Sexta-feira, 03 de Abril de 2020
PANDEMIA

Por meio de pronunciamentos, Bolsonaro divide o país em plena crise pandêmica

O presidente voltou a minimizar a pandemia do novo coronavírus e criticou os governadores dos estados pelas medidas restritivas adotadas para diminuição das infecções



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26/03/2020 às 09:25

O pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), em que ele criticou o fechamento das escolas e as restrições de abertura de comércios, não foi bem recebido por parlamentares da bancada do Amazonas no Congresso Nacional. Durante o discurso de rádio e televisão, Bolsonaro disse que tomou ações que contivessem a histeria com relação à pandemia do novo coronavírus (Covid-19), e disse que crianças e adultos devem sair do isolamento e retornar às atividades externas, contrariando as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS).

e acordo com o senador Omar Aziz (MDB), a questão econômica deve estar em segundo plano em relação à saúde da população. Sobre o posicionamento de Bolsonaro em relação a suspensão das aulas na rede pública, Omar Aziz disse que as crianças podem transferir o vírus para pessoas acima de 60 anos, que compõem o grupo de risco. 



“O presidente perdeu o rumo e levou essa discussão para o ‘estômago’. Ele não liderou esse processo desde o primeiro momento. E o pior de tudo que eu vejo, é o próprio governo ‘batendo cabeça, onde o presidente fala uma coisa e o ministro da Saúde fala outra totalmente diferente. Ninguém no mundo está preocupado com a questão econômica, mas em salvar vidas”, avaliou o senador Omar.

O senador Plínio Valério (PSDB) disse, porém, que enxerga exageros em algumas medidas restritivas, mas segue as orientações dos especialistas em saúde. O parlamentar não se posicionou, especificamente, com relação às falas de Bolsonaro, e disse apenas que pensa diferente do presidente.

“Vejo sim alguns exageros em algumas medidas restritivas, mas não sou expert em vigilância sanitári. E, como cidadão, cumpro as orientações. É um problema de todos nós. Segundo os especialistas, realmente ataca a faixa vulnerável e os idosos estão aí, mas falam também nos portadores de doenças congênitas. Mesmo que ataque só os idosos, continuaria sendo um problema de todos nós”, disse o senador.

O deputado federal delegado Pablo Oliva (PSL) disse que se preocupa com os empregos atingidos, com as empresas impactadas e com a economia brasileira. O parlamentar, porém, afirmou que não pode minimizar os riscos de uma doença que atingiu o mundo todo.

“Medidas efetivas dos governantes devem ser implementadas em favor dos trabalhadores e dos empregadores, pois esse é o papel do Governo em tempo de dificuldades. A vida deve estar no foco central. Ações de atenção à saúde e de socorro à economia devem estar de mãos dadas, pelo bem de todos, hoje e depois que for debelada a pandemia”, disse o parlamentar.

Para o deputado federal Marcelo Ramos (PSL), o posicionamento do presidente Jair Bolsonaro é angustiante porque contraria as manifestações e orientações do ministro da Saúde, Luiz Mandetta, e isso pode confundir a população.

O governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), utilizou as redes sociais para dizer que não vai retroceder nas medidas de restrição tomadas contra a pandemia, publicada em decretos.

“A minha posição é muita clara, não vamos voltar atrás de nenhuma decisão tomada pelo governo do Amazonas, até porque elas foram tomadas de maneira responsável, seguindo o protocolo estabelecido pelo Ministério da Saúde do governo federal ”, disse o governador.

Confira a análise de Ezra Azury, vice-presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus

O comércio   é favorável à sua reabertura, mas com alguns critérios que temos  que tomar. Uma das mudanças, seria com relação aos horários.  Podemos estar trabalhando com um horário de abertura no Centro, outro horário de abertura nos shoppings. Horários diferentes que não conflitem os canais. Temos também a situação dos ônibus. Com esses horários não haveria tanta aglomeração porque seriam distintos.

Quando o Centro estivesse funcionando, o shopping estaria fechado e vice-versa. Com isso, nós entendemos que a gente pode manter as pessoas com o mínimo possível de atividade comercial. Nós temos centenas de informais, que dependem de o comércio estar aberto. Por exemplo, técnicos de refrigeração, informática, diaristas.

Uma das propostas do comércio seria que empresas que tivessem pessoas no grupo de risco, poderiam ser contempladas com algum tipo de bolsa e elas não precisariam ir trabalhar. Mas as pessoas que são saudáveis e jovens, que não têm contato com pessoas da idade avançada, essas podem ir trabalhar e fazer a economia girar. Não vai ter tanto problema com relação a isso.

O maior risco que a gente pode correr é o de todos nós não termos forças para reerguer a economia, se demorar muito com a economia fechada”.

Comércio pede flexibilização

O presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Ataliba Filho, disse que as autoridades não podem radicalizar e engessar totalmente o segmento do comércio. De acordo com ele, o governo do Amazonas permitiu liberdade nas ações dos comerciantes neste período. “A flexibilidade com a moderação, creio que sejam o caminho. O Governo do Estado, no decreto 42.106/20, viabiliza isso. Aproveito para enaltecer o posicionamento do governo que por coerência e prudência reconheceu esta necessidade!”, disse o presidente da ACA.

O decreto 42.106/20, publicado na última terça-feira (24), estabelece que os estabelecimentos comerciais vão atender, preferencialmente, na modalidade delivery, a fim de evitar aglomeração de pessoas dentro do estabelecimento comercial.

Além disso, entende-se que os serviços essenciais vão ser mantidos como o abastecimento de água, gás, energia, telefonia e internet. Os estabelecimentos também devem necessariamente, atender às normas de prevenção e combate ao coronavírus, a fim de que seja minimizado o risco de disseminação da pandemia.


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