Segunda-feira, 17 de Maio de 2021
Mais transmissível

'P.1': Variante da Covid-19 já circulava em novembro em Manaus

Por volta do dia 15 de novembro de 2020, a evolução de pelo menos 17 mutações únicas da B.1.128 levou a uma nova 'capa' da proteína Spike, apontada como a espícula que o coronavírus utiliza para entrar nas células



show_show_variante1232_E0CF6CC1-A712-4BA3-A922-EFD34D72B314.jpg Foto: Reprodução/Internet
16/04/2021 às 18:23

Um estudo publicado na revista Science na última quarta-feira (14) indica que a variante do coronavírus identificada em Manaus, chamada de P.1, teria surgido em em meados de novembro de 2020. O resultado das análises de 184 amostras coletadas entre novembro e dezembro do último ano também indica que a variante é cerca de 1,7 a 2,4 vezes mais transmíssivel. A informação foi divulgada pelo jornal Folha de São Paulo na tarde desta sexta-feira.

A pesquisa integra o projeto Cadde (Centro de Genômica e Epidemiologia de Arbovírus), e reúne cientistas do Reino Unido e do Brasil.

Conforme o estudo, por volta do dia 15 de novembro, a evolução de pelo menos 17 mutações únicas da B.1.128, variante predominante durante a primeira onda de Covid-19 no Amazonas,  levou a uma nova 'capa' da proteína Spike, apontada como a espícula que o coronavírus utiliza para entrar nas células. Ou seja, uma nova variante estava em disseminação antes das festas de fim de ano.

O potencial de alta transmissibilidade da variante identificada em Manaus já havia sido alvo de estudos em janeiro, quando a cidade viveu o cenário de colapso do sistema de saúde, sendo agravado por uma crise de falta de oxigênio medicial e aumento exponencial de novos casos e internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave. Pesquisas indicam que o cenário da pandemia no estado coincide com a chegada da P.1, entretanto, os cientistas sugerem que ainda não é possível afirmar que a variante foi a principal causa da gravidade do cenário pandêmico, ou que ela seja mais letal.

Alta transmissibilidade confirmada

O segundo principal resultado do estudo aponta para uma taxa de transmissibilidade de 1,7 a 2,4 vezes na capacidade do vírus circular. Diferentemente da variante B.1.128,  que costuam infectarem média uma pessoa a cada infectado, para cada pessoa com a variante P.1, quase três pessoas podem ser infectadas. 

“Ou seja, é o dobro, quase o triplo. Em termos de saúde pública, estamos essencialmente frente a uma variante que se espalha mais rapidamente e, possivelmente, não temos ainda certeza, causa uma infecção por um período mais longo”, explica Nuno Faria em entrevista à Folha. Faria foi um dos pesquisadores do Imperial College (UK) a coordenar o estudo.

Em outro trecho, os pesaquisadores sugerem que a taxa de reinfecção da P.1 pode atingir até duas pessoas e meia a cada cinco, no cenário mais conservador.  Conforme o estudo, esse dado indica que de 54% a 80% da população que já teve Covid pode ter alguma proteção contra a nova forma. 



“Em outras palavras, 21% a 46% dos casos da segunda onda em Manaus podem ter sido de reinfecções com a variante P.1. Mas esses dados precisam ainda de confirmação”, disse a pesquisadora Ester Sabino à Folha.

Conforme publicado por A Crítica, antes do colapso registrado nos meses de fevereiro, março e abril em diversos estados brasileiros, o pesquisador da Fiocruz, Felipe Naveca, alertou para a circulação da P.1 no Brasil. Para o pesquisador, barreiras poderiam ter sido feitas para impedir a circulação da variante inicialmente identificada em Manaus.

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