Quarta-feira, 05 de Maio de 2021
SEM ACORDO

Ludhmilla Hajjar nega convite para ministério da Saúde e alega motivos técnicos

Divergências com o presidente sobre o ineficaz 'tratamento precoce' e sobre o lockdown pesaram na decisão da médica, que teve duas reuniões com Jair Bolsonaro antes de rejeitar convite



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15/03/2021 às 12:23

A médica cardiologista Ludhmila Hajjar negou o convite para assumir o Ministério da Saúde após duas reuniões com o presidente Jair Bolsonaro - a última foi realizada na manhã desta segunda-feira (15). Em entrevista à CNN Brasil, ela alegou motivos técnicos para rejeitar o convite.

Em meio a demonstração de respeito e gratidão ao convite feito pelo presidente Jair Bolsonaro, ela destacou que é uma médica, cientista, e, por isso, vai continuar pautando sua vida em questões técnicas, “acima de qualquer ideologia”. “É essa posição que vou seguir a minha vida toda”, afirmou a profissional.



Ludhmila Hajjar afirmou que as reuniões com o presidente foram acompanhadas do ainda ministro Eduardo Pazuello, que foi paciente dela quando teve Covid-19, e que acredita que Bolsonaro está preocupado com o País porque passou a “ouvir médicos e convidar médicos” para o Ministério. “Ele vai encontrar alguém que esteja alinhado com o que ele pretende e se Deus quiser vai dar certo”.

As principais divergências de Ludhmilla com o presidente dizem respeito ao ineficaz tratamento precoce defendido por Bolsonaro e por ela combatido. “Deixei explícito desde o início, em todas as minhas pontuações, todos sabemos, o mundo todo sabe que o paciente precisa ser visto precocemente. Mas algumas medicações pregadas - cloroquina, ivermectina, azitromicina, zinco, vitamina D  -  já demonstraram não ser eficazes. Minha posição é essa e continuará sendo essa (...) Isso é algo que pontuei. O Brasil precisa se pontuar em evidências científicas para salvar as pessoas”.

A discussão sobre o lockdown foi tratada como algo que não deveria nem estar sendo discutida neste momento. “É claro que o Brasil não tem como decretar um lockdown nacional, é claro que o País é gigantesco, mas é pra isso que uma centralização, um Ministério forte, pautada em técnica, vai auxiliar Estados e Municípios nessas decisões. Tem casos que o lockdown vai ser necessário sim!”, asseverou, defendendo ainda a vacinação em massa e a ativação emergencial de leitos para tratar os pacientes que muitas vezes morrem sem o atendimento necessário. “Isso pode minimizar tempo de lockdown, pode amenizar o impacto social. Isso é ciência”.

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Jornalista de A CRÍTICA
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