Domingo, 24 de Janeiro de 2021
IGNORANDO O PERIGO

Negação da realidade é fator para que pessoas deixem de usar máscaras, afirma psicóloga

A CRÍTICA ouviu especialistas em comportamento humano sobre o que explica o uso cada vez menor de máscaras de proteção por parte da população nas ruas do Amazonas



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24/11/2020 às 13:20

Embora não haja ainda a vacina contra o novo coronavírus, tem sido cada vez mais comum ver os amazonenses deixando de lado o uso das máscaras de proteção e ignorando distanciamento social, protocolos necessários para evitar a propagação da Covid-19. Adotando pouco ou nenhum cuidado, a população volta a frequentar os espaços públicos e com isso, promovem aglomerações.

Psicólogos explicam que existem diversos fatores para esse tipo de comportamento de parte da população, entre eles a negação. “As pessoas negam o perigo das coisas. A negação vem inconscientemente e faz com que a pessoa negligencie o que está acontecendo, pois é traumático enxergar e isso o faz sofrer”, explicou a psicóloga e especialista em psicanálise, Nazaré Mussa.



“Não é que a pessoa normalize a existência do vírus, ela simplesmente negligencia a responsabilidade que ela deveria ter com a pandemia. Ela nega a existência do vírus e aí vai vivendo como se nada tivesse acontecido”, destacou ainda.

De acordo com o psicólogo e especialista emocional, Geisyng Azevedo, a questão do exemplo é muito forte para as pessoas. Então, se uma autoridade qualquer que seja não adote os cuidados necessários para conter a propagação do vírus, aquele indivíduo será influenciado a também não precaver-se.

“O que tem a ver com o comportamento e a emoção é o fato de que muitas autoridades não apoiarem a utilização de máscaras de proteção, e isso faz com que as pessoas se encorajem a também não usarem. É como se elas pensassem: essa pessoa não pegou o vírus, eu também não irei pegar”. Conforme o especialista, o comportamento também é característico do narcisismo, ou seja, o excesso de apreço e o culto a si mesmo. O indivíduo não acredita será possível contrair a doença.

“Outra questão é o processo da pessoa que acha que ela é inatingível. Essas pessoas são as narcisistas que acham que estão acima da lei. O narcisismo é um processo tanto para quem é muito consciente quanto para quem não tem tanta consciência assim”.

Máscaras de proteção como barreira

Ainda não há previsão e nem data de quanto a população amazonense terá o acesso a vacina contra Covid-19. Até então o que se sabe é que chegou à fase final o estudo clínico da CoronaVac, a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com biofarmacêutica Sinovac Life Science. De acordo com informações do governo de São Paulo e do Instituto Butantan, os resultados sairão na primeira semana de dezembro e a previsão é a de que, até janeiro de 2021, 46 milhões de doses estejam disponíveis no Brasil.

Enquanto isso, a médica infectologista, Solange Dourado, volta a destacar a necessidade de se manter os protocolos de segurança em saúde como o uso de máscaras de proteção, aderir ao distanciamento social, lavar as mãos com frequência e evitar levar as mãos sujas até a boca ou aos olhos. “É importante a gente manter esses cuidados, até por que você não sabe quem tem o coronavírus e quem não tem. A própria pessoa não sabe se ela está contaminada. Então, quando se está utilizando uma máscara, você está impedindo que caso tenha alguma coisa na sua orofaringe, você leve isso para fora do corpo e alcance outra pessoa. A máscara funciona como uma barreira”, reforçou ela, que relembra o risco de se contrair a Covid-19.

“Para que isso funcione de uma forma melhor ainda, você mantém a distância, pois caso essa máscara não segure o vírus tanto quanto deveria, se garante a segurança com o distanciamento. Vale lembrar que as gotículas que saem da sua boca alcançam até 1,5 metros. Então, o que a gente percebe é que as pessoas estão cansadas do vírus,  mas a gente precisa lembrar que o vírus não descansa”, finalizou a médica.

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Repórter de Cidades
Jornalista formada pela Uninorte. Apaixonada pela linguagem radiofônica, na qual teve suas primeiras experiências, foi no impresso que encarou o desafio da prática jornalística e o amor pela escrita.

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