Domingo, 26 de Setembro de 2021
COLAPSO

Corpos são enterrados em valas coletivas no maior cemitério de Manaus

Imagens das valas coletivas circularam ontem nas redes sociais e aplicativos de mensagens. A imprensa está proibida de acessar o espaço.



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21/04/2020 às 19:24

Valas coletivas estão sendo cavadas para enterras pessoas no cemitério Nossa Senhora Aparecida, o maior de Manaus, para atender a alta demanda de óbitos por Covid-19 na capital amazonense. Imagens das valas coletivas circularam ontem nas redes sociais e aplicativos de mensagens. A imprensa está proibida de acessar o espaço.

Em nota ao A CRÍTICA, a Prefeitura de Manaus informou que, devido ao grande aumento no número de sepultamentos realizados no cemitério público localizado no bairro Tarumã, Zona Oeste, a Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp) adotou o sistema de trincheiras para realizar o enterro das vítimas de Covid-19. 



"A metodologia, já utilizada em outros países, preserva a identidade dos corpos e os laços familiares, com o distanciamento entre os caixões e com a identificação das sepulturas. A medida foi necessária para atender a demanda de sepultamentos na capital", afirmou.

Ontem, duas câmaras frigoríficas foram instaladas no local para dar mais agilidade nos enterros.  De acordo com a prefeitura, as câmaras estão sendo utilizadas para o armazenamento dos caixões, enquanto os familiares aguardam o momento do enterro, sem a necessidade do veículo do SOS Funeral ficar aguardando a liberação, já podendo retornar à base para novo chamado.

Outra medida adotada pelo Município nesta semana, portanto antes do início do uso de covas coletivas, foi a restrição de acesso ao local - o número de familiares e carros ficou limitado. A imprensa ficou proibida de acessar o espaço.

O jovem Adam Wesley reclamou da restrição de acesso. Ele foi participar do sepultamento de um familiar que não morreu de Covid-19 na segunda-feira e foi surpreendido pela informação. "Aqui quem tá morrendo de causas naturais só podem cinco pessoas e dois carros (entrar para participar do enterro)", disse. "Tá errado isso aí. Eles têm que rever isso aí para que  não aconteça com outras famílias. A gente veio do interior, a gente veio de fora (para o sepulmanto). E eu chegar aqui para ser barrado e pegar chuva", reclamou.

Em nota, Secretaria Municipal de Comunicação (Semcom) justificou que a medida restritiva se deu  devido "aos consecutivos conflitos entre familiares e a imprensa". "O acesso ao local está restrito às famílias que forem enterrar os seus entes queridos, na quantidade máxima de cinco pessoas, conforme o Decreto nº 4.801, de 11 de abril de 2020, publicado no Diário Oficial do Municipal (DOM)", afirmou, embora a proibição de acesso só tenha sido efetivada nesta semana.

"A medida visa preservar a privacidade das famílias enlutadas e também considera o risco de propagação do novo coronavírus", completou a Semcom.

Suporte

E nesta terça-feira, em parceria com a Nasser Engenharia, a prefeitura disponibilizou também um contêiner escritório para dar suporte a servidores e familiares das vítimas da Covid-19 que forem enterrar seus entes queridos no Tarumã.

A unidade, intermediada pelas secretarias municipais de Parcerias e Projetos Estratégicos Estratégicos (Semppe) e da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc), foi instalada à tarde.

O contêiner funcionará como um escritório do serviço do SOS Funeral para administração de corpos que chegam para sepultamento no cemitério e contém banheiro e condicionador de ar. A estrutura foi cedida pela empresa à prefeitura por tempo indeterminado e sem custos ao erário público.

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