos”, explica ela.
Pedindo desculpas à reportagem pelo desabafo, ela comentou que “quando acontecer o pior a população vai culpar todo mundo, menos a si mesmo”.

MAUÉS
Em Maués, que aparece em quinto lugar em número de casos com 28 registros e 2 mortes, a professora Eloiza Martins, 35, diz ter “medo da pandemia até porque tenho em casa pessoas idosas e que correm risco de morte”.

“A situação aqui em Maués está difícil, só aumenta a cada dia. Mas a culpa é da população que não leva a sério. Hoje saiu um primo meu do hospital: ele foi a primeira cura de Covid-19 aqui no município. Eu estou tomando todos os cuidados”, salienta a professora.

Também moradora de Maués a auxiliar de serviços gerais Simone Pena disse que a prevenção esbarra na teimosia da população.
“Aqui o prefeito e o secretário da saúde estão fazendo o impossível para combater a pandemia, mas a população é muito teimosa. Muitos acham que é mentira e não querem usar máscaras. Temo pela saúde de quem precisa realmente sair pra trabalhar”, explica ela.

PARINTINS

O medo impera na Ilha Tupinambarana, conta a moradora Rayane Azevedo. “O clima aqui é de medo né, pois alimentam cada vez mais os casos”, declara ela sobre a cidade com 35 casos e 3 mortes registradas por Coronavírus.

Apesar de falar que “Parintins está  totalmente parada nesta quarentena com algumas coisas só funcionando e os bares em delivery” e das pessoas ficarem “entediadas dentro de casa por não poderem sair mesmo se prevenindo de máscaras por medo de pegar esse maldito vírus”, ela fala que nem todos respeitam o toque de recolher decretado pela prefeitura local de 18h às 6h.
“Tem muita gente que não obedece o toque de recolher. Ficam na rua por aí”, reclama ela.

Estado dá suporte, informa Susam

Para dar suporte aos municípios, a Susam tem realizado visitas técnicas, auxiliando na elaboração de fluxos de atendimento e disponibilizando ambulâncias com suporte de UTI quando o acesso terrestre é possível, como em Iranduba, Manacapuru e Itacoatiara.

Além disso, para Manacapuru o Governo do Amazonas enviou no último domingo (19) respiradores, bombas de infusão, monitores multiparamédicos e montou salas de Unidades de Cuidado Intermediário (UCI) para que o município possa estabilizar quadro de pacientes mais graves, até que se providencie a transferência deles para Manaus. O Governo também entregou, na última semana, mais de quatro toneladas de insumos, EPIs e medicamentos para Manacapuru.

Itacoatiara já recebeu monitores multiparamédicos do Governo do Amazonas e outros itens serão encaminhados para o município a medida que chegarem os pedidos feitos aos fornecedores. O Governo também vai reforçar a equipe médica com a contratação de médico e enfermeiros intensivistas em Itacoatiara e Manacapuru.

Iranduba também recebeu equipamentos como o respirador mecânico, e também conta com o suporte técnico da Susam e remoção por ambulância com UTI.

RECURSOS

O Governo do Amazonas também liberou para os municípios R$ 23 milhões do Fundo de Fomento ao Turismo, Infraestrutura, Serviços e Interiorização do Desenvolvimento do Amazonas (FTI). O recurso deve ser usado pelas prefeituras para o reforço das ações de enfrentamento ao novo coronavírus, sendo R$ 733 mil para Manacapuru, R$ 773 mil para Itacoatiara e R$ 515 mil para Iranduba.
A lista completa de divisão de recursos pode ser conferida no link: https://drive.google.com/file/d.

Debate em Parintins

O defensor público Gustavo Cardoso se reuniu, em Parintins, com representantes da Vigilância Sanitária, Polícia Militar, Caixa Econômica Federal e loterias, nessa sexta-feira, para estabelecer um fluxo de atendimento que respeite o protocolo de segurança em saúde. Segundo o defensor, foi observado que as aglomerações no entorno da agência da Caixa acontecem por conta da busca de atendimento diante do Auxílio Emergencial de R$ 600 ofertado pelo Governo Federal.

“Não é toda a população de Parintins que tem acesso à internet, então, muitos estavam buscando a Caixa para fazer o cadastro no Auxílio Emergencial, sendo que o banco não faz esse serviço. Nesse sentido, oficiamos a Prefeitura para que seja oferecida estrutura para o cadastramento dos cidadãos que estão aptos a receber o Auxílio, bem como a consulta ao cadastro”, explicou o defensor.

O acesso à área interna da agência da Caixa já estava limitado, seguindo as recomendações de prevenção ao Coronavírus. Para reduzir a chance de aglomerações no entorno do prédio, diariamente, será distribuída uma quantidade de senhas de atendimento limitada. Além disso, a comunicação com os clientes na área externa também vai passar a contar com serviço de som, facilitando a organização do fluxo de pessoas.

Repórter de A Crítica

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