Domingo, 23 de Janeiro de 2022
Doença

'Fui para a UTI porque minha situação era mais grave', conta paciente que superou Covid-19

Braule Andrade, 38 anos, teve o 60% do pulmão comprometido e sua mãe com 40%. Ele ficou internado no hospital Delphina Aziz



78756_F5BC6FE5-FB54-48B8-9811-F8E66A01D7BA.JPG Foto: Divulgação
27/11/2021 às 09:23

A covid-19 nos atingiu de forma avassaladora, causou perdas irreparáveis e caos no mundo. São milhares de famílias que perderam entes queridos, pessoas que lutaram pela vida, mas foram vencidas pela doença. Ao longo de mais de dois anos de pandemia, contamos óbitos, infectados, variantes, curados e agora vacinados.

Vitórias Inspiradoras é o espaço destinado aos relatos de pacientes que foram internados e até entubados, e ainda assim venceram a batalha contra a doença. São histórias de superação que inspiram aqueles que ainda hoje sofrem com as sequelas ou lutam contra a covid-19.



Neste segundo episódio, conheceremos a história de Braule Andrade, 38 anos, pai de quatro filhos e casado com Paula Andrade. Braule é turismólogo e vereador no município de Novo Airão.


Braule acredita ter sido infectado durante a campanha eleitoral de 2020 e que apresentava os sintomas de covid-19 quinze dias antes de testar positivo.

“No dia 15 de novembro de 2020 eu senti meu corpo pesar. Do dia 15 ao dia 17 tive um forte agravamento de falta de ar e, então, dia 18 de novembro, no dia do meu aniversário, fui internado no hospital de Novo Airão. Quinze minutos após minha internação minha mãe também deu entrada no hospital. Minha mãe, Elizabete Andrade contraiu covid-19 junto comigo. Ela tinha sido internada três outras vezes com suspeita (de covid-19), mas os médicos sempre falavam para ela ir para casa, porque era pressão alta”.

O médico solicitou um exame de raio X e foi detectado que Braule estava com 60% do pulmão comprometido e sua mãe com 40%.

“Fomos transferidos de Novo Airão para o Hospital Delphina Aziz e fui para a UTI porque minha situação era mais grave, e minha mãe para a enfermaria. Essa foi a última vez que a vi. Ao chegar, fui rapidamente medicado. Após 5 ou 6 dias sendo medicado, pude perceber que lá ninguém pode ter nenhum problema emocional, nenhuma questão que mexa com a mente da gente, mas aumentou minha preocupação com minha mãe”.

No Delphina, Braule conta que conheceu um enfermeiro que foi um anjo em sua vida, o enfermeiro Carlos. “Deus colocou na minha vida para ser um alicerce”.

Ao ser isolado e sem comunicação com o mundo, a equipe médica era o único contato que os pacientes tinham. 

“Lembro que ele me disse que se a equipe médica tivesse que me entubar, eu poderia deixar pois ele sentia no coração dele que eu não iria morrer. Então isso me fortaleceu muito. 

Ele foi entubado. Passou 8 dias assim. 

“Lembro que o médico me informou que eu iria ser entubado e que era o único jeito que eles teriam para me salvar. Eu estava com muito medo, mas senti uma segurança naquele momento, e com a equipe médica toda ao meu redor só lembro que tomei a injeção e adormeci”.

Ele conta quando chegou ao Delphina sentiu que lá era um hospital de excelência, desde a limpeza impecável, de meia em meia hora, até os profissionais, ele agradece muito.

“Eles deixavam tudo todo tempo arrumadinho, com aquele cheirinho bom. Eu vi os técnicos de enfermagem que trabalhavam com as pessoas que eles nem conhecem, que cuidam da gente como cuidam de crianças. Lá a gente fica de fralda, eu nunca imaginei ficar de fralda, as pessoas cuidam da gente como cuidam dos seus filhos com amor”.

Ele diz que viu um Delphina totalmente diferente do que tinha em mente. 

“Entrei no hospital, vi que é completamente diferente do que pensava e completamente diferente do que a mídia passava pra gente, naquele momento ali eu entendi que era uma doença nova e que os profissionais ainda estavam se adequando ao tratamento do covid-19”.

O tratamento foi um desafio seguido de vitória para Braule. “Eu vi ali naquele momento a importância do fisioterapeuta na vida do ser humano. Quando eu saí de lá, passei quatro meses na mão do fisioterapeuta para voltar à vida normal. Eu não conseguia andar, não conseguia dar dois passos que eu cansava. Eu também vi a importância da nutricionista no cuidado com nossa alimentação. Depois que fui desentubado, a primeira vez que vi a minha família foi por vídeo chamada, e quem fez a chamada foi a assistente social. Ali é todo mundo fazendo a sua parte. Então tenho muita gratidão, é um sentimento muito forte que eu tenho de lá”.
 

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