Terça-feira, 24 de Novembro de 2020
Cuidados

Covid-19: grávidas têm maior risco de quadros graves e infecções

No Amazonas, de março até outubro deste ano, foram 371 grávidas que testaram positivo para a Covid-19, sendo 12 mortes, de acordo com balanço da FVS-AM



gr_vida-covid19_64A32715-B90D-41C1-8198-11E1170B2F31.jpg Foto: Divulgação
19/11/2020 às 20:16

No Amazonas, de março até outubro deste ano, 371 grávidas testaram positivo para a Covid-19, sendo 12 mortes. Além disso, foram 119 casos confirmados em mulheres puérperas, que são aquelas que acabaram de ter o filho, entre essas 9 óbitos. Os dados são da Fundação de Vigilância Em Saúde (FVS-AM).

Logo no início da pandemia, o Ministério da Saúde classificou mulheres grávidas, puérperas, e em situação de pós-aborto como grupo de risco para a covid-19. Em consequência disso, muitas grávidas foram afastadas de suas atividades. Recentemente as medidas de isolamento têm sido reduzidas e muitas gestantes relaxaram as medidas de isolamento.



Camila Souza, 21, é do município de Coari, a 363 km de Manaus. Durante o mês de junho, Camila estava gestante quando foi infectada com a covid-19. Segundo ela, foram os momentos mais apreensivos da gestação.

“Fiz de tudo para me proteger desse vírus durante a minha gravidez, infelizmente não consegui, quando eu estava no meu 6º mês de gestação testei positivo para a covid. Passei muito mal, fui para o hospital diversas vezes. Minha pressão baixou muito e tive muita falta de ar. Não perdi o meu bebê, graças a Deus conseguimos sobreviver”, afirmou.

Segundo o infectologista Marcelo Mendonça, o que temos de mais recente relacionado à covid-19 e gravidez é que essas mulheres têm riscos maiores quando comparadas a mulheres da mesma faixa etária não gestantes, mesmo em gestações de baixo risco.

“Os principais motivos são os sistemas de defesa que, durante a gestação, fica afetado e as alterações próprias da gravidez. Além disso, não temos observado uma redução significativa de casos em gestantes que justifique a retomada de uma rotina igual ao período pré-pandemia", disse o infectologista.

Mudanças pós-pandemia

Após a pandemia, surgiram várias medidas de prevenção. Alguns médicos passaram a aumentar o período de intervalo entre consultas, priorizar o atendimento às gestantes deixando as recepções dos consultórios mais vazios; atendimento por telemedicina, junção de exames para datas próximas, reduzindo ida aos laboratórios.

Já os hospitais passaram a testar gestantes mesmo sem sintomas restringindo o número de profissionais na assistência ao parto. Alguns reduziram. e outros limitaram a entrada de visitantes como formas de reduzir o risco de contaminação neste período em que a assistência de saúde não pode esperar.

Esse quadro de covid em gestantes é marcada por uma subida na pressão durante a gestação, que pode trazer problemas para a mãe e o bebê.

“A Covid-19 gera uma inflamação com potencial de causar tromboses. E isso pode interferir nos mecanismos que causam pressão alta na gravidez”, informa o infectologista.

De acordo com uma revisão sistemática do PregCOV-19 Living Systematic Review Consortium, publicada no periódico BMJ, grávidas com Covid-19 podem, sim, estar mais sujeitas a um parto antes da hora. Aliás, diversas outras infecções estão associadas com esse quadro.

Risco para o bebê

Segundo a médica geriatra, Karoline Rodrigues,tudo vai depender da gravidade do quadro da mãe, que impacta diretamente no bem-estar do filho.

“Se a gestante estiver respirando sem dificuldade, a passagem do oxigênio para a placenta será mantida, o problema se dá em casos graves, quando há diminuição da oxigenação, levando sofrimento ao bebê. Além disso, observamos que a infecção aguda pode levar à diminuição do líquido amniótico“, afirma a médica geriatra.

Segundo os especialistas, em caso de uma gestante sentir sintomas da covid deve ser imediatamente acompanhada por um médico para saber o grau de gravidade da infecção.


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