Domingo, 28 de Fevereiro de 2021
PERIGO

Pesquisadora da Fiocruz alerta para riscos de novo vírus surgir na Amazônia

Margareth Dalcomo afirmou que estão sendo criadas condições para vírus do mundo animal atingirem humanos



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24/01/2021 às 09:57

A médica pneumologista e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Margareth Dalcomo alertou, em entrevista à rádio CBN na sexta-feira, para as próximas pandemias e com grandes chances de um vírus, da família coronavírus que causa infecções respiratórias, surgir na Amazônia.

“Essa não será a última epidemia de nossas vidas. Essa epidemia é o reflexo de como estamos tratando mal o nosso planeta. Estamos criando condições propícias para que vírus do mundo animal atravessem a barreira e venham a ser nocivos para os seres humanos. A nossa Amazônia é um enorme celeiro e habitat de coronavírus. Se continuarmos a tratar a nossa Amazônia mal como estamos tratando nós podemos ter uma epidemia nascendo no Brasil”, declarou.



Segundo a pesquisadora, a distribuição das 2 milhões de doses da vacina de Oxford/AstraZeneca permitirá vacinar a mesma quantidade de brasileiros em razão do intervalo entre as doses ser de três meses, o equivalente a 12 semanas, assegurando tempo para fabricação de novas doses pela Fiocruz.

“Dá tempo da Friocruz fabricar as doses recebendo a IFA (Ingrediente Farmacêutico Ativo) e de fazer a distribuição pelo PNI. Existe um timing que é diferente entre as duas vacinas”, disse referindo-se a Coronavac que tem intervalo entre as doses de 28 dias.

Ela explicou que é necessário vacinar, no mínimo, 70% da população brasileira para alcançar a imunidade comunitária e, assim cessar a cadeia de transmissão do novo coronavírus, diminuir o número de mortes e as internações hospitalares. 

“Para isso precisamos ter vacinas produzidas e a perspectiva brasileira não é ruim. Temos duas vacinas aprovadas e reguladas e duas instituições com grande capacidade de produção local", disse, acrescentando que a Fiocruz e o Instituto Butantan têm capacidade de produção de 15 milhões de doses por mês, cada.

*Custo*

A médica afirmou que vacinas contra a Covid-19  estão sendo fabricadas com um custo humanitário e que o acordo internacional impede a comercialização por clínicas particulares. Contudo, ela não descarta que no futuro, quando a pandemia estiver controlada, o imunizante seja disponibilizado também na iniciativa privada.

“A vacina da AstraZeneca está sendo fabricada com o custo de 3,16 dólares por cada dose. É um custo muito pequeno. Custo do custo. Não há nenhum problema de haver vacina vendida no mercado privado. Mas neste momento seria absolutamente intolerável abrir (a vacinação) para as clínicas privadas sem que houvesse uma cobertura grande da população vacinada. Não será aceito no Brasil e em nenhum lugar do mundo até o momento”, explicou.

A médica disse que o Sars-CoV-2, causador da Covid-19, não será erradicado e irá se manter em situação endêmica. Ela explicou que as novas variantes do novo coronavírus não mudaram a virulência do vírus, a capacidade de provocar casos graves e óbitos, ocasionando a disseminação mais rápida, por exemplo, em Manaus (AM), na Inglaterra e na África do Sul.

"Sempre vamos fazer diagnóstico diferencial de uma doença viral. Ele (Covid-19) vai passar a fazer parte. Pode se manifestar de diversas maneiras e não há dúvidas de que ele não vai desaparecer. Ficará entre nós durante muito tempo”, afirmou a pesquisadora da Fiocruz.

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Repórter de A Crítica

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