Segunda-feira, 25 de Janeiro de 2021
SAÚDE MENTAL

Pandemia: sentimento de medo aparece com mais intensidade em amazonenses

Psicólogos afirmam que é preciso diferenciar o medo “comum” de defesa e o medo patológico



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11/01/2021 às 07:10

O elevado número de casos, internações e de óbitos devido a pandemia do novo coronavírus vem sendo um dos principais fatores para o desencadeamento de doenças da mente. Para algumas pessoas, o medo tornou-se uma constante o que, consequentemente, as deixam estagnadas.

Os motivos para essa sensação são a possibilidade de contrair o vírus, a ideia de morrer, de perder familiares e amigos, e até de ficar sem o emprego já que evita sair de casa. O fotógrafo Alailson dos Santos, 27, conta que suas férias foram marcadas para janeiro por acaso e por isso, segue em isolamento. Mesmo de folga, ele suspendeu as pedaladas por medo de ser contaminado pela Covid-19.



“Meu cotidiano é pedalando e não tenho feito isso devido ao receio de sair e voltar pra casa trazendo vírus pra minha família”, disse. “Esse receio começou quando percebi pessoas, cada vez mais próximas, sendo internadas e falecendo logo em seguida. Eu não saio de casa de forma alguma e tento conversar em todos os grupos de amigos para terem consciência de ficarem em casa”. 

A jornalista Elke Santana Aucar, 43, afirma do receio que tem de deixar a própria casa seja para ir ao trabalho ou para o mercado. “Eu ando sentindo um medo horrível de sair, levantar da cama, e não consigo nem me concentrar para desenvolver algum trabalho”, comentou.

“Todos os dias, eu perco alguém conhecidos, parentes ou amigos e isso está me deixando apavora cada dia. Estou me sentindo impotente diante desses acontecimentos, e ficando cada dia mais deprimida e assustada”.

Conforme Elke, os problemas se agravaram por conta da segunda onda da pandemia em Manaus. Para enfrentar os desgastes mentais, ela é recebe acompanhamento de profissionais

“Na primeira eu já fiquei assustada e agora eu senti que agravou, por que não estamos vendo saída pra resolver isso e algumas pessoas brincam como se isso jamais fosse acontecer com eles. Estou em acompanhamento psicológico, tomando alguns remédios para tentar amenizar esses turbilhoes de emoções assustadoras”.

O que recomendam os psicólogos

De acordo com a psicóloga Nazaré Mussa, é preciso diferenciar o medo "comum" quando é de ameaça e o medo patológico. “O medo é uma reação natural do ser humano diante a uma ameaça. O que se vive no mundo hoje tem suscitado o temor das pessoas é isso aumenta a ansiedade, o estresse e a síndrome do pânico vêm crescendo devido o panorama mundial”, comentou.

“O medo não nasceu do dia para noite, ele vem sendo alimentado desde o começo da pandemia de COVID-19. É importante entender o medo “normal” que seria uma defesa, do medo patológico que seria algo irracional”. O psicólogo Geisyng Azevedo pontuou alguns motivos que levam as pessoas temerem situações e destacou como as pessoas podem, de alguma forma, enfrentar o momento.

“Quem já tinha uma pré-disposição a síndrome do pânico, o transtorno tende a exacerbar durante esse período de mais pressão. São vários os motivos para o medo e um deles é fato de os hospitais estarem lotados, por que elas sabem que se adoecerem, eles provavelmente não terão um leito; a superexposição midiática do tema também pode contribui para que pessoas sintam medo; a incerteza do futuro, se haverá a vacinação ou não”, ressaltou.

“Sobre as formas de lidar, é importante que as pessoas busquem ajuda profissional, tentem filtrar as informações que são veiculadas, se manter positivo na maior parte do tempo, fazer práticas de meditação. Distrair a mente, nesse momento, é de extrema importância para que você saia dessa energia mais densa do medo”, finalizou. A psicóloga Nazaré Mussa recomenda que a população analise os próprios pensamentos, faça meditação e se certifique das notícias verdadeiras.

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Repórter de Cidades
Jornalista formada pela Uninorte. Apaixonada pela linguagem radiofônica, na qual teve suas primeiras experiências, foi no impresso que encarou o desafio da prática jornalística e o amor pela escrita.

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