Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2021
Pandemia

Centro lotado na reabertura do comércio em Manaus

Mesmo com medo do aumento no número de casos de Covid-19, os consumidores voltaram a frequentar os centros comerciais na manhã desta segunda-feira (22)



1d442e3a-7255-463a-b619-0d1bd9cb56e3_4D8977B3-98C6-41A7-9CCC-E62813C15A32.jpg Movimentação no Centro de Manaus no primeiro dia de flexibilização das atividades comerciais. Foto: Junio Matos
22/02/2021 às 13:55

Apesar da retomada das atividades do comércio de Manaus, liberado para funcionar a partir desta segunda-feira, das 9h às 16h, muitos consumidores que foram ao centro da cidade demonstraram preocupação com uma possível terceira onda da Covid-19. Eles estão apreensivos quanto à possibilidade da reabertura do centro comercial provocar o aumento de casos da doença.

Ainda assim, os lojistas, vendedores e ambulantes que atuam em tradicionais pontos de venda do centro, como a rua Marechal Deodoro, não mediram esforços para atrair clientes. Alguns recorriam até a tradicional “bate palma” e abordagem nas ruas para chamar a atenção dos consumidores.



A vendedora ambulante Daiana Teixeira dos Santos,35, já atua na área há cinco anos. Durante esse período, agora, durante a pandemia de Covid-190 foi a primeira vez que precisou suspender as vendas de roupas íntimas e vestimentas infantis. “ Esse tempo que fiquei parada foi muito difícil porque só dependo daqui. A gente não tem outro meio de ganhar dinheiro. Ninguém esperava, achávamos que eram apenas 15 dias e voltaria tudo ao normal. Pra mim foi muito bom reabrir, só do fato de abrir já é uma melhora. Tive muito prejuízo porque muitas mercadorias foram danificadas. Mas, isso a gente recupera depois, vamos vê agora com as vendas”, disse.

O proprietário de uma banca de café, instalada na Rua Lauro Cavalcante, Ozeias Oliveira, 44, disse que teve muitos prejuízos com a interrupção das atividades comerciais no centro. “Eu tinha 16 pessoas que trabalhavam comigo, tirei seis pessoas. Hoje, elas estão chorando para poder voltar, pedindo um arroz, um macarrão para poder sobreviver e a gente ajuda da melhor forma que dá. Agora, com essa reabertura teremos um fôlego a mais, talvez ate possa vir a chamar o pessoal de volta. Porque a economia depende da gente, se não o Brasil quebra e ai?”, disse o comerciante.

Para o comerciante, a possibilidade de uma nova onda, supostamente provocada pelo retorno das atividades depende dos próprios comerciantes e consumidores. “ Se todo mundo obedecer não vai ter terceira onda. Agora, as pessoas têm que ter consciência e trabalhar organizado, com álcool em gel, máscara, luva, o padrão para manter a segurança dos clientes e a nossa também. Se todo mundo obedecer não vai acontecer isso”, disse.

Consumidores

Mas, o comportamento de alguns consumidores que antes era de olhar em cada loja em busca de promoções, parece ter mudado com a pandemia. Muitos andavam apressados, com medo de esbarrar nos vendedores e em outros clientes que estavam circulando pela rua. “Ainda não acabou, né?? Só aliviou. Eu tenho medo de vir aqui. Eu vim porque realmente tinha que vir resolver as coisas aqui. Mas, por mim, preferia ficar em segurança”, disse a dona de casa Valdelice Meire França.

O autônomo Moisés dos Santos,30, “ Achei bom, porque a gente se movimenta né?? Mas tem que ter cuidado, usar álcool em gel e máscara. Não pode descuidar porque se não volta tudo de novo”, disse

O agricultor Adriano Araújo disse que pretende sair apenas quando necessário de casa para ir ao centro de Manaus. “Uma parte é bom para gente poder comprar. Mas, é preocupante. A gente precisou sair para comprar as coisas que a neném tá pra nascer. Mas, a gente anda prevenido, com máscara e usando álcool e gel. Eu fico preocupado para não votar a doença e a pandemia começar a aumentar. Eu acho que pode até aumentar, mas se as pessoas se prevenirem, não vai”, disse o agricultor.

Shoppings

Os shoppings centers da cidade também voltaram a funcionar nesta segunda-feira, das 10h às 16h, , com delivery de 8h às 17h, e drive thru de 10h às 17h. Para acessar os estabelecimentos, o consumidor só  pode entrar se estiver usando máscara. Antes de entrar nos prédios tem a temperatura aferida e recebe borrifadas de álcool na porta. Nas lojas há também a oferta de álcool em gel para os clientes.

No Manauara Shopping, o consumidor que entrar no shopping de carro continuará sem manter contato com a máquina de ticket. Apensa aproxima a mão para manter o contato e retirar o comprovante do estacionamento. E, segundo a direção do shopping, todas as escadas rolantes recebem constantemente a limpeza e desinfecção automática UV-C nos corrimões.

Para os lojistas, a retomada das atividades é um alívio. “ Eu espero que a gente consiga retomar nosso fluxo de vendas. Mais, sei que essa retomada será devagarinho, porque muitas pessoas estão com receio de sair de casa. E a gente espera que venha a melhorar e que a doença em si diminua. Com a vacinação vai tudo melhorar. E tomamos todos os cuidados com os clientes. Esperamos que todos tenham consciência de se cuidar”, disse a a proprietária do quiosque de produtos naturais, Graça Santos.

Graça não esconde que teve prejuízos com a suspensão do funcionamento. “ Tive mais de R$ 3 mil em prejuízos com mercadorias que são perecíveis. Ficamos dois meses parados temos funcionários e precisamos continuar pagando. Perdemos devido a época que era fim do ano e o início do ano que é época de promoções. Mas, vamos voltar com toda a confiança de que as coisas irão melhorar”, disse.

Para o gerente de uma loja de vendas de calçados e bolsas, Adan Ponce, o retorno das atividades era muito aguardado, mas a loja já está tomando as medidas preventivas para evitar o contagio. “Nós vamos voltar ao presencial, mas vamos manter o drive-thru e delivery. Porque nem todos os clientes estão dispostos a se expor no shopping. Para melhor atender a todo o público”, disse o gerente.

O gerente disse que durante o período de fechamento houve impacto e prejuízos com a falta da venda presencial. “Mas, não ficamos parados, apostamos no drive-thru e as vendas pelas redes sociais e conseguimos nos manter sempre em funcionamento”, disse.


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