Terça-feira, 01 de Dezembro de 2020
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Nutrição e ansiedade: como manter uma dieta saudável na quarentena

Em tempos de pandemia, ficar em casa pode gerar ansiedade e você acabar cometendo o pecado da gula. Especialistas explicam como fugir desse transtorno e se manter firme no regime alimentar



alimentacao_saudavel_DBBB95DD-15F0-42FF-A015-AF9E1C69D106.jpg O nutricionista Daniel Guedes e a psicóloga Adriana Pacheco dão dicas de cardápio e atitudes para combater a ansiedade (Foto: Divulgação)
05/04/2020 às 01:44

Com a chegada do novo coronavírus, está sendo necessário fazer alguns ajustes na rotina para não colocar a saúde em risco. Ficar em casa é uma das principais recomendações. Porém, essa medida pode trazer algumas consequências, como agravar ou desenvolver quadros de ansiedade, o que pode influenciar a mudanças no padrão alimentar. No Brasil, cerca de 9,3% da população sofre com algum tipo de ansiedade, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

No entanto, especialistas afirmam que a alimentação pode ajudar a vencer a ansiedade e, assim, conseguir manter uma dieta balanceada. “A alimentação ajuda fornecendo nutrientes e precursores hormonais que auxiliam o nosso corpo a manter o equilíbrio e produzir hormônios que nos causam a sensação de bem-estar e felicidade”, afirma o especialista em nutrição comportamental, Daniel Guedes.



A psicóloga Adriana Pacheco esclarece que uma boa alimentação gera também a sensação de cuidado pessoal. “A ansiedade é vencida com uma rotina ajustada, o que envolve uma boa alimentação e horários bem estabelecidos para o desenvolvimento de atividades do dia a dia. Isso leva o indivíduo a um bem-estar por sentir que está investindo em si mesmo”, garante.

Menu saudável

De acordo com o nutricionista, os alimentos recomendados para vencer a ansiedade são as fontes de gordura, proteína e fibras. Conheça alguns deles e entenda o valor nutricional desses alimentos, de acordo com Daniel Guedes.

  • Fontes de gordura: carnes em geral, ovos, abacate, açaí, pupunha, tucumã, queijos, castanhas (do Pará ou do Brasil, de caju, macadâmia, pistache, amêndoas) e leguminosas (amendoim), azeite, coco, óleo de coco, manteiga. As gorduras boas são indispensáveis para manter a saúde das nossas células, além de serem fundamentais para a produção de hormônios, absorção de vitaminas e produção de algumas moléculas importantes para o metabolismo.    

"Alimentos ricos em gordura por dois motivos: primeiro, sabemos que grande parte das pessoas ansiosas descontam na comida. Dessa forma, alimentos ricos em gordura precisam de um maior tempo para o esvaziamento gástrico, ou seja, gera maior saciedade, diminuindo as chances de comer em excesso. O segundo motivo é que as gorduras boas são indispensáveis para manter a saúde das nossas células, tanto as que fazem parte do sistema nervoso como de todo o corpo,  além das gorduras serem fundamentais para a produção de outros hormônios, absorção de vitaminas e produção de algumas moléculas muito importantes para o metabolismo de forma geral", afirma Daniel.

  • Fontes de proteína: proteínas em pó (whey e blends), leite, ovos, queijos, soja, proteínas em pó vegetal, carnes brancas e vermelhas. Elas são fundamentais no organismo, pois auxiliam na produção de hormônios, células, tecidos, músculos, etc. Ela também aumenta o tempo de esvaziamento gástrico, reduzindo a comilança constante.

"Esses alimentos são os tijolinhos de construção do nosso organismo e corpo, sendo fundamentais para a produção de tudo, desde hormônios, células, tecidos, músculos, etc. Além de que, de forma semelhante à gordura, eles também têm a capacidade de aumentar o tempo de esvaziamento gástrico, diminuindo a comilança em exagero constante", garante o especialista.

  • Fontes de fibras: legumes e folhosos em geral, tais como: abóbora, acelga, agrião, aipo, berinjela, brócolis, cenoura, chicória, chuchu, couve manteiga (folha), couve-flor, ervilha, escarola, espinafre, jiló, maxixe, nabo, palmito, quiabo, rabanete, repolho roxo e verde, rúcula, vagem. Esses alimentos aumentam a saciedade e ajudam a produzir e absorver vitaminas, manter a saúde intestinal e assim garantir um bom funcionamento em nossos intestinos, o que auxilia na produção de serotonina, a qual cerca de 90% a 95% é produzida no intestino.

"Alimentos ricos em fibras são fundamentais devido a mais lógica questão de aumentar a saciedade e manter o fluxo intestinal adequado. Contudo, eles também funcionam como prebióticos - comida para as bactérias benéficas do nosso organismo que ajudam a produzir e absorver vitaminas, manter a saúde intestinal e assim garantir um bom funcionamento em nossos intestinos, o que auxilia na produção de serotonina", comenta.

  • Frutas em geral, desde que consumidas de forma natural e não transformadas em suco, ou seja, comendo a mesma por inteira, retirando apenas as partes não comestíveis, como cascas e caroços. Exemplos: abacate, abacaxi, açaí, acerola, ata, banana, camu-camu, carambola, coco, figo, jaca, kiwi, laranja, limão, maçã, mamão, manga, maracujá, melancia, melão, morangos, pera, pitaia, uva.

Portanto, mesmo diante da pandemia, o nutricionista alerta que com algumas medidas simples é possível garantir uma alimentação saudável. “Na hora de comprar os alimentos, faça uma lista do que é necessário e do que é preciso evitar. Sempre fuja de alimentos industrializados, ricos em açúcar refinado, carboidratos simples, como bolachas e sucos prontos, e estimulantes que costumam favorecer a ansiedade, como o café e chá preto. Sua saúde e seu estado de humor agradecem”, adverte Daniel.

Fique atento

A psicóloga esclarece que como o ato de comer é prazeroso, a pessoa ansiosa pode tentar amenizar suas angústias por exageros na frequência, quantidade e tipo de alimentação, geralmente as mais viciantes – com açúcares em excesso – para ter a sensação de prazer, mas tão logo vem a culpa e isso a leva a um ciclo vicioso de gerar ainda mais ansiedade. 

Para quem sofre com ansiedade, mas quer manter uma dieta equilibrada para alcançar algumas metas, como o emagrecimento, Adriana recomenda algumas medidas, como buscar ajuda com profissionais habilitados e não entrar em dietas com promessas de emagrecimento rápido. “Esse tipo de dieta gera maior ansiedade, pois impõe um ritmo de muita pressão para alcançar resultados de emagrecimento que não se sustentam ao longo da vida da pessoa, gerando o “efeito sanfona”, causando desânimo, frustração e maior ansiedade”, alerta.

Repórter de A Crítica

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