Sexta-feira, 14 de Agosto de 2020
POLÍTICA

Hospital Beneficente Portuguesa e prestadora de serviço são ouvidas na CPI da Saúde

Por causa de uma falha técnica, o depoimento do superintendente do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), Júlio Mário de Melo e Lima, foi cancelado



15_DELEGADO-PERICLES-PSL_CPI-DA-SAUDE_SOCIO-640x380_E3F60A93-E059-4136-BE1C-44EFED53E761.jpeg Foto: José Zamith/ALE-AM
01/07/2020 às 18:50

Em uma nova frente de apuração, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) ouviu nesta quarta-feira (1º), o presidente do Hospital Beneficente Portuguesa, Vitor Vilhena Gonçalo da Silva, e o representante da empresa Norte Serviços Médicos, Carlos Henrique Alecrim John. Por causa de uma falha técnica, o depoimento do superintendente do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), Júlio Mário de Melo e Lima, foi cancelado.

Em coletiva de imprensa na tarde desta terça-feira (30), membros da CPI da Saúde anunciaram que a investigação vai mudar de foco e que a comissão deve atuar em outras frentes "igualmente graves".



O representante da empresa Norte Serviços Médicos, Carlos John, afirmou à CPI que tem procuração para responder por todas as áreas da empresa. Segundo ele, os setores financeiros, recursos humanos, vendas e administrativos são de sua responsabilidade direta.

A CPI da Saúde investiga a contratação da empresa Norte Serviços Médicos para a lavanderia do hospital de campanha da Nilton Lins por meio de contrato indenizatório, quando não se firma um contrato especificando as características, valores e duração do serviço. 

Segundo a comissão investigadora, a empresa presta,desde 2017, serviços variados ao Governo do Estado, que vão desde jardinagem até serviços médicos e de enfermagem. De acordo com a CPI, no período entre 2017 e 2020, a Norte Serviços Médicos recebeu mais R$ 5 milhões por seriviços prestados ao governo estadual.

John explicou à CPI que no dia 8 de abril a Secretaria de Estado de Saúde (Susam) enviou um pedido de cotação de preço à Norte Serviços Médicos, que respondeu com valores no dia seguinte. 

“No dia 10, recebemos uma ligação do setor de compras que nós tínhamos oferecidos o menor preço. No dia 17, realizamos uma visita técnica ao hospital de campanha e no dia seguinte já iniciamos [a prestação do serviço]”, disse o procurador da empresa. 

Questionado pelo deputado estadual Serafim Corrêa (PSB) sobre a venda da empresa para a atual proprietária, Criselídia Moraes, por meio de João Vitor - que segundo o deputado, tem 22 anos -, John usou o direito legal de permanecer calado.

A empresa assegura que lavou 44 toneladas de roupas desde o dia 18 de abril, quando começou a prestar os serviços no hospital de campanha do Governo do Amazonas. Em média, seriam 3,5 toneladas de roupa por dia.

Segundo o depoente, as roupas eram lavadas em um anexo da empresa, no bairro Praça 14, mas no retorno ao hospital ninguém conferia as quantidades. O anexo onde eram lavadas as roupas do hospital de campanha foi desativado pela Norte Serviços Médicos com o fim da prestação de serviço.

Hospital Beneficiente Portuguesa 

Vitor Vilhena disse que o Beneficente Portuguesa teria condições de atuar como hospital de retaguarda, mas acrescentou que se a Susam quisesse que o hospital atuasse como polo de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) “teria que fornecer os respiradores e monitores”.

O presidente da instituição foi convidado pela CPI para esclarecer dúvidas sobre a recusa da Susam de não usar a estrutura do hospital filantrópico nos esforços contra a pandemia.

Conforme Vitor, em fevereiro, quando a pandemia iniciou no Amazonas, o hospital tinha apenas uma UTI, mas caso solicitado pela Susam, o hospital poderia ampliar os leitos até 13 unidades, com fornecimento dos respiradores e monitores pela secretaria de saúde.

Segundo ele, o hospital se ofereceu para ser uma unidade de retaguarda para cuidar de pacientes renais crônicos e cardiopatas; À época, no entanto, a secretaria achou a proposta interessante, mas “até hoje sem nenhum retorno”. 

O Governo alegou que o Hospital Beneficente Portuguesa não teria a estrutura necessária e, no dia 18 de abril, inaugurou o Hospital de Retaguarda Nilton Lins. O hospital entrou em atividade com 66 leitos, sendo 16 de UTI, segundo o Governo do Amazonas. A capacidade máxima da unidade é de 400 leitos.


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