Domingo, 28 de Fevereiro de 2021
Queda dos números

Especialistas alertam: mesmo com queda nos índices da Covid-19, cuidados para a prevenção da doença continuam sendo fundamentais

Após o primeiro pico da doença, o Amazonas também registrou queda significativa nos dados, o que não impediu que a população sofresse com uma onda muito mais violenta de infecções e mortes



show_show_show_show_euzivaldo_queiroz_5D45337B-BAF7-47D7-B67E-12E84091FAB3.jpeg Foto: Arquivo A CRÍTICA
23/02/2021 às 11:14

Os números da segunda onda da pandemia do coronavírus no Amazonas já começaram a apresentar queda. Com a redução de notificações, hospitalizações e registros de óbitos por Covid-19 no estado no último mês, os amazonenses voltam a se sentir "seguros", causando aglomerações nos centros comerciais e shoppings de Manaus. Entretanto, especialistas alertam que o Amazonas ainda está passando por um período crítico e que os protocolos sanitários devem ser obedecidos à risca.

Segundo dados do último Boletim da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), o número de notificações de pacientes com Covid-19 diárias caiu 68%. No dia 20 de janeiro - ápice da segunda onda do vírus -, o Amazonas ultrapassou o recorde de notificações com o registro de 5.009 novos casos. Na segunda-feira (23) esse número caiu para 1.161.



Outra queda identificada pela FVS-AM, foi no número de hospitalizações. No dia 22 de janeiro, o órgão registrou a hospitalização de 2.433 pacientes com Covid-19 no Amazonas. Na segunda-feira (23), o número caiu para 1.638 pacientes internados com o vírus no estado. Ou seja, uma queda de 32%. Ainda em comparação ao mesmo período de datas, de 527 pacientes com Covid-19 estavam na fila de espera por leitos clínicos, caiu para 130.

Em relação ao número de sepultamentos, a FVS  registrou 867 óbitos por Covid-19 na primeira semana de fevereiro deste ano. Já na segunda semana o número já apresentou queda, com 762 sepultamentos. Agora na terceira semana, o número segue em queda com 673 óbitos por coronavírus.

Apesar da situação "favorável", o epidemiologista do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), José Joaquin Carvajal Cortés, afirma que a população amazonense não pode deixar de obedecer os protocolos sanitários e o distanciamento social.

"Acredito que as medidas tenham que ser bem feitas. Se você for sair, tem que utilizar a máscara em todo canto da maneira correta. Tem que cobrir a boca e o nariz. Não esquecer de usar álcool em gel. 'Ah, mas eu já tive Covid-19'. Não adianta, não temos garantia. Tanto que o primeiro da nova variante identificada aqui no Amazonas foi de uma pessoa que apresentou reinfecção no período de 9 meses. E essa pessoa tinha anticorpos para Covid-19. Não é uma responsabilidade particular. Você pode afetar uma pessoa do grupo de risco, que pode se adoentar e morrer", comentou o Carjaval.

No ano passado, com a redução dos números da Covid-19, o Amazonas alcançou uma suposta "imunidade coletiva". Segundo o médico infectologista da Fundação de Medicina Tropical (FMT), Marcus Lacerda, a população amazonense deve se atentar que a imunidade coletiva não dura para sempre.

"O problema da imunidade coletiva gerou muito desentendimento. Ela nunca foi uma medida desejada. 'Vamos infectar todo mundo para atingir a imunidade coletiva'. Ter imunidade imunidade coletiva não dura para sempre, pois pressupõe que o vírus é o mesmo. De maio a outubro [do ano passado], com a reabertura das atividades comerciais do Amazonas, as pessoas voltaram a se encontrar e aglomerar. Isso não deve se repetir", destacou Lacerda.

Outra estratégia de prevenção que deve ser adotada, segundo Carvajal Cortés, é a intensificação no plano de vacinação no estado.

"Agora eu acho que pensando numa nova estratégia de prevenção é que temos que fazer uma divulgação muito boa no plano de imunização no Amazonas, porque as pessoas tem medo de aplicar a vacina. Não tem informação clara. Não tem uma fonte confiável. Temos que interiorizar esse plano de imunização e divulgação científica. Neste momento devemos acreditar mais na ciencia e na saúde. Os anos que gastamos trabalhando e se formando é para sermos bons cientistas. E as dúvidas que você encontra, tem que procurar se informar na fonte, tem que verificar. A ciência não erra", ressaltou o pesquisador.

Questionado se a reabertura do comércio aumenta a chance de uma terceira onda no Estado, Marcus Lacerda reforçou que a vacinação em massa é a única solução.

"Eu acho que a doença só tem uma solução é a ampla vacinação. Nós aprendemos que a imunidade da população não dura para sempre. Se o vírus tem mecanismos que permite mutações, só vamos consegui vencê-lo se tivermos a população vacinada e garantir que esse vírus não entre no ciclo silvestre. Não só em Manaus, há também novas variantes no Reino Unido e na África do Sul. A abertura do comércio será sempre um desafio. Infelizmente, as pessoas não vão ficar em casa porque alguém decretou. Existe aí uma questão de comportamento, econômica. O momento do lockdown é quando você ver o sistema de saúde romper", acrescentou Lacerda.


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