CENÁRIO

Combinação de ômicron e baixa vacinação preocupa interior do Amazonas

Auge para esses novos casos têm sido janeiro, sendo que nesta terça-feira (19) foram 2.494 casos apenas no interior, nas últimas 24h

Waldick Júnior
18/01/2022 às 23:16.
Atualizado em 08/03/2022 às 16:08

(Foto: Reprodução)

Assim como a capital Manaus, os municípios do interior do Amazonas veem os casos de Covid-19 subir desde novembro, mês que marca o período de síndromes gripais motivadas pelas chuvas. O auge para esses novos casos têm sido janeiro, sendo que nesta terça-feira (19) foram 2.494 casos apenas no interior, nas últimas 24h, o maior número desde o início desta nova onda de covid-19.

“Estamos trabalhando em um plano de contingência para essa nova variante e esse trabalho inclui fluxos internos do nosso hospital, bem como a descentralização dos atendimentos nas unidades básicas de saúde. Fato é que a ômicron é muito transmissível, mas a maioria dos casos tem sido considerada leve”, disse Rodrigo Balbi, secretário municipal de Saúde de Manacapuru. 

O município atualmente está com 45,1% da população com esquema vacinal completo (incluindo a terceira dose) e 73,2% com duas doses. No ranking de mortes pela doença no interior, fica em primeiro lugar, com 409 óbitos, a grande maioria nas outras duas ondas da doença.

  

Internações

Até esta terça havia 70 leitos clínicos ocupados para covid-19 no interior. Outros 795 estavam livres, voltados a pacientes de baixa complexidade. As Unidades de Cuidado Intermediário (UCI), inferiores à UTI, estavam todas livres, segundo a Fundação de Vigilância em Saúde. Ou seja, havia 158 dessas unidades livres para receber pacientes com covid-19, no interior.

 Reunião 

No contexto de alta de casos de Covid-19 em Manaus motivados pela variante Ômicron em conjunto com o período chuvoso, o governador Wilson Lima (PSC) se reuniu com 30 prefeitos do interior do Estado. O objetivo do encontro, que aconteceu nesta terça, foi entender como está o cenário da pandemia nos municípios, principalmente na vacinação.

Segundo o prefeito de Autazes Andreson Cavalcante (PSC), do mesmo partido do governador, o Estado se colocou à disposição para ajudar no avanço da imunização no interior.

“Destaco a boa vontade do governo em ajudar as prefeituras a alcançar a meta vacinal. Se colocaram à disposição, com pessoal, transporte, a estrutura do governo em favor da imunização”, afirmou o prefeito.

No interior, a maioria das secretarias municipais de saúde tem enfrentado dificuldades na vacinação em decorrência das altas distâncias que muitas vezes precisam ser percorridas por barco. O negacionismo também é um forte fator, embora as vacinas sejam aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

“Eu chamei aqui os prefeitos para que a gente pudesse entender algumas limitações que estão dificultando esse processo de vacinação, para que a gente possa avançar e também dar condições à população de fazer testagem”, disse o governador Wilson Lima, durante coletiva. 

Baixa vacinação

Segundo o governador, 22 municípios do Amazonas estão abaixo de 50% na taxa completa de imunização (incluindo a dose de reforço). Estão entre os piores, Tabatinga (22,4%), Ipixuna (22,4%) e Santa Isabel do Rio Negro (27%). 

Porém, o dado é ainda maior quando se considera os municípios com a vacinação em taxa abaixo de 75%, nível considerado ideal por especialistas. Nesse caso, estão em baixa 61 dos 62 municípios do Estado, incluindo Manaus (65,7%). O dado se refere à população total (somando quem pode e quem não pode se vacinar).  

Os números acima são da Fundação de Vigilância em Saúde Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) divulgados nesta terça. As porcentagens são fornecidas pelas secretarias municipais através de formulário eletrônico, mas podem estar desatualizados, já que, segundo secretários e a FVS, há dificuldade de internet no interior para preencher os dados.

O baixo número de vacinação já havia sido noticiado por A Crítica em 17 de dezembro, antes de a ômicron ser registrada oficialmente no Amazonas e os casos de covid-19 explodirem na capital e no interior do Estado.

14 transferidos por mês

As Unidades de Terapia Intensiva (UTI) são uma das principais formas de atendimento a pacientes que evoluem para a forma grave da doença. Em Manaus, há 596 UTI ‘geral’ e 112 específicas para Covid-19. Porém, quando se trata do interior, apenas Parintins possui unidades do tipo, 11. 

No caso do município citado, os leitos atendem a população do Baixo Amazonas, em especial pacientes oriundos dos municípios de Nhamundá, Barreirinha, Boa Vista do Ramos e Maués, segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM). 

Logo, os cuidados de alta complexidade ainda estão concentrados em Manaus, o que faz com que o governo estadual precise transferir pacientes via UTI aérea. Atualmente, em média, 14 por mês, segundo a SES-AM. 

Para tentar minimizar esse cenário e descentralizar o atendimento a casos graves na capital, o governo do Estado pretende inaugurar novos leitos de UTI em Humaitá, Lábrea, Tabatinga e Tefé, municípios considerados ‘polo’ de seus vizinhos.

A SES–AM, por meio de nota, ressalta que cresceu em 500% a quantidade de Unidades de Cuidados intermediários (UCI), utilizadas para estabilizar pacientes que precisam de suporte respiratório, mas que não chegam à aparelhagem complexa da UTI. 

“Durante a gestão estadual atual, o número de UCIs saiu de 33 para 198 UCIs”, informou a Secretaria de Estado de Saúde.

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