Quinta-feira, 28 de Maio de 2020
Pandemia

Modelo de cientista da UEA prevê 1,2 mil mortes por Covid-19 no AM até terça (12)

Modelo matemático prevê 12 mil casos confirmados de Covid-19 até a data e sugere que a doença ainda não alcançou o pico no Estado



perda_39281938-2E7E-4434-A951-3D359C607041.JPG Fotos: Euzivaldo Queiroz
07/05/2020 às 19:13

Até o início da próxima semana, o Amazonas deve registrar 12 mil casos confirmados do novo coronavírus e a quantidade de mortes pela Covid-19 poderá chegar a 1.200 até o dia 12. A previsão de infectados e de óbitos é baseada em um modelo matemático feito pelo cientista de dados Rodrigo Tavares Teixeira. Ele criou uma metodologia que prevê as curvas de infecção, de óbito e internações da pandemia no Estado. Os dados obtidos pelo cientista sugerem que ainda chegamos ao pico da doença por aqui.

Atualizadas regularmente, as previsões de crescimento do Covid-19 são baseadas nos dados oficiais divulgados pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM).



A metodologia, conforme o especialista, utiliza técnicas de Machine Learning (aprendizado automático) para treinar um modelo matemático de regressão que entende e prevê o comportamento de crescimento da Covid-19 nos parâmetros dos números de infecções, internações e de óbitos. De acordo com Teixeira, que é  professor de Matemática da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), o modelo prevê com eficácia os pontos das curvas em um intervalo de dias a uma semana, no máximo.

“Eu utilizo uma adaptação minha do modelo epidemiológico SIR. Meu objetivo não é reproduzir o modelo epidemiológico SIR, meu ‘goal’ é criar um modelo matemático baseado em diversas curvas diferenciais que são treinadas através de algoritmos de Machine Learning, o qual consegue prever, com assertividade mais alta que o modelo SIR, a previsão do crescimento”, explicou. “A vantagem dessa abordagem é que o modelo é autoalimentado, ou seja, a cada nova atualização dos dados o modelo atualiza e melhora as predições”, observou.

A análise estatística dos dados busca compreender o comportamento da pandemia para o Amazonas e quando será seu pico. “Esse é um modelo que usa ciência de dados para modelar a curva de infecções e óbitos para prever o crescimento em um curto intervalo de tempo. Se mantivermos esse ritmo de crescimento (da doença) chegaremos a 12 mil pessoas infectadas, segundo o que nos diz o modelo matemático. Em três dias, chegaremos acima de 10 mil casos”, comentou.

De acordo com o professor, para prever a letalidade, a quantidade de infectados é cruzada com o número de óbitos. Ele utiliza a média dos números de infectados de sete dias atrás e relaciona com a quantidade de óbitos atuais. A partir do dia atual, são feitas as previsões para os próximos dias.

“Eu percebi que existe uma relação entre a quantidade de infectados que são aferidos em um dia e a previsão de óbitos daqui a sete dias. A justificativa disso é que as pessoas incubam o vírus em média sete dias e isso vai se refletir no sistema de saúde mais à frente. Fazendo uma regressão disso, eu consegui chegar nos dados e assim fui fazendo essas regressões até chegar no dia atual, onde a gente pode fazer uma projeção mais adiante”.

O estudo de crescimento dos casos ajuda na tomada de decisões para o enfrentamento da pandemia no âmbito da UEA. “De dois em dois dias, eu monto um relatório, faço as previsões e a gente discute a respeito da pandemia. Esses relatórios têm embasado na tomada de decisões da UEA no combate à Covid-19. Eu estou dando a minha contribuição com isso e outros colegas também estão fabricando EPIs  para auxiliar nesse enfrentamento”.

'Não estamos no pico'

Além das projeções de infecções e óbitos pela doença, e até para poder calculá-las, o cientista levanta as estatísticas de casos de Covid-19 diariamente a fim de  compreender o andamento da pandemia no Estado. 

Com aumento progressivo no número de casos e a instabilidade nos gráficos obtidos até agora, Teixeira acredita que o Amazonas ainda não chegou no pico de casos  do coronavírus.

“Eu acredito que nós não estamos no pico da pandemia e isso mostra claramente quando você analisa o gráfico das infecções diárias. Se nós estivéssemos no pico da pandemia, o gráfico de infecções diárias tinha que estar pelo menos estável para que, depois dessa fase, começasse a reduzir e é isso que caracteriza o pico da pandemia: são os valores mais altos antes do decrescimento”, comenta.

“Quando você olha para o gráfico das infecções diárias, você percebe que apesar de ter alguns valores mais baixos, a tendência geral é de crescimento, então isso quer dizer que a gente pode estar até se aproximando do pico, mas não estamos no pico. Enquanto a curva continuar crescendo, significa que a gente não está no pico”, disse ele, ressaltando que o pico da pandemia poderá chegar ainda neste mês ou em junho.

Ele destaca ainda que são necessárias medidas mais firmes para o enfrentamento da pandemia, já que a curva de infecções pode ser prolongar. “Infelizmente, as pessoas não aderiram ao isolamento social voluntariamente e isso está fazendo com que as curvas de infecções continuem a crescer. Enquanto as pessoas continuarem se infectando, o pico não vai chegar e ele será alongado para mais adiante”, aponta o matemático. 

Governo usa outro estudo

Procurado para falar sobre as projeções com as quais trabalha, o Governo do Amazonas informou que usa um estudo científico coordenado pelos professores Samy Dana e Alexandre Simas. O estudo não teve custo para o Estado.

O modelo mostra que o Amazonas está atravessando o pico de casos neste momento e também prevê uma “grande exaustão” do sistema de saúde local, tanto público quanto privado. O estudo estima que o pico deva se estender até 11 de maio, podendo entrar em curva decrescente após isso.

“O Estado ressalta que para que essa curva decresça é necessário que a população siga as orientações de isolamento social”, afirma. O plano de reabertura gradual das atividades econômicas anunciado pelo Estado está condicionado à curva decrescente dos casos da Covid-19.

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Repórter de Cidades
Jornalista formada pela Uninorte. Apaixonada pela linguagem radiofônica, na qual teve suas primeiras experiências, foi no impresso que encarou o desafio da prática jornalística e o amor pela escrita.

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