Domingo, 07 de Junho de 2020
saúde pública

Efeito Covid-19: cobranças por fiscalização rigorosa no Eduardo Gomes

Funcionários e passageiros esperam por ações melhores para controlar a transmissão do vírus no aeroporto



fiscaliza__o_59E8A8F3-42CE-447D-B53D-361ED7237AE5.JPG Apesar de redução dos voos, aeroporto é visto como área de risco. Foto: Euzivaldo Queiroz
21/03/2020 às 07:41

Uma semana depois do primeiro caso confirmado do novo coronavírus no Amazonas, o setor de desembarque do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus, estava vazio na manhã de ontem. No começo da semana, os voos diretos de Manaus para Panamá, Miami (EUA), Orlando (EUA) e Buenos Aires (ARG) foram suspensos acarretando em diminuição das escalas e no número de viagens domésticas.

Apesar da medida, um funcionário da companhia aérea Gol que trabalha no local e pediu para não ser identificado se mostrou preocupado sobre o risco de ser contaminado e de perder o emprego. “É um mix de medo, ansiedade por um lado e de manter o equilíbrio emocional do outro, porque muitas pessoas ignoram a realidade e, para justificar sua cegueira, dizem que a mídia está manipulando informações”, resumiu.



Ele chamou a atenção para a falta de fiscalização dos passageiros que vêm do exterior e acha que laboratórios públicos e particulares não terão capacidade de atender a todas as solicitações de exames para o Covid-19. “As proporções tomadas têm consequências seríssimas e, principalmente, econômicas. Quantas pessoas ficarão doentes e quantas outras desempregadas?”.

Para os funcionários que decidirem se proteger em casa, a Gol oferece três meses de licença não-remunerada. “Alguns colegas já foram demitidos”, informou o rapaz. “Infelizmente, (a pandemia) tem impactado muito o setor aéreo, pois as pessoas em peso têm desistido de voar. A expectativa é que até maio os voos sejam reduzidos em 70% e, consequentemente, mais pessoas sejam desligadas da empresa”, disse.

O gerente de viagem Madson Andrade, 26, afirmou que utiliza apenas álcool em gel para evitar o contágio pelo Covid-19. “A Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária) recomendou que os funcionários usassem máscaras, mas apenas o pessoal do check-in faz isso”. Na opinião do autônomo Patrick Costa, 26, faltam ações de controle na entrada e saída de passageiros.

“Desde que chegamos (ao aeroporto), ninguém nos abordou”, disse Costa, que aguardava voo para Brasília (DF) antes de partir para o destino final em Teresina (PI) na tarde de ontem. “Não sei como está a situação do número de casos por lá”, afirmou.

“Algumas empresas de ônibus estão fazendo a medição da temperatura corporal. As companhias aéreas poderiam fazer o mesmo”, observou a autônoma Beria Benalber, 52. Ela resolveu adiar a viagem para São Paulo com a mãe devido ao surto de coronavírus, mas considerou a taxa de remarcação dos dois bilhetes abusiva. “É quase o preço da passagem”, criticou.

Dois funcionários da Anvisa verificam casos suspeitos

A fiscalização de casos suspeitos do novo coronavírus no Aeroporto Eduardo Gomes   é realizada diariamente, em regime de plantão, por dois funcionários da Anvisa.  Voos oriundos dos aeroportos de São Paulo e do Rio de Janeiro, de onde partem as escalas internacionais, são o foco do monitoramento. 

“Quando ocorre uma situação anormal, somos avisados e fazemos a abordagem após a aterrissagem. Temos um médico disponível. Os pacientes com suspeita são encaminhados para o (Hospital) Delphina Aziz (na Zona Norte de Manaus)”, informou um fiscal que pediu anonimato.

As medidas seguem o protocolo do órgão e começaram a ser aplicadas em fevereiro. O número de fiscais é reduzido em razão do quantitativo de voos. “Os casos que apareceram aqui não se encaixavam nos sintomas de coronavírus”, disse a fonte.

“Estou viajando porque tenho de voltar para casa, mas as pessoas não deveriam viajar por lazer agora”, opinou a estudante de Comunicação Social Sara Valavaara, 26, que partia rumo a Helsinque, capital da Finlândia. “Meus pais estão em quarentena há uma semana e farei o mesmo quando chegar lá. Há muitas ocorrências de coronavírus”, lamentou.

Em nota, a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) informou que os materiais encaminhados pelo Ministério da Saúde e pela Anvisa sobre cuidados relativos à higienização de mãos, distanciamento entre pessoas e demais orientações de prevenção ao Covid-19 são repassados nos sistemas de informação de voos e avisos sonoros.

“Com relação às orientações de higienização, a Infraero informa que tem monitorado a disponibilidade de álcool em gel, sabonete líquido e papel toalha em todos os seus terminais”. Os profissionais são orientados a utilizar máscara cirúrgica, avental, óculos de proteção e luva na abordagem de suspeita de contaminação.

Atualmente, o Governo do Amazonas busca uma articulação com a Anvisa para ajudar na fiscalização de casos suspeitos de Covid-19 no aeroporto.

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Repórter de Cidades
Formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Além de A Crítica, já atuou em uma variedade de assessorias de imprensa e jornais, com ênfase na cobertura de Cidades e Cultura.

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