Quarta-feira, 03 de Junho de 2020
pandemia

Mães, médicas e Covid-19: a jornada entre maternidade e salvar vidas

A realidade de mães que são médicas e estão na linha de frente do combate ao novo coronavírus



WhatsApp_Image_2020-05-10_at_14.25.46_BD21FC1F-116E-49C7-9BEB-A3E85F511AF6.jpeg (Da esq. para dir.) Júlia Gonçalves, Mariza Vasconcelos e Fabiane Giovanella levam dupla jornada (Foto: Divulgação)
10/05/2020 às 14:49

Em tempo de pandemia, o esforço incansável de cada profissional da saúde tem sido essencial para fazer o diferencial no combate ao novo coronavírus. Nesse contexto, mesmo diante do alto risco, todos os dias, médicas, que também são mães, superam o temor e deixam suas famílias para trabalhar na linha de frente dos hospitais e se dedicar a atender pacientes infectados pela Covid-19. 

As mulheres representam 70% dos profissionais de saúde em todo o mundo. E segundo relatório do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e da Fundação Oswaldo Cruz, 84,7% dos auxiliares e técnicos de enfermagem são do sexo feminino. Neste domingo (10) é celebrado o Dia das Mães. Por isso, o VIDA traz histórias de médicas que atualmente dividem o amor aos filhos e à família com a necessidade de cumprir um juramento à profissão: salvar vidas. 



Mariza Vasconcelos 

Pediatra intensivista há 23 anos no serviço público e prestadora de serviço em UTI’s de hospitais infantis, Mariza Vasconcelos também é mãe de Laura, 20, Eduardo, 24, e Vitor, 26. Devido a pandemia, a médica tem se dedicado ao trabalho por volta de 12h por dia. Pra minimizar os riscos de contágio para sua família, Mariza criou uma área externa de desinfecção em sua casa e tem mantido o distanciamento.

“Tenho trabalhado com a carga horária muitas vezes dobrada. Ao voltar para casa, entro de máscara e vou diretamente para o banheiro, sem entrar em contato com ninguém. Para proteger minha família, me distanciei totalmente do meu filho mais velho e da minha nora, que está grávida. Meus outros dois filhos permanecem em casa, mas mantenho um distanciamento protetivo”, afirma Mariza.

Quanto a rotina nos hospitais, a pediatra relata que embora as crianças tenham sido afetadas pelo Covid-19 em uma escala menor e com sintomas mais leves, o momento sempre causa apreensão em todos. “Recentemente tive uma paciente de dois meses com Covid-19 positivo. Ela precisou ficar em isolamento em uma UTI pediátrica e, infelizmente, a mãe não poderia ficar com o bebê. Foram momentos de preocupação e angústia, e também de compaixão com a tristeza da mãe. Mas, felizmente a criança não desenvolveu uma forma grave e recebeu alta”, relata a pediatra.

Para todas as colegas médicas que também são mães, Mariza deixa uma mensagem de esperança. “Sigam firmes, fortes e com fé. Cuidando sempre com muito carinho das nossas crianças e lembrando que elas sempre serão o amor de alguém”, conclui Mariza.

Júlia Gonçalves

Atuando na linha de frente , como diretora do hospital Santa Júlia, a médica nefrologista e mãe dos gêmeos Caíque e Gabriel, 9 anos, também sofreu as consequências do vírus.  “Tivemos covid eu, meu marido e meus dois meninos. Pelo lado profissional, a doença me fez entender mais ainda o que é o coronavírus, que não é uma simples gripe. Essa experiência me impulsionou cada vez mais a ajudar todas as pessoas que estivesse ao meu alcance”, afirma Júlia.

Para Júlia, que já acompanhou o atendimento de centenas de pacientes nessa pandemia, sua missão de vida é servir. Como mãe, ela quer deixar um legado. “Nessa pandemia, vou passar para os meus filhos lições com referência positiva de que vale muito a pena ganhar a vida cuidando de outras vidas. Me sinto totalmente recompensada com todas as curas, altas hospitalares, todas são motivos para impulsionar nosso maior objetivo: salvar vidas”, ressalta. 

Com as experiências vividas, Júlia faz uma ponderação positiva. “As dificuldades que estamos enfrentando está nos moldando para melhor, aprimorando nossas habilidades e competências, mudando nossa identidade profissional e materna, sendo um dos maiores pontos da mudança a sensibilidade e o amor ao próximo”, conclui Júlia.

Fabiane Giovanella Borges 

Ao trabalhar na linha de frente contra o Covid-19 em dois hospitais públicos da cidade, a infectologista Fabiane Giovanella também testou positivo para o novo coronavírus. Mãe de Pedro Henrique, de apenas 4 anos, a médica relata seus sentimentos. “Tenho medo como mãe, mas como profissional penso que o importante nesse momento é seguir o coração, amar suas escolhas, proteger os seus. Não é fácil, mas é possível”, declara Giovanella.

Habitualmente, sua área de atuação são paciente que convivem com HIV, mas em tempo de pandemia o cenário mudou. “Nesse momento, passamos a dar suporte ao atendimento de COVID-19. Já presenciei mães com filhos doentes, é muito difícil”, comenta a médica.

Da doença e das experiências, Giovanella faz reflexões. “Temos que entender que esse vírus é uma manifestação real e indicadora do quanto o ser humano precisa evoluir. Se considerarmos a velocidade em que o vírus se alastra, a solidariedade, o controle e a cura, ainda assim, são possíveis. Tempos de sofrimento? Sim. Mas, de resistência, combate e mudanças. Portanto, tenha fé! Cuide-se! Continue praticando o amor ao próximo na sua essência, aja com prudência, generosidade e com responsabilidade. Tudo vai passar”, conclui.

Repórter de A Crítica

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