PANDEMIA

Coronavírus: atletas amazonenses que atuam na Europa adotam precaução

'Longe de casa', jogadores barés são impactados com competições adiadas. Alguns clubes também paralisaram treinos

Leonardo Sena
14/03/2020 às 16:25.
Atualizado em 10/03/2022 às 10:36

(Foto: Reprodução)

O novo ano trouxe um novo problema de saúde que ultrapassou fronteiras continentais. Nesta semana, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou estado de pandemia para o novo coronavírus, o SARS-CoV-2 - sigla em inglês para ‘síndrome severa aguda respiratória de coronavírus 2’. Denominada de Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus apresenta como sintomas tosse seca, cansaço, febre e falta de ar e, em alguns casos, até diarreia. 

Até o fechamento desta reportagem, na sexta-feira (13), 3,7% dos casos terminaram em mortes - foram 5.088 ocorrências fatais de 137.066 casos no planeta. A China, epicentro do vírus que surgiu em dezembro de 2019, viu 3.180 mortes (dados da OMS). Já no Brasil, onde a doença chegou há menos tempo, não houve nenhuma vítima fatal. Porém, nada indica que brasileiros estejam a salvos, afinal, os casos crescem e já passam de 100.

E se quem está em solo brasileiro não está seguro, há ainda os brasileiros que estão em solo estrangeiro - alguns deles, em locais onde a propagação do novo coronavírus é alarmante. Temendo por mais infectados, a OMS interveio em eventos esportivos e junto com as entidades responsáveis, interrompeu competições e treinos diversas modalidades em todo o mundo.

Paralisação no esporte

E com amazonenses ganhando a vida com o esporte ‘longe de casa’, alguns talentos barés foram afetados pela pandemia. Querendo entender mais a situação de quem está em outro país, o CRAQUE entrou em contato com Marcelinho, atacante do Ludogorets, da Bulgária, e seu irmão, Gustavo, que está nos Estados Unidos aguardando por propostas; Lima, ex-jogador da Roma e que hoje estuda o esporte da bola redonda em Lecce, sul da Itália; e Matheus ‘Maradona’, que atua no Moura Atlético Clube, de Portugal.

Na Bulgária há praticamente uma década, Marcelinho é ídolo no Ludogorets. Foto: Acervo pessoal

Dos que estão em atividade, todos tiveram as competições paralisadas. Marcelinho, inclusive, estava em trânsito junto com o restante do elenco do Ludogorets rumo a Sofia, capital búlgara, para enfrentar o Levsk. Com a partida adiada, os atletas retornaram à cidade e, consequentemente, ao resguardo de casa. “Estávamos no meio da viagem para lá e tivemos que voltar. Parou tudo até o dia 13 de abril. Provavelmente os treinos serão suspensos também”, explicou o manacapuruense.

Seu irmão Gustavo, também de Manacapuru e que jogou em Portugal durante um período, no momento aguarda proposta de clubes nos Estados Unidos, outro país que apresentou casos do novo coronavírus em escala considerável. Foram 41 mortos até sexta-feira. Já Matheus Maradona, assim como Marcelinho, sofre impactos da paralisação de competições e treinos no Moura, em Portugal.

Após jogar na Síria, Matheus 'Maradona' está em Portugal, onde as competições foram paralisadas. Foto: Acervo pessoal

“A situação está bem controlada até então, e espero que continue assim. Mas as atividades esportivas foram todas suspensas por medida de precaução até o dia 23 de março. O treino, por exemplo, parou na sexta-feira e deve voltar na quarta-feira, dependendo de como vai estar a situação”, contou Maradona, que tem evitado aglomerações como medida de prevenção.

“Estou ficando mais em casa, saio mesmo somente quando é necessário, para comprar comida ou algo do tipo. Mas a maior parte do dia é em casa mesmo. Apesar da cidade em que eu estou não ter registrado nenhum caso desse vírus, é sempre bom se precaver”, completou o jogador amazonense, que no retorno terá desafios com o time pela terceira divisão nacional e na Taça de Portugal.

Preocupação italiana

Dentre os impactados pelo novo coronavírus, Lima, o maior jogador amazonense de todos os tempos. Morando na Itália, o ex-jogador da Roma e ídolo do clube hoje vive em Lecce, sul do país. Fazendo cursos para tirar as licenças necessárias para ser técnico, o volante também é embaixador do clube italiano e realiza partidas beneficentes com outros ex-jogadores da La Lupa (apelido da Roma em alusão à loba que aparece no escudo).

Ídolo da Roma, Lima vive no segundo país com mais casos do novo coronavíruas. Foto: Acervo pessoal

“No momento, está tudo parado. O ministro da saúde já deu uma entrevista dizendo que estabelecimentos ainda estarão fechados nas próximas semanas. Os últimos jogos, antes da paralisação, aconteceram com portões fechados. Mas até que as pessoas estão tranquilas”, detalhou Pifó (como era chamado no início da carreira).

O ex-volante acredita que a propagação do vírus pela Itália se deu muito por conta da presença de comunidades chinesas no país. “A maior parte das vítimas fatais são idosas. Pelo menos por aqui. E o país está sendo mais afetado porque há muitos chineses. Milão tem uma colônia de chineses, assim como em Roma”, afirmou o amazonense, que mora em Lecce, cidade que ainda não teve nenhum caso.

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