Domingo, 25 de Julho de 2021
2ª dose atrasada

Estudo alerta para internação de pacientes com Covid que tomaram a 1ª dose da vacina e não voltaram para a 2ª

Instituto observou um aumento no número de internações de pacientes com covid, que já tomaram a 1ª dose da vacina, mas não retornaram para a 2ª



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03/06/2021 às 17:51

Após tomar a primeira dose da vacina contra a covid-19, as pessoas têm relaxado nas medidas de proteção e número de internações tem aumentado. É o que aponta um estudo do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, na Zona Oeste de São Paulo, que observou um aumento no número de internações de pacientes com covid que já tomaram a primeira dose da vacina contra a doença, mas não retornaram para o reforço com a segunda dose. O hospital é referência no tratamento contra a covid-19.

De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, a estimativa é que mais de 500 mil pessoas deixaram de tomar a segunda dose em todo o estado. O médico infectologista do Emílio Ribas, Jamal Suleiman, explica que os dados completos sobre as internações de quem só tomou a primeira dose ainda não foram concluídos. No entanto, segundo Suleiman, já é possível observar que as pessoas sentem uma ‘falsa segurança’ ao tomar a primeira dose e acabam relaxando nas medidas de segurança e se expondo aos riscos de contrair a doença.



Vale lembrar que, nenhuma vacina é capaz de proteger totalmente o individuo contra a doença, e a proteção coletiva acontece somente depois que certa porcentagem da população tenha recebido as duas doses. Além do mais, todas as vacinas disponíveis no Plano Nacional de Imunização (PNI) possuem esquema vacinal em duas doses, e os cientistas estimam que a proteção é mais eficiente duas semanas após a segunda dose.

Para reverter a situação de São Paulo e reforçar a importância da aplicação da segunda dose da vacina nas pessoas que estão com dose atrasada, o governo decidiu criar o “Dia D” de vacinação neste sábado (5). Cerca de 5 mil pontos de vacinação estarão abertos das 7h às 18h em todo o estado.

O médico infectologista reforça que não é hora de relaxar, porque, embora a vacina tenha a função de diminuir a chance de uma pessoa desenvolver casos graves da doença, ainda assim, existe a possibilidade de contrair a doença e ser internada. Portanto, mesmo após aplicação da vacina, a orientação é que as pessoas mantenham medidas como uso de máscaras, higiene das mãos e distanciamento social, até que o restante da população seja vacinado.

“Se você toma a vacina e baixa os cuidados, todo o discurso para baixar a demanda na rede de saúde não se aplica. Sim, a vacina reduz a chance de ter a forma grave da doença, mas ainda pode ficar doente. E enquanto a gente não reduzir a circulação do vírus e criar esse cinturão de proteção, não é hora de relaxar”, alertou o médico.

Para explicar o que seria o ‘cinturão de proteção’, Suleiman citou o estudo clínico realizado pelo Instituto Butantan na cidade de Serrana, no interior de São Paulo, onde toda a população adulta apta a receber a vacina foi imunizada com a Coronavac.

O resultado do estudo apontou que, após o fim da vacinação na cidade houve uma redução de 95% das mortes por Covid. Segundo os cientistas, o controle da epidemia em Serrena se deu depois que 75% da população adulta foi vacinada. Para Suleiman, isso mostra que o serviço deve ser feito por completo e com as duas doses para que todos tenham segurança. 

Suleiman finaliza alertando que a vacinação é coletiva e não individual. A prova disso é que, o estudo em Serrana  apontou que a vacinação de adultos criou um cinturão de proteção que beneficiou também crianças e adolescentes que ainda não podem receber as doses da vacina.


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