Sábado, 24 de Julho de 2021
FUTURO DA PANDEMIA

Perigo de novas variantes da Covid-19 exigem que população redobre cuidados

Com a vacinação ainda a passos lentos, especialistas ressaltam a importância do isolamento social e da higiene para evitar que novas cepas do coronavírus surjam e causem novas ondas da doença



vacina_-_Junio_Matos_9702C32E-3DB4-4EC8-B98E-E95576B20DF1.jpg (Foto: Junio Matos)
13/03/2021 às 17:29

Após a segunda onda da Covid-19 ter atingido em cheio o Amazonas em janeiro, a taxa de ocupação de leitos de Covid-19 apresenta queda nos últimos dias, em Manaus. Conforme o Boletim Diário, edição de nº 342, divulgado na quinta-feira (11) pela Fundação de Vigilância em Saúde do Estado (FVS-AM), a capital apresenta taxa de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em 81,97% e leitos clínicos em 54,76%.  (atualizar com dados de hoje)

Durante o pico da segunda onda, no dia 16 de janeiro, Manaus chegou a ter taxa de ocupação de leitos de UTI em 95,43% e leitos clínicos em 100,62%.



De acordo com o médico infectologista, Marcus Vinitius de Farias Guerra, a curva de incidência da segunda onda, após 60 dias do seu início, mostra certo declínio. No entanto, apesar da queda de ocupação de leitos de Covid-19 na capital, a população não deve relaxar nos cuidados contra o vírus.

“Em 7 de março de 2021, os números já eram semelhantes aos de agosto de 2020, indicando que a incidência volta a números endêmicos, alertando a todos que não podemos relaxar em qualquer medida individual ou coletiva de proteção, assim como a rede assistencial deve estar em alerta e ativada”.

Segundo o médico, o total do número de casos confirmados de Covid-19 no Amazonas (327.523 pessoas) corresponde apenas a 8% da população do Estado, por isso, a atenção deve ser redobrada. 

Variantes no Brasil 

Apesar das vacinas atuais como a Coronovac do Instituto Butantan/Sinovac; e a AstraZeneca da Fiocruz/Oxford terem sido elaboradas com base em amostras anteriores da Covid-19, pesquisadores acreditam que as vacinas sejam eficazes na imunização da população.

Segundo dados da equipe de vacinas Oxford-AstraZeneca, os imunizantes ainda protegem da mesma forma contra a nova variante do Reino Unido. Ele oferece menos proteção contra a variante da África do Sul, embora ainda deva proteger contra casos graves.

No Brasil, na última quarta-feira (10), o Instituto Butantan informou que estudos preliminares realizados com pessoas vacinadas demonstram que a Coronavac é capaz de neutralizar variantes do novo coronavírus. Dados iniciais apontam, segundo o instituto, que a Coronavac é capaz de combater as variantes P.1 (identificada em Manaus) e P.2 (identificada no Rio de Janeiro) do novo coronavírus.

Para o pesquisador do Fiocruz, Joaquin Carvajal, apesar dos resultados preliminares, ainda é necessário um estudo aprofundado para saber se essas variantes são mais letais e possuem maior transmissibilidade de fato.

"Estamos fazendo esse estudo junto com a organização pan-americana para saber sua maior transmissibilidade. Ela pode se espalha mais rápido. Isso que temos que entender, pois isso satura mais rápido o sistema [de saúde]. É necessário um monitoramento contínuo. Não podemos deixar de fazer a vigilância genômica [amostra genética dos pacientes], como esse vírus muta e se essas mutações podem ser mais letais. Elas são variantes parecidas. A variante do Reino Unido já apresenta 30% de letalidade maior. Isso preocupa", descreveu o pesquisador.

Joaquin acrescenta ainda que nessa corrida contra o tempo para fabricação de novas doses e imunização da população, espera que a sociedade confie no que os cientistas dizem e que os órgãos públicos invistam cada vez mais em pesquisas científicas.

"As medidas tem que ser bem feitas. Tem que utilizar a máscara em todo canto, usar álcool em gel. O plano de imunização deve ser aplicado de forma rigorosa. A gente sabe que nesse momento emergencial a gente se preocupa com os cortes de investimentos que o governo faz. Devemos acreditar na ciência. Assim como em um ano conseguimos fabricar vacinas para Covid-19. No futuro conseguiremos, quem sabe, fabricar vacinas para dengue, ou malária, por exemplo", acrescentou.

Vacinação no Amazonas

Até a tarde desta quinta-feira (11), 421.425 doses da vacina contra o novo coronavírus foram aplicadas no Amazonas. No entanto, do total de vacinados, apenas 21% já recebeu a segunda dose da vacina (94.678 doses) e 72,4% do grupo prioritário recebeu a primeira dose (326.747 doses).

Tendo em vista os dados, grande parte dos amazonenses ainda necessita tomar a segunda dose para a proteção contra a Covid-19. Segundo o médico infectologista, Marcus Vinitius de Farias Guerra, o número de imunizados ainda é muito baixo, outra razão para se continuar com as medidas de proteção contra o vírus.

“Levando em consideração os imunes de forma natural (pela infecção) e os imunizados de forma artificial (vacina), ainda temos um número muito baixo de possíveis imunes, por essa razão ainda não é possível considerar a população protegida o que determina a recomendação das medidas de proteção e segurança tanto por parte dos estabelecimentos autorizados a funcionar assim como as medidas de proteção individual”.

Cuidado Redobrado

É por isso que a assessora parlamentar, Alessandra Cristina Ferreira Martins, 47 anos, leva muito a sério os cuidados de prevenção contra a Covid-19.  Como retornou ao trabalho presencial, ela leva quatro máscaras para trocar durante o dia. Alessandra é tão cuidadosa que tem dois ‘portas-máscaras’, um para levar o item limpo e outro, o sujo.

“Como eu uso o transporte público, eu desço do ônibus e vou passando o álcool em gel na mão e na alça da bolsa. E quando eu chego em casa o meu sapato já fica do lado de fora, assim como as roupas que coloco logo para lavar. E quando vou ao mercado, eu limpo tudo o que eu compro, o que eu posso lavar, eu lavo”.

Ela mora com a mãe, uma senhora de 68 anos e o irmão, um jovem de 35 anos. Ela reforça que só pensa na própria saúde, mas principalmente no bem estar do próximo. Segundo a assessora parlamentar, ninguém da família adquiriu a doença e ela atribui isso ao cuidado que tem diariamente.

“Eu redobrei os cuidados em nome da saúde dos meus familiares. Só bebo água, café e como alguma coisa quando vejo que todos estão de máscara no meu trabalho. Eu tenho terror só de pensar em pegar o vírus, e já deixei de almoçar por conta disso. Sou neurótica, mas tudo que está acontecendo nos deixa triste e aterrorizados”, finalizou.

Resta saber se a população amazonense aprendeu algo com a chegada da segunda onda ou se irá cometer os mesmos erros novamente. A pandemia ainda não acabou. 


 


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