Segunda-feira, 28 de Setembro de 2020
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Em Manaus, pastor celebra Páscoa com foto de fiéis em bancos de igreja vazia

Para respeitar medida de isolamento, em vez de pessoas de carne e osso, há imagens de fiéis coladas nos assentos da igreja



cadeiras_E3E835DE-0ACA-4305-8972-B7414F741763.JPG Foto: Divulgação
12/04/2020 às 15:56

Ao meio dia da Sexta-Feira da Paixão (10), o pastor Valdiberto Rocha, vice-presidente da Igreja do Evangelho Quadrangular do Amazonas, posicionou-se com a câmera do celular voltada para si, tendo as cadeiras vazias do templo como fundo. Em vez de pessoas de carne e osso, há imagens de fiéis coladas nos assentos, famílias que receberão o pedido de intercessão divina feita pelo líder espiritual. 

Em tempos de quarentena, as igrejas estão adaptando seus rituais para evitar o contágio do coronavírus, e os procedimentos são empregados nas celebrações da Semana Santa. “Por uma questão de coerência, estamos avisando aos membros e congregados a respeitarem o Decreto Estadual, até porque o nosso estado está numa crescimento significativo desse coronavírus, de maneira que faremos a Santa Ceia em família”, afirma o pastor, ex-presidente e atual tesoureiro da Ordem dos Ministros Evangélicos do Amazonas (OMEAM). 



As igrejas estão realizando cultos online, transmitidos em canais como o YouTube. “Neste ano a celebração no mundo todo será atípica. Alguns pastores estão pedindo para um membro da família que não está em grupo de risco passar no templo e pegar a Santa Ceia para que celebrem a Páscoa no culto online”, diz Rocha.

“Em vários lugares, os templos estão abertas para os fiéis fazerem suas preces, orações e rezas. Mas sempre orientados para aqueles que estão fora do grupo de risco”, explica o pastor, ao ser questionado sobre o fechamento dos templos na quarentena. A medida gerou críticas de lideranças evangélicas a nível nacional, como o pastor Silas Malafaia, presidente da Assembleia de Deus.

“É uma páscoa diferente neste ano, em que o mundo todo celebra dentro de suas casas. É um tempo surpreendente, porém o que mais nos surpreende é viver essa fé por meio das tecnologias”, filosofa o frei Paulo Xavier, líder da paróquia de São Sebastião.

A cerimônia da Vigília Pascal, realizada na noite de sábado, foi transmitida da Catedral Metropolitana para todas as paróquias. A bênção do fogo novo (que simboliza a ressurreição), a leitura do trecho do Antigo Testamento sobre a libertação do povo de Deus e a grande travessia pelo Mar Vermelho, por exemplo, puderam ser conferidas pelo Facebook, Instagram e YouTube. A mesma dinâmica será desenvolvida na liturgia pascal deste domingo (12).

Na comunidade judaica, o tradicional jantar (Seder) comunitário da segunda noite de Páscoa, celebrada na quinta-feira (9) e que reúne cerca de 200 pessoas, foi cancelado. Em vez disso, o Comitê Israelita do Amazonas organizou uma videoconferência das celebrações com transmissão das casas dos membros que optaram por compartilhar as rezas e festividades. 

A Confederação Israelita do Brasil (CONIB) desanconselha reuniões com mais de dez pessoas. Os serviços religiosos também estão suspensos. “O uso da tecnologia durante as celebrações de Pessach este ano é permitido, desde que se siga as orientações rabínicas”, enfatizou Benjamin Saul Benchimol, presidente do Comitê. “Neste ano, como a Pessach não caiu num Shabat (sábado), foi possível fazer a transmissão. Os rabinos orientaram que os aparelhos fossem ligados antes do evento”.

Na doutrina espírita, por outro lado, a Páscoa não é considerada uma data de celebração, porém representa um momento para refletir sobre a relação entre os ensinamentos de Jesus Cristo e a conduta individual. “Será que estamos promovendo mais igualdade entre as pessoas? A minha maneira de trata-las tem sido como a de um filho de Deus? Tenho colocado em prática a fraternidade, um aspecto para o qual nossa doutrina chama tanto a atenção?”, indaga Raimundo Martins, do Conselho de Trabalhadores da FAK.

As atividades presenciais foram suspensas no centro. Atividades como reuniões do setor administrativo, palestras e estudos são realizadas via internet. “Não temos a oportunidade de estarmos juntos, mas a satisfação de aprender uma nova maneira de nos relacionar, o que tem sido bastante proveitoso. É um momento de aprendizado muito grande para nós, pelo qual sentimos grande satisfação”, empolga-se Martins.

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Repórter de Cidades
Formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Além de A Crítica, já atuou em uma variedade de assessorias de imprensa e jornais, com ênfase na cobertura de Cidades e Cultura.

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