Terça-feira, 02 de Junho de 2020
PREVENÇÃO

FMT endossa medidas anti-coronavírus adotadas pela Igreja Católica no AM

Além de evitar pedir bênção beijando as mãos, órgão de saúde informa outras formas de se proteger do vírus



papa_de_manaus_B52048DE-B277-4D50-A90B-3BD979889779.JPG Foto: Arquivo/A Crítica
10/03/2020 às 07:27

A orientação da Igreja Católica de evitar que o fiel beije as mãos em atos religiosos é acertada e coerente, sendo uma medida de boa recomendação para a saúde em tempos de doenças respiratórias como o novo coronavírus (Covid-19). A afirmação é do diretor-presidente da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), o médico infectologista Marcus Guerra.

A transmissão do coronavírus, como a de qualquer síndrome gripal, costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como gotículas de saliva; espirro; tosse; catarro; contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão; contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.



Além dos católicos praticantes, o ato de pedir a benção para religiosos ou aos pais, responsáveis e parentes é uma cultura muito arraigada de uma forma geral.

Na publicação “Orientações Pastorais ante o Coronavírus”, divulgadas pelo arcebispo de Manaus, dom Leonardo Ulrich Steiner, o religioso recomenda que “os fiéis recebam a comunhão eucarística nas mãos”.  

“Pedimos também que no nosso modo tão significativo de pedirmos e invocarmos a bênção de Deus beijando mutuamente a mão, o façamos sem beijarmos a mão. Esse cuidado vale também ao pedirmos a bênção aos padres e aos bispos”, diz a publicação da Arquidiocese de Manaus.

Coerência

“Essa orientação da Igreja Católica é uma atitude coerente com o que pode ser a transmissão dos vírus respiratórios de uma maneira geral e não somente por conta do coronavírus. Isso porque a contaminação das pessoas se dá exatamente por isso, pelo contato com uma mão contaminada, que contamina outra, e uma pessoa inadvertidamente pode levar as mãos à boca, ao nariz ou aos olhos, e essa pessoa ficar infectada pelo vírus”, explicou o diretor-presidente da FMT-HVD, Marcus Guerra.

O próprio cumprimento de mão e beijos no rosto não são recomendados, conforme Guerra. “Esse contato é para se evitar porque é uma área próxima da pessoa para poder inalar o vírus”, disse.

Marcus Guerra destacou também que outra recomendação importante para as pessoas é que aquelas que estão contaminadas por algum vírus procurem orar nas suas próprias residências. “Quem está com algum problema respiratório que não se junte ao aglomerado das pessoas que vão orar e sim nas suas casas mesmo”, afirmou Guerra.

Ar-condicionado

Sobre o ar-condicionado existente em alguns templos religiosos, o diretor-presidente da FMT disse não haver qualquer perigo de contaminação aos fiéis desde que os aparelhos estejam limpos.

“Se o ambiente estiver limpo não há porque desligar o ar-condicionado nas missas e reuniões. O vírus não teria essa transmissão tão grande por conta do ar-condicionado e não vejo motivo pelo qual as pessoas devam desligá-lo. Se deve mantê-los limpos, com seus filtros, e poder dar o conforto ambiental para as pessoas que vão utilizar os templos”, acrescentou o médico infectologista.

Diagnótico

O Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), foi um dos primeiros laboratórios do país a receber do Ministério da Saúde (MS), 500 testes para o diagnóstico do Covid-19 e iniciará o diagnóstico nos casos suspeitos a partir de hoje.

A diretora-presidente da FVS-AM, Rosemary Costa Pinto, explicou que o Lacen-FVS conta com profissionais capacitados e equipamentos modernos. “A partir de agora, o Amazonas passa a processar as próprias amostras de casos suspeitos de Covid-19, com a mesma qualidade aplicada nos processamento de outros vírus respiratórios”, informou.

Rosemary salientou que “quanto mais precoce diagnóstico, mais assertivo é o direcionamento das ações de vigilância e assistência”.

De acordo com a diretora do Lacen-FVS, Tirza Mattos, foram encaminhadas para o laboratório de referência três amostras de casos suspeitos. “Estamos em plena atualização dos nossos protocolos para a inserção de diagnóstico do Covid-19, e fornecer o resultado em 48h”, disse.

Atualmente, são quatro os laboratórios que realizam o teste para diagnóstico do coronavírus no País. Os laboratórios de referência nacional são: Fiocruz, no Rio de Janeiro; Instituto Evandro Chagas (IEC), no Pará; e Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo.

Repórter de A Crítica

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