Terça-feira, 03 de Agosto de 2021
CENÁRIO

Mortes por Covid-19 em 2021 em Manaus e Itacoatiara já superam as de todo o ano de 2020

Crescimento foi de 127% em Itacoariara e 108% na capital, que superou a marca de sete mil mortes nessa segunda-feira



show_000_1TU80S_23EBB856-ECB3-40FB-A743-88C6B86FE1A5.jpg Foto: Arquivo AC
16/02/2021 às 06:11

Manaus e Itacoatiara tiveram, nos primeiros 45 dias do ano de 2021, mais mortes por Covid-19 do que o registrado em todos os dez meses de pandemia em 2020. A despeito do preocupante crescimento de casos e óbitos em vários municípios do Amazonas, as duas cidades foram as únicas com aumento acima dos 100% em mortes pela doença.

Itacoatiara, a 176km de Manaus em linha reta, foi o que teve o maior índice de crescimento. Na cidade, foram 125 mortes em 2021 contra 98 em todo o ano passado, um aumento de 127,5%. Já em Manaus, foram 3662 óbitos este ano, em apenas 45 dias, contra 3388 no ano passado, um aumento de 108,09%. Todos os dados constam dos boletins diários da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM).



Nesta segunda-feira (15), Manaus ultrapassou - com certa folga - as sete mil mortes por Covid, chegando a 7050. O número é superior ao total registrado em 15 Estados e no Distrito Federal, o que é um sério indicativo de que as pequenas quedas registradas nos últimos dias em mortes e hospitalizações não tiram a cidade e o Estado como um todo do epicentro da Covid-19 no País.

Manaus ostenta, ainda, a mais elevada taxa de mortes por 100 mil habitantes: 322,99. A taxa não somente é a maior entre as capitais do Brasil como também supera os índices de vários países do mundo, como os Estados Unidos. No Amazonas como um todo, este índice também é o maior do país: são 241 mortes a cada 100 mil habitantes. A segunda posição é do Rio de Janeiro, com 182,5.

O pico de mortes atribuídas à Covid-19 em Manaus este ano foi o dia 14 de janeiro, data em que explodiu a crise de abastecimento de oxigênio nos hospitais da cidade e 144 com a doença foram a óbito, segundo os dados da FVS-AM. Na 'primeira onda', no primeiro semestre do ano passado, o recorde de mortes atribuídas à doença em único dia foi de 77, número alcançado em 23 de abril - praticamente a metade do registrado em 14 de janeiro.

Interior

A crise de oxigênio que começou em Manaus afetou diretamente o interior e impulsionou as mortes em vários municípios. Itacoatiara foi o principal deles. A cidade fechou 2020 com 98 mortes e agora chega a segunda quinzena de fevereiro com 223 falecimentos por conta da doença. São quase três mortes por dia em 2021, contra aproximadamente 0,4 óbitos diários em 2020 pela mesma causa.

Outros municípios não chegaram a dobrar o número de óbitos, mas ficaram bem perto da triste marca. Iranduba foi um deles. O município mais próximo de Manaus - 20km em linha reta e cerca de 30 minutos pela AM-070 - registrou 59 mortes em 2020 pela Covid e chegou a 55 este ano, segundo os dados da FVS-AM. Um salto de 93%.

Parintins, a 369km de Manaus em linha reta, e Manacapuru, a 70km da capital, também viram um crescimento substancial de casos fatais. A Ilha Tupinambarana teve um acréscimo de 50% no total de vítimas da doença. Foram 162 em todo o ano de 2020 e 81 este ano. Já Manacapuru viu um crescimento ainda maior: 54%, com 172 óbitos em 2020 e 93 este ano.

Os números crescentes de Itacoatiara, Iranduba, Parintins e Manacapuru, além de Tefé, Coari e Tabatinga e da capital Manaus, foram alvos de ação das Defensorias Públicas do Estado do Amazonas e da União, que buscam a imunização de 70% da população destas cidades para evitar a disseminação do vírus. O pedido foi feito à Justiça Federal e aguarda julgamento.

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Jornalista de A CRÍTICA
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