Sábado, 30 de Maio de 2020
Economia afetada

Epidemia de coronavírus reduzirá arrecadação do AM, aponta Sefaz

Secretário de fazenda avalia que o PIB brasileiro deve sofrer uma redução de meio ponto percentual este ano por conta dos efeitos da epidemia global do coronavírus



eu_n_o_sei_quem___esse_cara_17C056C6-0F05-4042-8031-41B9B78A96D0.JPG Foto: Ney Xavier
05/03/2020 às 21:17

O secretário de Estado de Fazenda (Sefaz), Alex Del Giglio, afirmou ontem (5) que a atividade econômica do Amazonas já sofreu redução por conta do coronavírus, o que vai afetar na arrecadação do Estado. A declaração foi dada durante a palestra “A atual conjuntura econômica do Amazonas, frente a instabilidade econômica mundial em razão do coronavírus”.

O evento foi realizado pela Escola de Administração Tributária (Esata) no Edifício Hamilton Pereira da Silva, bairro São Francisco, Zona Sul de Manaus.



De acordo com o secretário, as perspectivas para o Produto Interno Bruto (PIB) nacional são de redução de meio ponto percentual em 2020. E acrescentou que apesar da receita bruta estadual ter saltado de R$ 19,9 bilhões em 2018 para R$ 22 bilhões em 2019, ainda estuda os impactos na economia local que pode sofrer decréscimo.

“A gente ainda não consegue vislumbrar o efeito de médio a longo prazo. Mas no curto prazo, a gente já tem um efeito importante de redução da atividade econômica e isso vai impactar, obviamente, na arrecadação. Esperamos que, com a criação de uma vacina, em um curto espaço de tempo, esse efeito acabe sendo pontual e a gente consiga recuperar, no segundo semestre, dos prejuízos que foram causados no primeiro”, disse o secretário.

Importações

De acordo com dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), em 2019 o Brasil importou do mercado externo o equivalente a R$ 47,3 bilhões. Desse percentual, 25% foram de equipamentos de telecomunicações, incluindo peças e acessórios. Além disso, 15% das importações foram de válvulas e tubos termiônicos, e 6,2% de prata, platina e outros metais, que são os insumos para a produção industrial na Zona Franca de Manaus (ZFM).

O diretor da Esata, auditor fiscal Ricardo Castro, ressaltou que 90% da economia do Amazonas é constituída pelo Polo Industrial de Manaus (PIM). E a epidemia tem afetado a atividade industrial nos países exportadores de matéria-prima para a ZFM como a China.

“Essa questão do coronavírus acaba tendo reflexos na economia do nosso Estado. Temos também um cenário econômico e político em que estamos atravessando discussões sobre a reforma tributária que pode ter implicações no nosso polo econômico no âmbito dos incentivos fiscais que podem ser afetados”, afirmou o diretor da instituição.

O presidente do Sindicato dos Auditores Fiscais de Tributos Estaduais do Amazonas (Sindifisco), Elizer Batista, disse à reportagem que a epidemia traz preocupação, não apenas para a região, mas para outras partes do mundo. Ele disse que no Amazonas a situação ainda não é alarmante, com relação à epidemia, por conta do clima.

Reforma pode afetar incentivos

O secretário Alex Del Giglio enfatizou que os a reforma tributária que tramita no Congresso Nacional apresenta problemas com relação à preservação da Zona Franca de Manaus (ZFM) como uma política de desenvolvimento excepcional. 

Tanto a Câmara dos Deputados quanto o Senado têm propostas de emendas à Constituição sobre a reforma tributária, a PEC 45/2019 e a PEC 110/2019, respectivamente. Ambas propõem a extinção de diversos tributos que incidem sobre bens e serviços, que seriam substituídos por um imposto único sobre o valor agregado.

“A gente já conseguiu, no âmbito do Conselho Nacional de Política Fazendária (CONFAZ), convencer os demais secretários de fazenda, assim como os governadores de Estado, que esse modelo é importante para o desenvolvimento do Brasil, e não só da Amazônia”, disse o secretário.

Blog: Ricardo Castro, auditor fiscal e diretor da Esata

“A conjuntura   atual do Estado   abrange todos os aspectos econômicos. Somos sabedores de que a economia do Amazonas é baseada em 90% do Polo Industrial de Manaus  (PIM). Esse fenômeno que nós estamos acompanhando, que é a propagação do novo coronavirus pelo mundo inteiro, tem afetado a atividade industrial nos países que são exportadores de matéria-prima para a Zona Franca de Manaus. Na China, por exemplo, temos notícias de que houve paralisação de plantas fabris e que afeta algumas unidades do PIM. Esse tema acaba tendo reflexos na economia do nosso Estado. Em acréscimo a isso, nós temos um cenário econômico e político onde estamos atravessando discussões sobre reforma tributária que pode ter implicações no nosso polo econômico no âmbito dos incentivos fiscais, que podem ser afetados. Caso a reforma tributária avance, a economia do Estado pode ser afetada em torno de 50%  do faturamento”.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.