Sexta-feira, 25 de Setembro de 2020
saúde pública

FVS pede cautela no AM com as teorias sobre imunidade coletiva à Covid-19

Pesquisadores de Portugal, Reino Unido e Brasil dizem que Amazonas reforça a hipótese



coronav_rus_7DF57513-97C1-460E-A15B-D1B55888C917.JPG Fundação diz que até o momento não há certeza nessas teorias. Foto: Junio Matos
07/08/2020 às 06:37

Não é possível afirmar que o Amazonas tenha adquirido a imunidade coletiva ou a imunidade de rebanho, ou seja, quando uma parcela grande  da população é infectada com o novo coronavírus, e assim contribui para redução do número de novos casos de covid-19 no Estado.

A afirmação vai em contramão de um grupo de pesquisadores de Portugal, Reino Unido e Brasil que apontaram, durante um seminário realizado via internet na última terça-feira, que o Amazonas reforça a hipótese de imunidade de rebanho precoce. Ou seja, de que o limiar de imunidade coletiva ao Sars-Cov-2 possa ser alcançado quando 20% da população é infectada. O estudo realizado pelos pesquisadores é com base em um modelo matemático o qual considera que indivíduos de uma população têm diferentes graus de exposição ao novo coronavírus.



Dessa forma, a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) afirma que até o momento não há nenhum estudo que comprove com precisão a proporção de pessoas que já foram atingidas pela covid-19 no Estado. Para diretora-presidente da FVS-AM, Rosemary Costa Pinto, ainda há suscetibilidade ao novo coronavírus no Amazonas, no Brasil e no Mundo, por que ainda há circulação viral em ambientes e o risco de contaminação persistirá enquanto não houver a disponibilidade de um tratamento ou uma vacina eficaz. “A cada instante temos acesso a mais informações de pesquisas sobre taxa de suscetíveis e imunidade rebanho, mas a verdade é que estamos diante de uma doença nova e precisamos ter cautela em qualquer afirmação. O certo é que a imunidade de rebanho é alcançada quando há vacinação em massa, mas até o momento isso, não aconteceu em nenhum lugar do mundo”, salientou.

O coordenador do Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) Atlas Amazonas da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), professor Dr. Henrique dos Santos Pereira, destaca também não há possibilidade de afirmar que a população amazonense tenha adquirido "imunidade de rebanho”.

“É um equívoco afirmar que em Manaus, o Município e o Estado tenham adotado uma estratégia de "imunidade de rebanho", ou seja, ausência de medidas de isolamento social. Prova disso é que Manaus foi um dos municípios que alcançou os maiores índices de isolamento social. Os pesquisadores desconsideraram ou desconhecem esse dado”.

Ainda conforme o pesquisador, o modelo matemático utilizado pelos estudiosos pode comprometer ainda mais a teoria de que o Amazonas pode alcançar a imunidade coletiva. 

“É o estudo de Tom Britton, Frank Ball e Pieter Trapman, publicada na revista Science que serve como referência para os estudos do Atlas. Esse estudo nos oferecem outras alternativas. Esses pesquisadores, sim, foram os primeiros a usar modelos matemático heterogêneos”, explicou.

“O fato de que em uma população os indivíduos têm diferentes graus de exposição social, então diferentes probabilidades de contaminação, reduziria o nível de contaminação e imunização por doença necessários para a imunidade de rebanho”.

Ainda de acordo com ele, uma das possíveis explicações para alta taxa de letalidade, em Manaus, pode ter sido causada por múltiplos contágios, com portadores vindo de diferentes partes do mundo e assim introduzindo uma maior número de linhagens do vírus.

Cuidados devem ser mantidos

De acordo com monitoramento diário de indicadores da covid-19 da FVS-AM e de outras instituições como os Dados da Loft Science, observa-se que o número de reprodução do novo coronavírus no Amazonas está abaixo de 1, o que indica que, no momento atual a pandemia está sob controle. O número Rt, ou número de reprodução eficaz, é o número médio de contágios causados por cada pessoa infectada em um determinado ponto no tempo, levando em consideração mudanças no comportamento da população como a adesão a quarentena e uso de máscaras de proteção, por exemplo.

Rosemary Costa Pinto aproveita para reforçar junto a população as medidas preventivas contra a Covid-19. “A desaceleração de casos é importante, mas o vírus se mantém ativo e presente  por isso, mantenha o distanciamento social, uso correto das máscaras”, diz.

Seminário discutiu o tema

Tema  foi debatido por especialistas de Portugal, Reino Unido e Brasil, durante seminário on-line promovido pela Agência Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e pelo Canal Butantan na terça-feira, dia 4.

Em seminário, os pesquisadores corroboram a hipótese de que o limiar da imunidade coletiva ao SARS-CoV-2 pode ser alcançado quando algo em torno de 20% da população é infectada. Anteriormente, os trabalhos de modelagem feitos no início da pandemia demonstravam alcance entre 50% e 70%.“Se olharmos a questão pelo lado populacional, teríamos que buscar explicações que indicassem o porquê a população de Manaus seria mais suscetível e propensa a desenvolver formas graves da doença, do que a população de outras localidades. Algo que os debatedores não comentaram”, explica.

Pandemia no interior em  alta

Conforme o sistema de alerta do Atlas ODS Amazonas, a pandemia está em fase de aceleração nos munícipios do vale do Madeira.

Em relação a velocidade de casos, Henrique Pereira afirma que a pandemia ainda não está sob controle na maioria dos municípios.

“O indicador para número de casos é muito mais variável e tem maior grau de incertezas por depende da intensidade de testagem na população. Porém, como vem sendo observado mesmo com a redução na velocidade de óbitos, o número de casos segue aumentando, na maioria dos municípios, com variação de velocidade”.

Para o cientista de dados e professor de matemática da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Rodrigo Tavares Teixeira, os índices de óbitos se apresenta de forma mais precisa.

Ele afirma conforme seus gráficos de estudo que o os óbitos diários tem uma média móvel de 5 mortes dia.

“Em relação ao número de casos eu não tenho como afirmar muita coisa. O motivo é que não sabemos o percentual da população que está sendo testava, não sabemos o quanto esse valor representa em relação ao total da população que está ativa com o vírus. No colapso da pandemia esse número era bem pequeno hoje esse número é bem mais próximo do que seria o real Pois ela é mais próxima da realidade”, explicou.

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Repórter de Cidades
Jornalista formada pela Uninorte. Apaixonada pela linguagem radiofônica, na qual teve suas primeiras experiências, foi no impresso que encarou o desafio da prática jornalística e o amor pela escrita.

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