Efeitos Colaterais

Covid-19 esvazia ruas e estabelecimentos do Centro de Manaus

Área comercial de Manaus sofre queda nas vendas depois de risco do novo coronavírus afugentar clientes

Karol Rocha
20/03/2020 às 09:00.
Atualizado em 10/03/2022 às 10:31

(Devido risco do Covid-19, consumidores estão mais isolados em casa. Fotos Euzivaldo Queiroz )

A movimentação de consumidores no Centro de Manaus tem diminuído consideravelmente devido ao risco de transmissão do novo coronavírus (Covid-19). As principais avenidas da área comercial como Eduardo Ribeiro e Marechal Deodoro, mais conhecido como “bate-palma”, mostram apenas o esforço de comerciantes que mesmo de máscara e abastecidos com álcool em gel fazem de tudo para chamar a atenção de qualquer transeunte que passe pelas vias.

“A venda já estava complicada. E como sabemos, o Brasil só volta à normalidade depois do Carnaval e até eu achei que ia melhorar, porém com o desespero do mundo por conta do vírus, a venda caiu de 80% a 100%”, comentou a gerente comercial de uma loja de roupas, Socorro Oliveira, de 52 anos.

A expectativa, segundo a gerente, é de que as coisas melhorem apesar da queda nas vendas dos produtos. “O que nós esperamos é que o Governo Federal tome alguma atitude porque a ponta do iceberg cai para o lado mais fraco que é a do trabalhador”, comentou.

Na loja de calçados em que trabalha o supervisor de vendas, Daniel Araújo, 30, afirmou que um esquema de trabalho foi reformulado em atenção à saúde e ao baixo volume de clientes. “O nosso movimento está bem fraco e esse surto da epidemia tem afetado o mercado”, comentou. “Durante o tempo que tenho trabalhado no comércio é a primeira vez que vejo as vendas caírem tanto, porque não entra cliente na loja”, acrescentou.

“Como forma de prevenção e queda das vendas, temos trabalhado em dois horários com equipes diferentes. Cinco funcionários vêm pelo período da manhã, das 8h às 14h, e outro grupo vem pela tarde e fica das 14h até as 18h30. Em dias normais, ficam doze funcionários trabalhando durante todo o dia”, completou Araújo.

O representante de loja, Jefferson Souza Pimentel, 27, contou que precisa se esforçar o dobro para conseguir clientes para os centros comerciais. A função dele é chamar a atenção do cliente com a mercadoria e encaminhá-lo até as loja situadas nas dependências da galeria de compras.

“Tem duas semanas que a movimentação é baixa e isso é por conta do alarde da epidemia. Para você ter uma ideia, em dias normais, a gente consegue levar 100 clientes, por dia, para a loja. Ontem, levei apenas 20 clientes”, lamentou. 

Sem opções

Por outro lado, apesar do pouco movimento, alguns consumidores destacam a necessidade de ir ao comércio porque precisam resolver pendências, como foi o caso da vendedora, Noely Pimentel, 45. “Estava resolvendo um problema no banco e inclusive pedi folga para resolver isso. Não tenho como me ausentar e ficar em casa por conta do trabalho. Não tem jeito, é algo que a gente precisa”, explicou.

Tirar abono salarial (PIS/PASEP) era o objetivo da funcionária de serviços gerais, Maria Sonia Viana, 36, que veio do distrito de Cacau Pirêra, no município de Iranduba (a 27 quilômetros a sudoeste de Manaus). “Vim no Centro apenas para isso e as loterias estão todas fora de sistema. Creio que se tiver que pegar cononavírus, eu vou pegar. Mesmo mascarado e utilizando álcool, as pessoas ficam doentes. Agora, não vou deixar de sair de casa por isso”, disse.

Já a doméstica Elizete Mariano, 43, fazia “hora” pelo bate-palma enquanto aguardava um parente vindo do interior. Em frente a uma loja de calçados, ela conferiu o produto de perto. “A gente não pode ficar em casa com medo. Se tiver que morrer, vamos todos morrer”, afirmou.

Outra pessoa que não se importa muito com epidemia mundial é a auxiliar de serviços gerais, Osvaldina Lima do Nascimento, 56. Ela, vinda do Manaquiri (distante 60 quilômetros de Manaus), explicou que veio para sacar o abono salarial e enquanto isso escolhia uma sombrinha para continuar o percurso. “Eu não sou do grupo de risco, então estou mais aliviada. Eu tenho muita fé em Deus”. Questionada pela reportagem se utilizava álcool gel, ela reforça: “Carrego a palavra do Senhor na minha bolsa”, finalizou.

Feirantes evitam usar máscaras

Na manhã de ontem, poucos permissionários da feira da Manaus Moderna, na Zona Centro-Sul, utilizavam máscaras  ao tratar com clientes e manusear alimentos como prevenção ao Covid-19. O vendedor de peixes Fredson Carmo dos Santos, 44, decidiu “tapar o rosto” para resguardar a própria saúde. “Cuido de mim em primeiro lugar”, afirmou.

Uma reunião com a unidade gestora da Manaus Moderna sobre os procedimentos que deverão ser adotados pelos feirantes está marcada para a tarde de hoje. O açougueiro Valcenir Ferreira Cruz, 42, ainda não havia aderido à máscara, já que “são alimentos que precisam ser preparados”, mas tem evitado contato próximo com a clientela.

O auxiliar de serviços gerais da Manaus Moderna Davi Barão, 24, disse que começou a usar máscaras logo que soube do primeiro caso confirmado do novo coronavírus no Amazonas, divulgado na sexta-feira passada. “Vou continuar trabalhando até que determinem a paralisação das atividades”, afirmou. E ao contrário do que ele informou à reportagem, não foram identificados pontos de higienização com álcool em gel na feira.

O vendedor Joel Cristian Mendonça, 24, redobrou os cuidados para evitar o contágio pelo Covid-19 e só sai de casa protegido. A loja de bijuterias em que trabalha, no Centro, disponibiliza os itens básicos para a proteção dos funcionários.

*Colaborou o repórter Daniel Amorim. 

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