Alta de casos

Explosão de covid-19 no Amazonas reacende trauma da crise de oxigênio

Embora a nova cepa tenha sido confirmada no Estado em 4 de janeiro, os casos já haviam começado a subir desde o mês de dezembro, em especial pelas festas de final de final de ano

Waldick Júnior
13/01/2022 às 00:16.
Atualizado em 08/03/2022 às 16:11

(Foto: Junio Matos )

Alta procura por testes de covid-19 em farmácias, postos de saúde lotados e grande procura por atendimentos em hospitais. O cenário se repetiu com intensidade ao menos em duas ondas da pandemia no Amazonas e agora ocorre pela terceira vez com um novo agravante: a variante ômicron. 

Embora a nova cepa tenha sido confirmada no Estado em 4 de janeiro, os casos já haviam começado a subir desde o mês de dezembro, em especial pelas festas de final de ano, somadas ao período chuvoso conhecido pelos altos índices de síndromes gripais. 

Seguindo essa linha de alta transmissão, somente nesta quinta-feira o Amazonas confirmou 1.659 casos da doença, maior número registrado desde 30 de março de 2021. 

O grande número de pacientes já pesa na rotina de profissionais de saúde que atuam na linha de frente, em especial por ocorrer na semana em que o Amazonas completa um ano da crise de oxigênio de janeiro de 2021, um dos momentos mais dramáticos da pandemia no mundo.  

“A primeira sensação que dá pra gente profissional de saúde que trabalhou na primeira onda, no caos que foi janeiro de 2021, e agora vê essa curva crescente em 2022, sabe a sensação de desespero? De falar ‘estou entregando as cartas, não suporto mais”, comenta Ana Galdina, que atua na linha de frente desde o início da pandemia . 

Ao conversar com outros profissionais da área, ela diz que se destaca um sentimento: apreensão. Principalmente com os não vacinados. “Sabemos que tem a vacina e por isso a tendência é que não ocorra uma nova onda grave como antes, mas é preciso destacar que uma boa parcela da população não está vacinada. E são essas pessoas que estamos atendendo doentes”, afirma a médica.

 Trauma vivo

Do outro lado, amazonenses que sofreram com o coronavírus também já sentem o corpo tremer ao pensar em reviver os traumas. “Uma nova onda sempre é vista como apreensão. No meu caso, trabalho com o público, então é uma preocupação ver que novamente estou sob alto risco e outros também”, diz Bruno Silva, 23, analista técnico e produtor.

 Em maio de 2020 ele contraiu a covid-19 e ficou uma semana internado. Sentiu muito cansaço e dificuldade para respirar, mas conseguiu se recuperar. “Me preocupa também que infelizmente vemos uma negação muito grande e relutância das pessoas em se vacinar. Não buscam informações de qualidade, criam barreiras com notícias falsas no WhatsApp e outras redes”, destaca o jovem.

Um relato similar é compartilhado pela jornalista Anne Monteiro, 34. Ela perdeu o pai e a mãe para a covid-19. “Minha irmã que trabalha em hospital testou positivo para a doença, então estamos nos resguardando em casa. Calhou também dos meus irmãos estarem de férias, então estamos todos em casa. Só saí hoje para tomar a dose de reforço contra a covid”, relata. 

 Vacinação 

Até sexta-feira, o Amazonas registrava 81,1% da população total vacinada com duas doses. Quando se trata do esquema vacinal completo (incluindo a dose de reforço), esse percentual cai para 55%. 

Para tentar avançar com os números de imunização, o governo do Estado realiza uma série de estratégias para levar as doses a lugares com maior público.

A mais atual é dispor de postos de vacinação em 16 supermercados em Manaus, entre esta quinta e sexta-feira (13). Estão inclusos algumas unidades das principais redes, como DB, Nova Era, Assaí e Carrefour.

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