Sexta-feira, 30 de Outubro de 2020
transtorno do sono

Insônia: entenda motivos e como dormir bem em tempos de pandemia

A neurofisiologista Letícia Soster explica como funciona o relógio biológico e como evitar o transtorno do sono



mulher-com-insonia_1F67F69E-1D6E-43E8-94F2-044D93E5013F.jpg Foto: DIvulgação
28/06/2020 às 14:34

Desde que a pandemia da Covid-19 chegou ao Brasil, milhares de pessoas passaram a voltar suas atenções às notícias, bem como ao cuidado e a prevenção ao novo coronavírus. Contudo, alguns efeitos desse período podem estar afetando a qualidade de vida da população, por meio de dores de cabeça, sonhos perturbados e insônia.

De acordo com a neurofisiologista Letícia Azevedo Soster, a insônia é uma sobrecarga do sistema de pensamento. “A insônia circunstancial ou aguda – como a que surgiu nesse momento de pandemia – naturalmente é passageira. Mas existem algumas dicas para sofrer menos com isso, pois à medida que o tempo passa, ela pode se tornar uma insônia crônica, o que é considerado um transtorno de insônia”, explica a especialista. 



Na classificação formal, o transtorno da insônia é quando dura mais de três dias por semana, por mais de três meses. “No entanto, devemos flexibilizar esses critérios de diagnósticos rígidos, pois se está trazendo sofrimento é um transtorno. Além disso, lembrar que não são casos isolados, mas uma sociedade inteira que está passando ao mesmo tempo pela mesma questão. Então, é importante cuidar da nossa saúde mental”, afirma Letícia.


Home office

A especialista alerta que o ser humano possui um relógio biológico, o qual emite sinais para  o corpo  dormir e para acordar. Mas esse processo depende de pistas externas, como fatores ambientais e sociais, para que funcione normalmente.

Se não tem uma rotina, como no caso do home office, onde você consegue maior flexibilização de horário, isso pode implicar em uma alteração do ritmo do sono. Além disso, a médica explica que fazer home office no mesmo ambiente em que se dorme, mesmo que em horários distintos, pode atrapalhar a rotina do sono. 

“É preciso ensinar o nosso cérebro sobre o que é cada local. Então, algumas dicas importantes são: organiza um canto da casa para trabalhar, acorde, tome banho, tome café da manhã, coloque uma roupa confortável - se vista para aquela atividade. Acabou o expediente, faça como se chegasse em casa: fecha o computador, desfaz ou disfarça aquele ambiente, e comece o seu momento de relaxamento”, orienta Letícia.

Quarentena

Com o isolamento social, a rotina da maioria das pessoas mudou e, com isso, todos tiveram que se readaptar à nova realidade para conseguir manter uma vida saudável e contribuir para a qualidade do sono. “Tem que criar ambientes na sala para fazer exercícios físicos, pois existem vários aplicativos, programas de televisão, YouTube, lives com aulas de meditação guiada, aulas de yoga, etc.”, aponta Letícia Soster.

A especialista também destaca que as mesmas recomendações podem ser aplicadas para as crianças, principalmente para aquelas em idade escolar que daqui a pouco irão retornar às atividades. Para isso, ela destaca que é fundamental transformar o ambiente menos ansiogênico possível e fazer com que a criança possa protagonizar a construção de uma rotina. 

“O mais importante é manter uma rotina relativamente fixa, não em minutos, mas mostrar para a criança os horários de acordar, fazer as refeições, brincar, estudar, dormir. Outra dica importante é evitar as telas após às 19h, pois o feixe de luz azul que as telas emitem são captadas diretamente por determinado núcleo do cérebro, o qual vai sinalizar se está dia ou noite, e influenciar a produção da melatonina, hormônio que ajuda a regular o sono”, afirma Letícia.

Higiene do sono

A neurologista ressalta que o sono é importante para o sistema imunológico, para se proteger de infecções. Para isso acontecer naturalmente, Letícia Soster explica que é preciso tomar atitudes práticas durante o dia, tais como: acordar em horários regulares; se expor ao sol no período da manhã, se possível; fazer refeições regulares à mesa; evitar comer assistindo televisão; preferir as escadas; sentar no chão; ficar menos tempo sentado; estabelecer um horário limite para ter acesso a informações e jogos que você perceba que aumentam o nível de pensamentos e emoções. 

“Lembrando que o transtorno do sono é das 24 horas. Então, para conseguir um bom relaxamento é preciso deixar para trás todo o estresse do dia; procurar focar em atividades que não alimentam o sistema do estresse. Relaxamento é entrar em contato com seu próprio corpo, observar suas emoções e levar um pouco de tranquilidade”, conclui Letícia Soster. 
 

Repórter de A Crítica

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.