Quinta-feira, 04 de Junho de 2020
PREVENÇÃO

Em abrigos de Manaus, idosos aumentam prevenção ao novo coronavírus

Abrigo São Vicente de Paulo e Fundação Dr. Thomas realiza palestras para os idosos acolhidos, e reuniões com funcionários e cuidadores



WhatsApp_Image_2020-03-17_at_12.08.54_A742AAD6-B521-4BFE-B59B-F95F35971BB3.jpeg Foto: Junio Matos
18/03/2020 às 07:34

Ao longo de 88 anos de vida, dona Raimunda da Silva Costa afirma que jamais teve conhecimento de uma doença com o alcance do novo coronavírus (Covid-19). “Assisto à televisão. Está se espalhando pelo mundo inteiro. Acho que a pessoa tem de se resguardar um pouco para ver onde isso vai dar. Sou católica e creio muito em Deus. Vamos esperar pela medicina”, diz a residente do Abrigo São Vicente de Paulo, localizado no São Raimundo, Zona Oeste de Manaus, que atende 27 idosos.

Na última sexta-feira, a direção do abrigo resolveu suspender as visitas, atendendo a orientação do Conselho Municipal do Idoso. “Os familiares ligam para nós e damos as notícias pelo telefone”, explica João Romão, presidente da casa. “Eles estão aceitando a limitação do acesso”. A entrega de doações é restrita ao portão. 



A direção conta com apoio de uma equipe multidisciplinar, integrada por psicólogas e assistentes sociais, que atuam na tarefa de orientar os abrigados a respeito das ações de prevenção ao coronavírus. Entre as medidas já colocadas em prática, estão palestras conduzidas por profissionais do Serviço de Pronto Atendimento (SPA) que funciona ao lado do abrigo, e reuniões com funcionários e cuidadores.

“Alguns são teimosos, se recusam a usar as máscaras. Preferem lavar as mãos”, conta Romão. “Eles andam muito pela casa. Quando entra visita, eles querem abraçar, apertar as mãos. Vamos rezar para isso passar logo”, torce. Segundo o presidente, os idosos com perfil independente apresentam menor resistência às informações sobre a pandemia.

“Lavo minhas mãos após pegar nas coisas e uso o álcool em gel”, diz dona Raimunda. Sem familiares para fazer contato, ela tenta orientar seus colegas de abrigo a respeito dos procedimentos corretos para impedir o contágio. “Só nos resta rezar. Muitos irmãos estão mortos”, lamenta. 

Na quinta-feira, as visitas aos internos da Fundação de Apoio ao Idoso Dr. Thomas, no bairro Nossa Senhora das Graças, Zona Centro-Sul, foram suspensas, bem como passeios, reuniões, palestras, consultas ambulatoriais (exceto serviço médico de urgência) e o Programa de Atendimento Domiciliar (PAD). Foram intensificados os cuidados com prevenção e higienização de idosos e funcionários, e disponibilizadas unidades extras de álcool em gel e sabão. A circulação de fornecedores está restrita.

A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) recomendou a suspensão das atividades no Parque do Idoso, centro de convivência dos internos da fundação, que mantém 133 residentes com diversos graus de patologia e vulnerabilidade. 

“Num primeiro momento foi difícil, quando proibiram a visita familiar. O serviço social foi importante para fazer contato com os parentes, ligando para cada um, conscientizando-os. O que vem de fora é o risco”, salientou a diretora administrativa da fundação, Gracilene Celestino. 

A determinação deve continuar até o dia 31 de março, “mas o prazo pode mudar e vamos seguir rigorosamente as orientações da Semsa”, complementou Gracilene. Por outro lado, os fumantes têm acesso liberado ao espaço externo da fundação. “A maioria dos idosos tem boas condições de saúde e não precisam usar máscaras, mas são aconselhados a usar álcool em gel”, salienta a diretora.  

“Minha família sabe o que está acontecendo e nos comunicamos por telefone. Aqueles que ainda não saibam, que procurem orientação e entender por que não pode vir”, enfatizou Amazonina Rodrigues Chaves,  de 90 anos. “Estou obedecendo e cumpro com severidade (as recomendações). Chegou da rua, lavo a mão e passo o gel. Pelo que observo aqui, estão entendendo que precisam seguir essas instruções”.

Após dois anos sem fazer contato com o pai, o estudante Flávio Batista do Nascimento, 36, foi surpreendido pela notícia da interrupção das visitas na Fundação na manhã de ontem, mas considera a medida necessária.

“Não consegui visitá-lo pelo tempo dedicado ao estudo”, explicou Nascimento, cujas aulas na modalidade de Ensino de Jovens e Adultos (EJA) da Secretaria Estadual de Educação (Seduc) foram suspensas a partir de ontem para evitar a disseminação do vírus.

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Repórter de Cidades
Formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Além de A Crítica, já atuou em uma variedade de assessorias de imprensa e jornais, com ênfase na cobertura de Cidades e Cultura.

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