Terça-feira, 20 de Abril de 2021
Vacinação em massa

Projeto traça meta de vacinar 2 milhões de amazonenses em apenas um dia

Apresentada pelo deputado Pablo Oliva (PSL-AM) ao Ministério da Saúde e ao TSE, proposta de ‘vacinação democrática’ quer usar todo o sistema da justiça eleitoral para imunizar população do Estado



78d829f8-a764-4a07-a549-ce57414e9a66_DCDF2A26-8E32-4627-877B-FD6839341704.jpg Foto: Junio Matos
18/02/2021 às 08:01

Um projeto assinado pelo deputado federal Pablo Oliva (PSL-AM) e pelo servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas Messias Andrade traçou a ousada meta de vacinar cerca de 2 milhões de amazonenses em apenas um dia. O projeto, chamado Dia da Vacinação Democrática, busca utilizar todo o sistema da Justiça Eleitoral para viabilizar um processo de vacinação livre de fraudes e que atingiria toda a parcela da sociedade amazonense acima dos 18 anos.

O projeto traz como data sugerida para a realização da vacinação o dia 4 de abril e, de acordo com o deputado federal, ele já foi apresentado para representantes do Ministério da Saúde, inclusive o ministro Eduardo Pazuello, e da Justiça Eleitoral, entre os quais o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral. A ideia, segundo ele, foi bem recebida. "Ele comentou que como fizemos recentemente as eleições, com todas as medidas de segurança, não há razões para não adotar este projeto", afirmou o deputado.



Para que o projeto seja colocado em prática são necessárias, obviamente, as doses de vacina para a imunização.  O projeto é baseado, inicialmente, um vacinas de dose única, ainda não aprovadas no Brasil. "A aprovação da Anvisa para utilização do maior número possível de vacinas (a exemplo do imunizante da Johnson & Johnson que está em fase final de aprovação) é requisito importante para execução do processo de vacinação. O objetivo é prover aos cidadãos uma dose única da vacina que possibilitaria imunidade mais completa e rápida. Caso não seja possível, teria de se pensar em um segundo dia para todos os vacinados retornarem para a segunda dose das vacinas homologadas pela ANVISA: Coronavac e Oxford/AstraZeneca", destaca o projeto.

Caso fossem adotadas somente as vacinas já liberadas, haveria a necessidade de duas doses. Em março, por exemplo, mês que antecederia o dia da vacinação em massa caso ele fosse adotado, está prevista a distribuição de 35 milhões de doses para os Estados, sendo 16,9 milhões da Astrazeneca e 18,1 milhões da Coronavac.  Ou seja, o Amazonas necessitaria de pouco mais de 10% do total de vacinas distribuídas ao Estado para ter o suficiente para a aplicação das duas imunizações necessárias.

Os valores para esta operação que o deputado espera ser aprovada e levada para os outros Estados do País  são de, aproximadamente, R$ 16,5 milhões para a parte logística - isto para uma operação em apenas 'um turno'. Estariam inclusos, aí, os pagamentos de mesários e profissionais de saúde envolvidos no processo. "Sai R$ 8 por pessoa vacinada, ainda mais barato que a vacina. Não tem nada igual no Brasil e nem no mundo", comentou o parlamentar.

Tal qual nas eleições, o governo estadual e o municipal serviriam de apoio para o projeto, fornecendo apoio pessoal e suplementos, atuando de forma complementar em um processo que seria capitaneado pelo TSE e pelo Ministério da Saúde. A Câmara dos Deputados, segundo o projeto, poderia inclusive ceder recursos para a execução, segundo o planejamento apresentado.

O parlamentar, que foi eleito pelo mesmo partido que o presidente Jair Bolsonaro disputou e venceu as eleições presidenciais, afirmou que pretende apresentá-lo pessoalmente ao presidente.

Democracia

Para trabalhar o projeto, o deputado federal afirma que usou de sua experiência na Polícia Federal - ele é delegado de carreira -  coordenando operações diversas. Ele também contou com  os trabalhos de Messias Andrade, que foi diretor-geral do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) e coordenou o processo de implementação do cadastramento biométrico.

Ele usou como principal argumento para a elaboração da proposta a necessidade de que a vacinação seja também um ato democrático, assim como o voto o é. "Como explicar que um motorista de Uber, uma caixa de supermercado, que estão todos os dias nas ruas, ainda não estejam vacinados? O processo eleitoral é o único momento em que um morador de uma vila de Parintins tem o mesmo peso que o de um morador da Vieira Souto (avenida do bairro de Ipanema, na zona sul carioca). Se eles têm o mesmo valor, todos precisam ser vacinados", justificou.

Na prática

O procedimento para a vacinação previsto no projeto seria bem semelhante ao que é feito em um dia de votação. O eleitor chegaria à sua respectiva seção 'eleitoral' e seria então identificado pelo primeiro mesário. Um segundo mesário validaria os dados no sistema, permitindo o início do processo de vacinação. Enquanto isso, um terceiro mesário atualiza o cartão de vacinação ou emite um novo. Após a vacinação, o eleitor apertaria o botão verde, tal qual uma eleição, confirmando a vacinação, exibindo na urna então a foto do mesmo e seus dados. "A diferença é que o eleitor não irá exercer o direito de votar e sim exercer o seu direito à vida", diz o projeto.

O tempo estipulado para o processo todo ser finalizado, da entrada à saída do cidadão da seção eleitoral, é de três minutos. "Em uma eleição geral, com governador, presidente, deputados e dois senadores, há seções que o tempo de urna médio vai de  4 a 5 minutos. Com essa logística, podemos fazer em três minutos, sem contar que, caso necessário, pode-se passar das 17h, algo que não acontece em uma eleição", destacou Messias Andrade.

News whatsapp image 2019 06 22 at 17.28.20 a187bead 9f3c 42a6 86d0 61eb3f792e97
Jornalista de A CRÍTICA
Jornalista de A CRÍTICA

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.