Terça-feira, 26 de Maio de 2020
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Estudo britânico estima que infectados no AM por coronavírus chegam a 10% da população

Números que levam em conta a quantidade oficial de mortes no estado podem dobrar devido a mortes subnotificadas; pesquisadores do Imperial College London sugerem lockdown



WhatsApp_Image_2020-05-08_at_15.20.54_A711E9CF-F612-42B1-B966-475C1A688C49.jpeg (Foto: Euzivaldo Queiroz)
08/05/2020 às 15:25

Um novo estudo da Imperial College of London, centro de excelência britânico voltado para a ciência, tecnologia e medicina, com uma análise exclusiva para a situação da pandemia do coronavírus no Brasil estima que pelo menos 10% da população do Amazonas já foi infectada pelo novo coronavírus. Isso representaria cerca de 410 mil pessoas infectadas, tendo como base o último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), feito em 2019, que aponta uma população de 4,1 milhões de habitantes no Estado.  

O trabalho dos pesquisadores analisou os dados do Ministério da Saúde desde o dia 25 de fevereiro, data do primeiro caso confirmado no Brasil, até o dia 7 de maio. Entre os 16 Estados do Brasil analisados, o Amazonas é o que possui a maior “taxa de ataque”, como os pesquisadores chamam a porcentagem de pessoas já afetadas pelo vírus. Esta taxa de ataque é baseada nas estatísticas oficiais de mortes em cada Estado.  O Pará tem a segunda maior taxa, que é de 5.05%, o que representa cerca de 430 mil pessoas - o estado vizinho tem mais que o dobro da população do Amazonas. São Paulo e Rio de Janeiro estão com com 3,3%, enquanto o Ceará tem 4,6%. Acesse a íntegra do estudo clicando aqui.



Se o dado dos 10% da população já assusta, ele pode ser ainda maior. O levantamento, assinado por 63 autores de diversos países, sustenta que a subnotificação do número de mortes pode levar a uma taxa de ataque maior. “Há uma incerteza em torno da Taxa de Infecção Fatal (IFR, em inglês), que é a probabilidade de mortes em caso de infecção pelo coronavírus. Se esse número é muito baixo, mais infecções e uma taxa de ataque maior  serão esperadas para o mesmo número de mortes observadas, e vice-versa”. Neste cenário, sustenta a pesquisa, o potencial de atingidos no Amazonas vai a 19,9% da população: ou seja, mais de 820 mil pessoas. 

O levantamento considera, ainda, que a quantidade de casos assintomáticos e a ausência de testes para a maior parte da população são fatores preponderantes na hora de se chegar a uma taxa de ataque mais próxima da real. “Nós acreditamos que nossas estimativas são mais corretas que taxas de ataque ingênuas baseadas no número reportado de casos”, destacam os pesquisadores.

Lockdown inevitável

Assunto sensível entre os setores políticos no Amazonas, o uso do ‘lockdown’, quando há o bloqueio forçado da mobilidade urbana de uma cidade, pode ser inevitável para conter o avanço da doença. Conforme dados do estudo, ações utilizadas para tentar diminuir a contaminação da doença, como as recomendações de quarentena, decretos para fechamento de escolas e serviços não essenciais, não conseguiram diminuir a taxa de transmissão da Covid-19 para abaixo de 1, número fundamental para que a doença possa ser controlada.
A taxa do Amazonas, hoje, conforme o estudo, é de 1.58 - a terceira maior do País, perdendo apenas para o Pará, com uma taxa de 1,9 e o Ceará, que chega a 1,61. 

A pesquisa se baseou em números de transmissão da fase inicial da pandemia em países europeus, que apontam que, à época, cada indivíduo infectado com o novo coronavírus transmitia a doença para 3 ou 4 pessoas diferentes, o que resultou no crescimento exponencial da doença nesses países e fez os números de casos explodirem. 

Os dados também indicam que países que utilizaram do rigoroso método do lockdown conseguiram diminuir a taxa de transmissibilidade em até 85%, como foi o caso da Itália, que por um tempo foi o epicentro da doença no mundo, antes de ser superada pelos Estados Unidos. Lá, a taxa de transmissibilidade entre os italianos caiu para bem abaixo de 1, conforme aponta o estudo. 

No caso do Brasil, as medidas de recomendação de isolamento social, fechamentos de escolas e decretos de fechamento de serviços não essenciais, apesar de terem diminuído a transmissibilidade em 54%, não conseguiram trazer a taxa de contaminação da doença para abaixo de 1. Esse resultado, segundo os pesquisadores, indica que a doença ainda não está controlada no país, com tendência do aumento no número de infectados e mortos, além da piora no sistema de saúde do país, já colapsado em algumas cidades, entre elas Manaus.


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