Quarta-feira, 05 de Maio de 2021
Vacinação no Quilombo

Moradores do Quilombo Urbano Barranco de São Benedito recebem vacinação contra a Covid-19

Ao todo, foram aplicadas 139 do imunizante na manhã desta quinta-feira (22)



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22/04/2021 às 11:32

Moradores do Quilombo Urbano Barranco de São Benedito receberam a primeira dose da vacina contra Covid-19 na manhã desta quinta-feira (22). Dos 300 quilombolas residentes, 139 foram contemplados nesta primeira ação. A comunidade, localizada no bairro Praça 14, Zona Sul de Manaus, foi o segundo quilombo urbano brasileiro certificado pela Fundação Cultural Palmares (FCP) em 2015.

Segundo o coordenador e um dos líderes do quilombo urbano, Cassius Fonseca, esta ação é resultado de muitas lutas por reconhecimento do povo quilombola em Manaus.

"Além de estar na frente da liderança do São Benedito, também faço parte do Conselho Municipal de Saúde representante a comunidade quilombola. Recebemos essas 139 vacinas hoje. Mas não foi uma situação muito fácil. A Conaq [Coordenação Nacional dos Quilombos Rurais e Urbanos do Brasil], que faz a articulação política de ações afirmativas que garantem o direito para os quilombolas do país, moveu uma ação no Supremo Tribunal Federal para que a população quilombola também entrasse como prioridade nas vacinas. Não é questão de que queremos ser privilegiados. Mas se existe uma política de saúde para a população negra. Por que não cumpri-la?", ressaltou o líder comunitário.

Cassius Fonseca destacou que assim como o Barranco São Benedito, há também outros quilombos urbanos dispersos em todo o Amazonas que também necessitam de visibilidade e políticas de assistência à saúde, como exemplo.

"Há muitos quilombos aqui no Amazonas. Os nossos amigos do interior que são chamados quilombos rurais, os municípios de Novo Airão além de ter quilombo rural tem também quilombo urbano. Existe uma população muito grande de quilombolas nesse estado. Me parece que as pessoas, principalmente os políticos, desconhecem que existem negros no Amazonas. Parece que o Amazonas não tem uma política voltada para a população negra, não só para a saúde, mas como um todo", destacou Fonseca.

Resistência

Apesar de grandes perdas na comunidade, Cassius Fonseca conta que o Quilombo São Benedito não perdeu a força para continuar existindo.

"A gente teve algumas perdas quilombolas. Quem sabe se essas vacinas não tivessem chegado antes? Foi muito difícil toda essa situação, nós ainda estamos superando. Essa doença veio para nos ensinar muitas coisas. Para que a gente mudasse nossos hábitos e costumes. Temos que inserir isso a partir de hoje em nossas vidas. Mas vamos enfrentar como o mundo todo está enfrentando", contou o quilombola.

Defesa pela SUS

A estudante de Direito e porta-bandeira da Escola de Samba da Vitória Régia, Yasmin Menezes, 20, foi uma das quilombolas imunizadas. Emocionada, Yasmin conta que receber a vacina é bastante representativo para a história de luta da comunidade e principalmente pela existência do Serviço Único de Saúde (SUS)

"Estou muito emocionada por estar recebendo a vacina hoje aqui na minha comunidade. A emoção é tão grande que dá vontade de chorar. É muito importante porque vejo meu pai lutando há décadas para gente ter visibilidade. A minha família teve um caso de Covid-19 que veio a falecer. Também perdi vários amigos e pessoas queridas para a doença. A gente tem que defender o SUS. Se não fosse pelo SUS, não estaríamos sendo imunizados hoje", declarou Menezes.




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