Terça-feira, 07 de Julho de 2020
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Médicos podem ter doenças psicológicas com o aumento da demanda de trabalho

Lidando com os efeitos da Covid-19 diariamente, eles estão mais sujeitos ao vírus e a problemas psicológicos



m_dicos_DF81A6CA-D9B7-4F2E-AB55-31E6B839A273.JPG Profissionais estão na linha de frente no combate à pandemia. Foto: Alex Pazuello/Semcom
27/04/2020 às 19:17

O risco de doenças mentais entre os profissionais da saúde em meio à pandemia do Covid-19 é uma realidade cada vez mais acentuada. Eles estão muito mais expostos aos riscos de contaminação do que qualquer outra categoria profissional, pois mesmo quando tem acesso ao uso adequado de Equipamentos de Proteção Individuais (EPIs) acabam se envolvendo diretamente com inúmeras pessoas contaminadas pelo Coronavírus.

“Muitas vezes, o principal medo nem é de contrair o vírus, mas de levá-lo para pais, filhos e familiares e, dessa forma, prejudicar a quem amam”, relata a médica psiquiatra Alessandra Pereira.



Ela diz que são comuns, entre a classe médica, por exemplo, “os sentimentos de tristeza, impotência, desamparo pelo sistema caótico, desespero por ter que fazer escolhas difíceis diante da falta de estrutura adequada, sintomas depressivos, revolta e até crises de ansiedade”.

É muito forte a cobrança de que o médico apresente soluções e também a autocobrança em atender a uma demanda que em muito supera a capacidade dos técnicos disponíveis na rede pública.

“Além da deficiência de recursos humanos na saúde, já temos quase 20% do contingente de profissionais da saúde em Manaus afastados por motivo de adoecimento físico ou emocional. O profissional com adoecimento psíquico não conseguirá manter uma boa produtividade, muitas vezes tendo que se afastar da sua função laborativa. Em qualquer uma das circunstâncias, o prejuízo é imensurável. Tanto no plano pessoal, pois o profissional se sente incompetente e frustrado, quanto no plano coletivo, quando perde-se mais um colega da linha de frente”, afirma.

Reações

Alessandra Pereira diz que há os mais diversos comportamentos nos grupos sociais de médicos. Desde os alarmistas e cheios de  reclamações, para os quais nada está bom e nada presta,  até uma situação mais amena de colegas que compreendem a necessidade de se manter em paz. No entanto,  neurose é contagiante também. E, segundo a médica, pode contaminar toda uma equipe,  colocando sua autoconfiança na berlinda.

“Um luto é impactante para qualquer indivíduo. No entanto, o luto de colegas médicos, a intubação orotraqueal, o aumento de colegas infectados por falta de EPI adequado é muito mais impactante porque não ocorre com uma pessoa que você conhece, ocorre com várias”, declara a especialista.

Ainda sobre este luto, a psiquiatra pondera que essa fase pode ser seguida de reações que trazem prejuízos em diversas esferas do funcionamento emocional, social e cognitivo, afetando, assim, a atividade profissional sobremaneira.

“O posicionamento adequado das instituições, valorizando as ações corporativas para  o manejo do estresse ajudariam muito a reduzir esse impacto”, indica ela e completa: “É importante incentivar o suporte social entre os colegas de trabalho”.

Demanda maior

O presidente da Associação Médica do Amazonas (AMB-AM) e secretário-geral do Conselho Regional de Medicina do Amazonas (Cremam), Jorge Akel, diz que os médicos estão exaustos pela demanda expressiva de trabalho na rede pública, principalmente, “o que vem desencadeando transtorno de adaptação e transtorno de estresse agudo”.

Em nota pública, Akel se solidarizou com o momento atual dos profissionais de saúde do Estado que enfrentam, segundo ele, uma “árdua batalha de combate à pandemia”. “Principalmente os servidores públicos que estão encontrando uma maior dificuldade pelo aumento exponencial pelo  crescimento a demanda e a falta de equipamentos de proteção”, postou ele.

Sugestões que fazem bem

1. É  importante incentivar as chefias a ouvirem as sugestões dos profissionais  de saúde para aprimorar o ambiente de trabalho.

2. O profissional deve exercitar habilidades sociais e buscar interação com outras pessoas, como cortesia, formas delicadas de conversação, usar locuções como por favor, com licença, desculpe e obrigada.

3. Deve ter em mente o significado de gratidão e escrever diariamente sobre coisas boas em sua vida.

4. Fazer pausas adequadas de repouso e alternar lugares de baixo e alto risco e volume de  atendimento.

5. Tirar  tempo para si, para o casal e  ficar com a família.

Repórter de A Crítica

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