Quarta-feira, 08 de Julho de 2020
PANDEMIA

Prevalência da Covid-19 é maior que a média nacional em três municípios do AM

De acordo com estudo da Universidade Federal de Pelotas, os municípios de Tefé, Manaus e Parintins têm mais que 1,4% da população infectada pelo novo coronavírus



WhatsApp_Image_2020-05-13_at_15.16.27_7E8FAA32-1DFF-46F0-B980-B01BD7E23685.jpeg Foto: Junio Matos
26/05/2020 às 17:24

Ao menos três municípios do Amazonas estão entre os municípios com maior prevalência da Covid-19 no Brasil, segundo apontou um estudo da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), financiado pelo Ministério da Saúde. Os dados preliminares foram divulgados nesta terça-feira (26) durante uma coletiva virtual de imprensa com os pesquisadores que coordenaram o estudo.

Segundo os resultados da pesquisa, cerca de 19% da população de Tefé tem ou já teve o novo coronavírus - o que significa que 12 dos 60 mil moradores já foram infectados. O município tem a segunda maior taxa entre as cidades pesquisadas.



Além de Tefé, a pesquisa também foi realizada em Manaus (onde 12,5% da população tem ou já teve a Covid-19), Parintins (com 5% da população infectada) e Lábrea (que registrou menos de 1% da população com o vírus). 

Com exceção de Lábrea, os municípios do Amazonas ficaram entre as 20 cidades com maior prevalência da Covid-19 no país.

Os dados foram coletados entre os dias 14 e 21 de maio, por entrevistadores do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) em 133 cidades de todos os estados. Além de um questionário, os participantes também realizaram um teste rápido para a Covid-19.

Nesta primeira fase da pesquisa, mais de 25 mil pessoas foram entrevistadas e testadas. A presença de anticorpos para a Covid-19 significa que, em algum momento, o indivíduo já teve contato com o coronavírus. Em média, 1,4% dos entrevistados testou positivo para a doença.

Com base nos dados, o estudo chegou à conclusão de que para cada caso oficialmente confirmado da Covid-19 há sete casos reais de infecção pelo novo coronavírus.

Segundo Pedro Hallal, coordenador geral do estudo, o país não deve mais contar os casos da Covid-19 em milhares, mas sim em milhões.

“Os casos confirmados, que aparecem nas estatísticas oficiais, representam apenas a ponta visível de um iceberg cuja maior parte está submersa. Para conhecer a magnitude real do coronavírus, é obrigatória a realização de pesquisas populacionais”, comenta.

O pesquisador explica que o Brasil testa muito pouco e que a falta de testes pode trazer uma falsa sensação de segurança.

“Isso é preocupante, visto que as demais seis pessoas que não sabem da infecção podem, involuntariamente, transmitir o vírus para outras pessoas”, alerta.

Na entrevista, um dos pontos que chamou a atenção dos pesquisadores foi a diferença entre a prevalência do vírus entre as regiões brasileiras. Em estados do Sul e do Sudeste os números foram inferiores ao Norte, por exemplo.

Para a pesquisadora Mariangela Silveira, poucos estudos chegaram a índices tão altos como os registrados nos estados do Pará e do Amazonas. Isso indica, segundo ela, uma penetração maior do vírus nesses locais.

Segundo Silveira, outro ponto observado a partir dos dados do estudo é que, no Norte, a pandemia pode ser mais forte nos municípios do interior do que nas capitais.

Isolamento social

Os entrevistadores do Ibope também questionaram sobre a adesão a medidas de isolamento social. No Amazonas, 61,3% dos entrevistados afirmaram cumprir as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS).


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