Sábado, 08 de Agosto de 2020
questão de saúde

FVS descarta uma 2ª onda do novo coronavírus no Amazonas

Fundação de Vigilância avalia como difícil a volta do surto como em abril, mas todo cuidado é pouco



m_scara_3AAC1235-03A7-4556-8A40-E24FD28BBB1E.JPG Uso da máscara já era obrigatório e agora gera multa não usar. Foto: Junio Matos/Freelancer
01/08/2020 às 08:21

Com o atual cenário epidemiológico do novo coronavírus, a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) descarta a possibilidade de ocorrer um segundo pico da pandemia de covid-19 no Estado. E sair sem máscara gera multa de R$ 109.

A informação foi dada, ontem, pela diretora presidente do órgão, Rosemary Costa Pinto, à reportagem de A CRÍTICA. “O cenário epidemiológico atual demonstra que o Amazonas não terá a repetição de um pico da covid-19 como o registrado em abril e maio desse ano”, afirmou ela. Até a sexta-feira, o Estado contabilizou 100.940 casos confirmados para o novo coronavírus, 35.592 casos ocorreram em Manaus e 65.348 foram registrados no interior. Deste número, 85.546 pessoas já se recuperaram da covid-19 no Estado.



Conforme o último boletim epidemiológico, foram confirmados mais 800 casos da doença no Amazonas. Deste total, 26 casos foram confirmados por exame de biologia molecular RT-PCR, o qual identifica o vírus no organismo e detecta casos novos agudos entre o terceiro e o sexto dia de sintomas, período de transmissão da doença.

Os outros 774 foram confirmados por testes rápidos que detectam os anticorpos, com data de oito a 60 dias ou mais das primeiras manifestações da covid-19.

De acordo com Rosemary Pinto, ainda é precoce fazer uma análise de que o Amazonas consegue entrar na fase de pós-pandemia ainda este ano. Ela ressalta a importância de continuar mantendo os cuidados em saúde para evitar a propagação do vírus seja na capital ou no interior.

“Ainda assim, é preciso manter o cuidado preconizado desde o início da pandemia  como o uso de máscaras,  a higienização das mãos com álcool em gel e evitar as aglomerações. Vale lembrar que o vírus continua circulando”, destacou.

Ainda segundo o boletim, foram confirmados mais 16 óbitos pela doença, oito ocorridos nas últimas 24 horas e oito que tiveram confirmação diagnóstica na data de hoje, elevando para 3.268 o total de mortes. Na capital, de acordo com dados da Prefeitura de Manaus de quinta-feira, foram registrados 37 sepultamentos e dois óbitos domiciliares.

Internações

A taxa de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva Covid registrou um aumento de 72%. Os números foram consolidados pela Secretaria de Estado de Saúde (Susam) e correspondem a última quinta-feira (30). Em relação aos leitos clínicos covid, a taxa de ocupação estava em 58%. O aumento na taxa de ocupação de leitos covid, em relação às últimas semanas, a Susam destaca que é o reflexo do reordenamento da rede de saúde estadual. “Com a queda das internações no atual cenário da pandemia, os leitos destinados à covid foram reduzidos e estão sendo voltados gradativamente aos atendimentos de outras patologias”. Entre os casos confirmados de Covid-19 no Amazonas, há 264 pacientes internados, sendo 175 pessoas em leitos clínicos.

Situação estranha

Nos últimos quatro meses de pandemia, em nenhum momento, Manaus adotou o lockdown (termo em inglês para bloqueio total à circulação de pessoas), como ocorreu em algumas localidades da China, Espanha, Itália e Argentina. Por isso, a desaceleração do número de casos e de mortes na capital têm chamado a atenção.

Falta testar profissionais da saúde

Apenas um em cada três profissionais de saúde do Brasil foi testado para covid-19, de acordo com levantamento divulgado pelo Núcleo de Estudos da Burocracia (NEB), da Fundação Getulio Vargas (FGV). Embora as categorias da área estejam expostas, diariamente, a um alto risco de contágio da doença, somente metade dos funcionários recebeu equipamentos de proteção individual (EPI) para desenvolver suas atividades, no mês passado.

Os EPI faltaram, sobretudo, entre agentes comunitários de saúde e os agentes de endemia. Em junho, apenas 32% deles receberam esse tipo de item, por iniciativa dos respectivos empregadores. O índice está somente um pouco acima do registrado em abril, de 19,65%. Os apontamentos foram elaborados com base em uma segunda devolutiva do estudo A Pandemia de Covid-19 e os Profissionais de Saúde Pública no Brasil. O levantamento ouviu 2.138 profissionais.

Sair sem  máscara vai atingir o bolso

É no sentido de reforçar a obrigatoriedade de uso de máscaras em locais públicos e privados que a Prefeitura de Manaus publicou, quinta-feira, a Lei Nº 2.643 - a qual reforça a necessidade de manutenção das medidas preventivas ao novo coronavírus - no Diário Oficial do Município (DOM). Com a medida, o manauara que estiver sem máscara de proteção ou mesmo utilizando-se do item da maneira incorreta em espaços públicos ou privado será multado no valor de uma Unidade Fiscal do Município (UFM). O valor do UFM, para o exercício de 2020, está fixado em R$ 108,95.

A medida começa a valer desde a publicação do documento e “terá validade enquanto durar o surto da Epidemia e Pandemia da Covid-19 no município de Manaus”. A Lei nº 2.643, que torna o uso de máscara de proteção obrigatório em Manaus, é de autoria do vereador Dante Souza (PSDB) e foi aprovada pela Câmara Municipal de Manaus (CMM).

De acordo com o executivo municipal, tendo em vista que a mesma não apresentava nenhuma inconstitucionalidade, foi sancionada e publicada no Diário Oficial do Município (DOM) de quinta-feira, 30 de julho. A Prefeitura afirmou ainda estuda as normas e procedimentos internos para regulamentação e cumprimento da medida.

O Ministério da Saúde lançou dia 3/7 uma atualização para o aplicativo Coronavírus SUS que poderá rastrear e alertar sobre a proximidade e o contato com pessoas infectadas pela Covid-19. A tecnologia, chamada API Exposure Notificati on, já é usada em outros países, como Alemanha, Itália e Uruguai, e só será ativada caso o usuário habilite a função “notificação de exposição” nas configurações do aplicativo. Segundo o Ministério da Saúde, pessoas que estiverem geolocalizadas em um perímetro próximo de outras pessoas que informaram estar infectadas pelo novo coronavírus receberão um alerta.

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Repórter de Cidades
Jornalista formada pela Uninorte. Apaixonada pela linguagem radiofônica, na qual teve suas primeiras experiências, foi no impresso que encarou o desafio da prática jornalística e o amor pela escrita.

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