Quarta-feira, 21 de Outubro de 2020
PERIGO

Pesquisador da cloroquina no AM faz alerta contra uso caseiro do medicamento

Marcus Lacerda destacou que o uso da cloroquina, sem controle médico, pode levar à morte. Segundo ele, já há pacientes dando entrada em estado grave nos hospitais por estarem fazendo uso do medicamento sem prescrição médica no AM



maxresdefault_76E39FF6-3707-4670-89F6-3FA8D22D2438.jpg Foto: Divulgação/Fapeam
15/04/2020 às 14:51

O coordenador da pesquisa amazonense com uso da cloroquina em pacientes graves infectados com o novo coronavírus (Covid-19), Marcus Lacerda, desestimulou o uso do medicamento de forma não controlada para prevenção à doença. Segundo Lacerda, o uso caseiro está levando pessoas a darem entrada no Hospital Delphina Aziz já em estado grave. A declaração foi feita na tarde desta quarta-feira (15), durante coletiva de imprensa que atualizou os dados da Covid-19 no Amazonas.

"Estamos desestimulando o uso dessa medicação. Como todos sabem, existem trabalhos científicos que mostram a alta toxicidade desse medicamento, principalmente quando combinado com a azitromicina. O uso desse medicamento só deve acontecer em ambiente de pesquisa, de forma controlada, devido ao grande perigo que é usar um medicamento desse tipo de forma descabida", pontuou.



Conforme o coordenador da pesquisa, pessoas que tiveram sintomas da doença e utilizaram da medicação para tentar se previnir, acabaram indo parar em estado grave no hospital.

"Estamos vendo pessoas chegando em estado grave que fizeram uso caseiro da cloroquina. É preciso que as pessoas saibam que esse remédio não é profilático, ou seja, não tem pesquisa científica no mundo todo que comprove a eficácia preventiva da cloroquina para pessoas que não queiram pegar a Covid-19", destacou Marcus Lacerda.

Leia mais >>> Dados de pesquisa do AM apontam que alta dose de cloroquina pode levar à morte

Apesar disso, o estudo com a cloroquina, que está sendo realizado no Hospital e Pronto Socorro Delhpina Aziz, na Zona Norte de Manaus, continua. O estudo, responsável por identificar, de forma inédita, a dosagem segura da droga em pacientes graves, deve continuar em atividade. 

"A população manauara reconhece a excelência da pesquisa que fazemos, há mais de 20 anos, nas áreas infecciosas do estado do Amazonas, por meio da Fundação de Medicina Tropical. Continuamos estudando e acompanhando os pacientes, utilizando a dosagem baixa, que não oferece riscos à vida, em pacientes do Delphina Aziz", explicou.

Para Lacerda, a grande corrida por um "medicamento milagroso" contra a doença não deve ser pretexto para que a sociedade se volte contra pesquisadores.

"O pesquisador está lá para fazer com que os outros profissionais de saúde façam melhor os seus trabalhos. Estamos também estudando diversos outros tipos de antinflamatórios e anticoagulantes mais potentes que achamos que vá fazer diferença em pessoas que estão internadas nas UTIs. Quanto mais cedo tivermos resultados, melhor será para a população", concluiu.

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