Quarta-feira, 28 de Julho de 2021
Um ano de tristeza

Covid-19: um ano após primeira morte, AM ainda sofre com consequências da doença

Covid-19: um ano após primeira morte, AM ainda sofre com consequências da doença



enterros_21F62476-7FD5-42EF-B7D1-9063876E605A.jpg Foto: Arquivo A CRÍTICA
24/03/2021 às 09:25

O Amazonas completa um ano do registro da primeira morte por Covid-19 nesta quarta-feira (24). O empresário Geraldo Sávio, de 49 anos, morava em Parintins (distante 369 km da capital amazonense) e morreu às 19h45 no Hospital Delphina Aziz, em Manaus, após três dias internado e quatro dias antes de completar 50 anos. Com a morte de Geraldo, o Amazonas foi o terceiro estado brasileiro a registrar falecimentos por conta da doença. Na época, tinha-se contabilizado apenas seis mortes no Rio de Janeiro e outras 40 em São Paulo.



Geraldo era natural de Oriximiná, no Pará, mas residia no município de Parintins. O prefeito de Parintins, Bi Garcia, informou que Geraldo Sávio era amante da pesca esportiva e tinha ido a Nhamundá, participar de um encontro de pescadores. Ao retornar para o município, ele apresentou os sintomas e foi atendido no Hospital Jofre Cohen, onde foi isolado e recebeu os primeiros atendimentos. Sem melhoras no quadro, ele precisou ser transferido para Manaus. Na capital o paciente apresentou parada cardiopulmonar, instabilidade hemodinâmica e uma parada cardiorrespiratória. A equipe do hospital procedeu manobras de ressuscitação, porém Geraldo não resistiu e morreu no início da noite.

Grandes perdas na família

O amazonense Adriano Silva, apesar de não ter sido infectado pela Covid-19, teve três perdas familiares em menos de uma semana: a mãe, o tio e a prima. A mãe de Adriano foi a primeira a partir, no dia 8 de janeiro por complicações na hemodiálise, devido ser diabética. Ao lado de sua mãe, que estava internada no Hospital e Pronto-Socorro (HPS) 28 de agosto desde a última semana de dezembro, Adriano já percebia o caos na unidade hospitalar.

"Como eu vivi isso de perto dentro do 28 de agosto eu tenho a lhe dizer que essa situação é bastante assustadora, sabe. Eu cansei de ver corpos sendo levado para o necrotério do hospital. Eu não conseguia imaginar que eu iria passar por essa situação com a minha mãe eu me pegava com Deus", contou Adriano.

Logo após completar uma semana da morte de sua mãe, Adriano recebeu a notícia que seu tio - irmão da mãe - não havia resistido a uma pneumonia e acabou morrendo também. Adriano acredita que o quadro do tio tenha piorado por conta do psicológico abalado pela morte da sua mãe.

E no dia 14 de janeiro, data que marcou o caos da falta de oxigênio hospitalar, Adriano teve a terceira perda na família. Sua prima que estava na batalha contra a Covid-19, não conseguiu resistir a doença e morreu no leito hospitalar. Para Adriano, um dos elementos que deram força para ele, foi sua família. "Minha mãe me preparou, sabe? Conversamos bastante. Ela era minha amiga além de mãe. Meu pai foi o meu suporte, uma prima e uma tia"

Colapso da saúde

O número de casos confirmados no Amazonas na data de falecimento de Geraldo, era de 47, conforme dados da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM). Ao longo desses 12 meses, muita coisa mudou no estado. A alta taxa de transmissão e letalidade do vírus e o desconhecimento por parte da população amazonense, causou um dos maiores colapsos na rede pública de saúde do Amazonas.

No mês de maio do ano passado, período do primeiro pico da pandemia no estado, o Amazonas registrou 348 sepultamentos de vítimas da doença. Após isso, nos meses seguintes, com a abertura de novos leitos e restrição de medidas de isolamento, os índices foram reduzindo. Entretanto, em janeiro de 2021, com o relaxamento da população e a descoberta de uma nova variante da Sars-Cov-2, estes número foram rapidamente superados.

Em apenas 10 dias de janeiro, só na capital, foi registrado 379 sepultamentos por Covid-19, nos cemitérios públicos e privados da cidade. Enquanto no Amazonas, o total de mortes por Covid-19 no mês de janeiro chegou a 391. Ou seja, se comparado ao período do primeiro pico, a FVS-AM registrou um aumento de 12,35% de mortes.

Outro dado alarmante aponta que em janeiro, a média móvel de registros de mortes por coronavírus deu um grande salto no Amazonas. Nos últimos sete dias de dezembro do ano passado, a média diária de notificações de mortes era de 19 vítimas. Enquanto que do dia 25 ao dia 31 de janeiro deste ano, o registro foi de 139. Ou seja, o número subiu 631,57% em apenas um mês.

Amazonas permanece em alerta

Já no final do mês de fevereiro e início de março, o Amazonas começou a apresentar queda nos índices da Covid-19. Do dia 20 de fevereiro ao dia 5 de março de 2021, a FVS-AM registrou uma redução de 18,4% da média móvel de notificações e 54,2% da média móvel de óbitos.

Apesar da redução dos índices, o Amazonas ainda está em primeiro lugar no ranking de taxa de mortes por Covid-19 por 100 mil habitantes, conforme relatório da FVS-AM. De acordo com diretor-presidente da FVS-AM, Cristiano Costa, a taxa do Amazonas corresponde a 285,4 óbitos/100 mil de Covid-19, enquanto no Brasil a média nacional fica em 140,6 óbitos/100 mil. Vale ressaltar o crescimento dos índices da Covid-19 no território nacional este mês.

"O Estado do Amazonas está acima da média nacional em casos da doença e ainda estamos no primeiro ranking relacionado a mortalidade também. Isso é resultado do excesso de óbitos que vivemos e as tragédias que passamos com nossas famílias", afirmou Costa.

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Repórter de A Crítica
Amazonense, nascido e criado em Manaus. Graduado em Jornalismo e mestrando em Antropologia Social, ambos pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

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