Segunda-feira, 25 de Maio de 2020
Pandemia

Médico e delegado do AM infectados por Covid-19 relatam a experiência

Lucas Mitoso e Ivo Martins falam sobre sintomas, o diagnóstico e como estão enfrentando a quarentena



90323075_2834458939979519_2655577019421631547_n__1__9E08848D-58E5-4D3C-9D01-E1C76D50AC5A.jpg O médico Lucas Mitoso dias antes de apresentar os sintomas. Reprodução/Instagram
29/03/2020 às 08:26

O receio e o medo são os sentimentos dominantes de muitas pessoas no Amazonas e no mundo desde que a pandemia do novo coronavírus (Covid-19) começou.  

Muitas mortes e pessoas infectadas assustam. Mas há também muita gente com esperança de que a situação possa ser amenizada com a descoberta de uma cura ou uma vacina.



Enquanto isso, o isolamento social tem sido a ferramenta para evitar a proliferação do vírus e o maior dos obstáculos para quem foi infectado. 

A reportagem de A Crítica conversou com algumas dessas pessoas que entraram na estatística do Estado (até este sábado eram 111 infectados). Elas relataram o que sentiram, como é estar na quarentena e o que esperam da vida após a recuperação. 

O médico Lucas Mitoso, 27, não é considerado do grupo de risco e mesmo assim foi infectado com a Covid-19. 
Ele diz não saber ao certo  como contraiu  a doença, mas acredita que pode ter sito em uma viagem feita no início do mês ou nos hospitais onde trabalha.   

Lucas contou o que sentiu antes de testar positivo. “Eu comecei a ter os sintomas no dia 17 de março, quando senti fraqueza, como se estivesse gripado. No dia seguinte fiquei com os sintomas de fato. Febre, dor no corpo e nas juntas, dor de cabeça febre e quase nada de tosse. Fiquei assim por três dias seguidos, iniciados em uma terça a noite, e na sexta-feira daquela semana eu já estava melhor. Na quinta eu fiz o exame e no sábado o resultado deu positivo”, contou. 

O médico disse que a coleta do exame foi feita por técnicos do Laboratório Central de Saúde Pública do Amazonas e diz não ter tido contato com ninguém. 

“No início dos sintomas eu já tinha me isolado. Fiquei no isolamento, sem contato com ninguém, já imaginando que poderia ser alguma coisa. E depois foi a quarentena mesmo. No isolamento, fico dentro do meu quarto, onde trazem comida para mim e não tenho contato com ninguém. Essa é a parte mais difícil. De não fazer contato, não poder sair e nem fazer atividades físicas e trabalhar. Isso realmente é uma parte bem difícil”, lamentou. 

Atualmente, ainda em quarentena, mas sem muitos sintomas, ele diz que o momento é complicado, mas é preciso não ter tanta ansiedade e entender que muita gente como ele vai ter apenas os sintomas brandos. 

"Por enquanto é preciso ficar em casa e esperar os próximos passos que as autoridades vão dar e dizer quando a gente vai poder voltar para as ruas. Como eu sou médico, assim que ficar bom eu vou, passados os 14 dias da quarentena, poder sair e voltar a atuar.  É bom ressaltar, até para tirar um  pouco da ansiedade das pessoas, que elas não fiquem assim porque  isso não vai fazer bem para a saúde.  É preciso tentar ficar tranquilo,  não tomar proporções maiores de ansiedade. Porque isso não vai fazem bem nem para a sua saúde física e nem par a mental”, disse ele.

'Ouça as orientações das autoridades de saúde'

Febre, tosse e dor no corpo. Esses foram os sintomas que fizeram com que o delegado Ivo Martins, 47, tomasse a iniciativa de realizar o teste para a Covid-19.

O exame deu positivo no dia 21 de março. Após o resultado, Ivo veio a público, através de suas redes sociais, fazer uma alerta pela prevenção.

Ele contou ao A Crítica fez uma viagem a trabalho em São Paulo, onde acredita ter contraído o vírus, mesmo tomando as devidas precauções como o uso de máscara e álcool em gel. 

“Cheguei de São Paulo no dia 17 (deste mês) e três dias depoi, os sintomas vieram. No sábado (21), eu fiz o teste. Lá (em São Paulo), eu estava tomando todos os cuidados, higienizando as mãos com álcool gel e usando máscara, mas é possível que eu tenha pegado no aeroporto em algum momento”, destacou.

Antes do resultado positivo, ele afirma que já estava em isolamento na própria residência sob os cuidados e orientações da esposa, que é enfermeira. 

“Após ter dado positivo eu continuei isolado, procurei melhorar a alimentação, me hidratar bastante e agora, tenho estado melhor. Eu alerto para que a população ouça as orientações das autoridades de saúde, se previna principalmente as pessoas de risco, para a gente poder passar por essa tormenta logo”, reforça.

Em casa, ele mora com o filho e a esposa. O menino está assintomático e a esposa dele apresentou sintomas e já fez o teste para o Covid-19. 

“A minha esposa fez o teste na quarta-feira e estamos aguardando o resultado. O meu filho está assintomático. Eu já estou melhorando, estou há quatro dias sem febre”, revelou o delegado, que também é professor de Direito Penal e Direito Processual Penal.

Colaborou: Karol Rocha

News 67871831 2375776725837034 8549020935401766912 n b8a48296 b506 45ea 8ef1 41a701c3e456
Repórter de Cidades
Formada em 2010 pela Uninorte, é pós-graduada em Assessoria de Imprensa e Mídias Digitais pela Faculdade Boas Novas. Repórter de Cidades em A Crítica desde 2018.

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.