Quarta-feira, 03 de Junho de 2020
CONSELHOS

Psicólogos dão dicas sobre como manter o equilíbrio durante quarentena

Problemas como ansiedade e depressão podem ser potencializados devido o isolamento social



isolamento_115C268C-4A33-4F96-A139-8D203292EED2.jpg Foto: Reprodução/Internet
12/05/2020 às 15:18

A suspensão de serviços não essenciais no Amazonas foi prorrogada até esta quarta-feira (13) e pode ser estendida por mais alguns dias. Para as pessoas que estão respeitando o isolamento social e tem controlado a vontade de socializar com os amigos ou tem lidado com a escassez de recursos financeiros, o período tem sido motivo de estresse e ansiedade.

A fim de mitigar os impactos na saúde mental causado pelo recolhimento social, há ações de acolhimento psicológico gratuito disponível à população. Também profissionais passaram a atender pacientes por videoconferência.



Conforme a presidente do Conselho Regional de Psicologia da 20ª Região, Mônica Maximino, que tem atendidos diversos pacientes à distância, os problemas mais recorrentes percebidos por ela neste período são a ansiedade e a depressão, potencializada pela solidão.

“Com o isolamento social prorrogado no nosso Estado, os indivíduos podem ser impactados de diferentes formas pela situação do isolamento. Portanto, com esse cenário, as pessoas têm desencadeado um estado de sobrecarga emocional, estresse, ansiedade, depressão e insônia”, enumera ela.

“Para minimizar esse momento difícil, é recomendável manter contato com pessoas que fazem bem para você por meio de chamada de vídeos, bem como criar uma rotina saudável, com atividade física e tempo para relaxar”, orienta ela, que acrescenta ainda que, se necessário, é importante não deixar de procurar ajuda profissional. “Os psicólogos estão fazendo atendimento on-line”, completa.

Para o psicólogo Sérgio Freire, que tem pesquisado sobre a saúde mental em tempos contemporâneos na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), uma das formas de controlar a ansiedade nesse período de crise é olhar a situação de forma realista (sem entrar em pânico) e focar naquilo que podemos controlar.

“O isolamento social é biológico apenas. Aproveitemos o tempo para ressignificar a solidão como tempo de reflexão. Atividades como ler, ver filmes, conversar, ouvir música ajudam muito. Elabore uma agenda de atividades em casa para o tédio não tomar conta”, recomenda ele, que costuma postar vídeos em suas redes sociais com dicas para manter a saúde mental em dia durante o isolamento social.

Acolhimento psicológico prorrogado

Desde o dia 26 de março, a Comissão de Saúde Mental da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) está oferecendo acolhimento psicológico à população em geral. Os atendimentos gratuitos acontecem de segunda a sábado por chamada telefônica ou chamada de vídeo, em regime de escala, de manhã, das 9h às 12h; à tarde, das 14h às 17h, e à noite, das 18h às 21h.

Os profissionais fazem parte do Comitê de Emergência em Saúde Mental do Amazonas- COVID-19, integrado pela UEA, Conselho Regional de Psicologia da 20ª Região, Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam) e Instituto Leônidas e Maria Deane (Fiocruz Amazônia). Eles atendem também pelo aplicativo Sasi, ferramenta utilizada pelo governo estadual durante o período de enfrentamento ao novo coronavírus.

Por conta da demanda, os atendimentos têm uma duração média de 30 minutos por pessoa. Segundo a coordenadora da Comissão de Saúde Mental da UEA, Sônia Lemos, atualmente, estão nesta ação 38 psicólogos que realizam o acolhimento psicológico durante a semana em escala nos três turnos.

“Já foram atendidas 340 pessoas na primeira frente da ação. Na segunda frente já foram encaminhadas, via aplicativo Sasi, 257 pessoas para o acolhimento psicológico. As demandas estão relacionadas ao aumento da ansiedade e às dificuldades de lidar com o isolamento social. Também estão surgindo demandas relacionadas às perdas e lutos decorrentes da Covid-19”, destacou Lemos.

Ainda de acordo com Sônia Lemos, a equipe já estava preparada para a prorrogação do tempo de isolamento social no Estado, pois o aumento dos números tanto de casos novos quanto de mortes passou a exigir que as ações de acolhimento também fossem incrementadas.

“A população pode acessar o serviço de acolhimento psicológico pelas escalas de disponibilidade de horários e profissionais nas redes sociais da UEA, bem como pode acessar pelo aplicativo Sasi”, informou ela.

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Repórter do caderno Cidades do jornal A Crítica. Jornalista por formação acadêmica. Já foi revisor de texto de A Crítica por quatro anos e atuou como repórter em diversas assessorias de imprensa e publicações independentes. Também é licenciado em Letras (Língua e Literatura Portuguesa) pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

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