Segunda-feira, 25 de Maio de 2020
TEMOR

Municípios do interior do estado temem colapso hospitalar em Manaus

Protocolo de atendimento de casos graves de covid-19, segundo a presidência da AAM, é estabilizar o paciente e enviar à capital



1596058_8539C056-AFB0-49BC-A152-8AD6E538D2FE.jpg O presidente da AAM, prefeito de Maués, Júnior Leite disse que muitas prefeituras estão se adiantando e “fazendo compras próprias” por temerem atraso de recursos. Foto: Divulgação
08/04/2020 às 08:22

Diante da dificuldade para obter equipamentos de proteção individual (EPIs) como máscaras N95, avental médico, luvas e até álcool em gel, municípios do interior do Amazonas se mobilizam e usam recursos próprios do tesouro municipal para evitar o desabastecimento da estrutura médica.

Com uma disputa internacional por esses insumos, secretários de saúde, Associação Amazonense de Municípios (AAM) e o Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Amazonas (Cosems-AM) informaram à reportagem que muitos municípios estão com dinheiro em conta, mas não conseguem fazer aquisição de equipamentos e insumos.



As estratégias adotadas pelos municípios com objetivo de garantir o atendimento de pacientes testados positivos para a Covid-19, são das mais diversas. Ampliação de funcionamento de UBSs (Unidades Básicas de Saúde), UBSs separadas para atender casos de síndrome gripal, racionamento do uso de EPIs, permuta de insumos entre municípios vizinhos, são alguns exemplos.

Preocupação

O presidente da AAM, prefeito de Maués, Júnior Leite disse que a principal preocupação dos prefeitos do interior é com o “estrangulamento da saúde” na capital, Manaus. De acordo com  o prefeito, o protocolo de saúde no interior para os pacientes que apresentam quadro grave do novo coronavírus é “estabiliza e manda para a capital”.

Ele pontua que muitas prefeituras estão se adiantando e “fazendo compras próprias” por temerem que os recursos repassados pelo governo do Estado e Ministério da Saúde não cheguem a tempo.

“Tenho visto muitos prefeitos se adiantando e fazendo compras próprias. Esperando a complementação do Estado e do governo federal e prevendo que não será suficiente, muita gente fez esse movimento. Com recurso do cofre da prefeitura mesmo, pessoal comprando EPIs, testes rápidos, e quem pode comprando até equipamentos”, disse o presidente da AAM.

Maués ainda não registrou caso positivo do novo coronavírus. Ontem, o Amazonas totalizou 104 novos casos, totalizando  636 infectados com 23 mortes. Do total de casos, 80% estão em Manaus, com 560 infectados. No interior são 76, em 12 municípios. Manacapuru lidera o ranking no interior do Estado com 42 casos confirmados e três óbitos. Também estão na lista:  Itacoatiara, Santo Antônio do Içá, Parintins, Tonantins, Iranduba, Boca do Acre, Anori, Novo Airão, Careiro da Várzea, Jutaí e São Gabriel da Cachoeira.

No dia 30 de março,  o governo do Estado anunciou a liberação de R$ 23 milhões do Fundo de Fomento ao Turismo, Infraestrutura, Serviços e Interiorização do Desenvolvimento do Amazonas (FTI),  para os municípios aplicarem em ações de combate à pandemia do novo coronavírus.

Sem previsão de uso de médicos

A reportagem procurou o Comando do 9° Distrito Naval e o Comando Militar da Amazônia (CMA). A Marinha do Brasil informou que no interior do Amazonas tem realizado, por intermédio de suas capitanias e agências o controle e triagem de vigilância sanitária, estruturados pelos órgãos competentes, a fim de detectar possíveis sintomas do coronavírus.

Disse que até o momento, dentro do escopo da Operação Covid-19 do Ministério da Defesa, não há previsão de emprego do corpo médico da Marinha do Brasil na região.

Afirmou que a Marinha está pronta para empregar os meios navais subordinados ao Comando da Flotilha do Amazonas, que atuam nos trechos navegáveis dos principais rios da Bacia Amazônica, em atendimento às demandas que sejam apresentadas pelo Comando Conjunto Amazônia do Ministério da Defesa, dentro da Operação Covid-19.

Governo monta estrutura de transporte e insumos

O secretário executivo adjunto de Atenção Especializada ao Interior da Secretaria de Estado de Saúde (Susam), Cássio Espírito Santo, ressaltou que o governo do criou um fluxo específico para o transporte de suspeitos e de pacientes graves de Covid-19 do interior para capital. A medida envolve transporte aéreo, rodoviário e fluvial.


Secretário executivo Cássio Espírito Santo cita fluxo para o transporte de pacientes. Foto: Reprodução/Internet

“Montamos um serviço de UTI aérea exclusivo para pacientes suspeitos ou confirmados. Nos municípios polos, vamos instalar leitos de UCI (Unidade de Cuidados Intermediários), com monitores, respiradores, para dar apoio. Nos municípios de Itacoatiara e Manacapuru, como o acesso é terrestre, vamos colocar ambulância exclusiva para a remoção desses pacientes. Colocaremos mais uma ambulância e uma ambulancha no Porto da Ceasa, em Manaus, e vamos montar um serviço de remoção exclusivo de pacientes do interior em ambulâncias totalmente adequadas”, explicou Cássio.

Os pacientes mais graves, segundo o governo, são mantidos em leitos de isolamento nas unidades de saúde dos municípios até que a Susam providencie a transferência dele para Manaus em uma UTI aérea.

A Susam, de acordo com o govero, reforçou o serviço de UTI aérea, disponibilizando três aeronaves exclusivas para o transporte de pacientes com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por Covid- 19.

As UTIs aéreas dispõem de equipe médica intensivista e equipamento completo de suporte à vida, sendo uma aeronave de propulsor a jato, outra aeronave bimotor turbo hélice e uma aeronave monomotor anfíbio (operação água e pista).

Lembra também que os municípios receberam kits para coleta de amostra biológica de pacientes suspeitos. Uma vez coletada, essa amostra é encaminhada para Manaus, para ser processada no Lacen-AM. E que os municípios receberam 389,5 mil itens de Equipamentos de Proteção Individual.


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