Sábado, 24 de Julho de 2021
Um ano de pandemia

Médica do 28 de Agosto relata desafios e aprendizados dos 12 meses de pandemia da Covid-19 no Amazonas

Atuando na linha de frente do enfrentamento à doença, Uildeia Galvão contou sobre as dificuldades pessoais e profissionais ao longo do último ano



Sem_t_tulo_584F2822-2510-42EF-B98A-F1CFA88B5A24.jpg Foto: Divulgação / Secom
13/03/2021 às 12:27

Neste sábado (13/03), completa um ano da descoberta do primeiro caso de Covid-19, provocado pela infecção pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2) no Amazonas. A pandemia afetou a vida humana em todos os seus aspectos, e teve um profundo impacto nos sistemas de saúde, na economia e no comportamento social. No mundo inteiro, profissionais de saúde se viram na linha de frente do enfrentamento da doença, com suas rotinas alteradas drasticamente para lidar com a dor, perdas, decisões e despedidas.

“O começo foi muito difícil porque tivemos que lidar com algo desconhecido, um vírus novo para o qual ainda não havia um tratamento reconhecido. E a isso se agregou o medo de ser contaminado e a preocupação de transmitir para a família”, lembra a médica do Hospital e Pronto-Socorro (HPS) 28 de Agosto, Uildeia Galvão, que está na linha de frente desde o início da pandemia.



“Tivemos que nos afastar principalmente da nossa família para ter o cuidado de não levar o vírus para casa. Reforçar os cuidados de isolamento social, uso de álcool em gel, deixar a roupa na área de serviço, separar e segregar tudo, e em muitos casos até ficar só em casa, para não contaminar nossos familiares”, contou.

Para a médica, os últimos 12 meses foram de trabalho intenso, mudanças de rotinas, perdas de colegas infectados e afastados para tratamento, além de ter que lidar com a sobrecarga de serviço provocada pelo aumento de pessoas hospitalizadas.

Entre o primeiro pico e o segundo, registrado em janeiro de 2021, houve um período mais calmo com a redução do número de casos, mas o recrudescimento da doença elevou a níveis muito altos a necessidade de empenho dos profissionais no enfrentamento à doença.

“Foi muito difícil pelo volume de pacientes, pela capacidade de transmissão aumentada, por ser uma cepa que se apresenta mais grave e acometeu muitos pacientes jovens, entre 30 a 50 anos. Apesar do planejamento e da ampliação de leitos, esse aumento não suportou o número de pacientes que deram entrada nas unidades de saúde”, contou.

Aprendizados – Uildeia afirmou que nunca imaginou viver e trabalhar na linha de frente de uma pandemia. A médica relatou que o desafio proporcionou a ela novas experiências profissionais e pessoais.

“Minha profissão me impõe estar aqui e cuidar das pessoas. Absorvo como missão de vida. Sei o quão importante e necessário é voltar no dia seguinte, pois, além das pessoas que atendi, vai haver mais e mais pacientes que poderiam ser meus familiares, e gostaria que eles fossem atendidos com essa mesma vontade de salvar, atender, ajudar e levar conforto”, disse.

Dias de esperança – A médica diz que anseia pelo fim da pandemia, com um novo normal e com a saúde pública voltando a se dedicar aos casos não Covid. “Queremos tratar esses pacientes com mais tranquilidade, sem o medo de que sejam contaminados pela doença. Quero poder ver as pessoas, poder abraçar quem amamos e está precisando de conforto”, finalizou.

 

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